Considerações
sobre produção,
discurso e análise em jornalismo
Rosa Nívea Pedroso
*
RESUMO:
O ensaio faz considerações acerca
da instância produtiva do jornalismo
como lugar sociológico de produção
de subjetividades e como lugar de
regulagem dos sentidos sociais. PALAVRAS-CHAVE:
Jornalismo e Linguagem. Análise do
Discurso Jornalístico. Teoria do
Jornalismo.
I
O
campo jornalístico tem sido, dos campos da
mídia, o mais analisado. O mais criticado.
Criticado às raias da paranóia crítica porque
tem-se atribuído ao jornalismo um poder
manipulatório quase absoluto. É evidente que
aqui não estamos nos referindo à manipulação
técnica pois, grosseiramente, poderíamos dizer
que o jornalismo é uma atividade de
manipulação técnica incessante. E o é. É o
derramamento de petróleo no mar da Galícia que
se transforma em manchete. É a viagem do
Presidente do Uruguay que se transforma em
infografia. E por aí vai. Mas por que em
infografia? Perguntam os analistas. Para esvaziar
a explosividade da viagem, respondem as vozes da
análise.Para esta ordem de exemplos poderíamos
usar outros exemplos de ordem pragmática, tais
como: por que a fotografia do Presidente do
Brasil saiu impressa em cores vermelhas? Porque
na hora da impressão faltou tinta marrom e o
jeito foi utilizar logo a cor vermelha. Por que a
foto do Governador saiu fora de foco ou saiu
exatamente aquela em que ele bocejava? Porque
eram exatamente as melhores que o fotógrafo
tinha no único rolo de filme. Por que o título
da matéria saiu exatamente com a declaração
mais infeliz do Ministro da Ciência e
Tecnologia? Simplesmente porque isto era a
novidade, era a notícia, era o mais importante.
E é função dos jornalistas dizer o que é mais
importante. O importante, no caso, referia-se
simplesmente à política nuclear brasileira.
Para corrigir os desastres informativos, existem
os porta-vozes e os desmentidos posteriores.Mas
este é um problema de assessoria de
comunicação.Ou, então, por que só o
Secretário de Finanças foi ouvido pela equipe
de campo de reportagem? Porque o Ministro estava
com a agenda lotada e por isto não estava
recebendo jornalistas e, para isto, existem os
cargos de segundo escalão para receber a
imprensa. E outros dois Técnicos do Tesouro
Nacional também não foram ouvidos porque
estavam impedidos de falar com com a imprensa. E
uma terceira fonte não foi encontrada porque
estava viajando e, finalmente, uma quarta fonte
não quis falar. Ossos do ofício do jornalismo
diário... Qualquer estudante de Jornalismo
quando sai a campo para fazer uma reportagem sabe
muito bem das dificuldades de fechar uma pauta.
Mas, o analista, longe dos ossos do ofício
diário ininterrupto do jornalismo, viu nisto
tudo uma reação da imprensa brasileira contra o
socialismo recém-parido. Evidentemente, estes
são exemplos grosseiros e não estamos nos
referindo a práticas realizadas pelo jornalismo
de baixa qualidade e de baixo padrão ético e
editorial.
A intenção
destes exemplos foi mostrar situações
rotineiras de produção que fogem da vontade e
dos desejos de manipular e controlar tudo e
todos. Os exemplos também foram utilizados com a
intenção de exemplificar o quanto é preciso
conhecer os meandros, as lacunas, os
interstícios das regras da instância produtiva
para analisá-la sem cair na consciência total
do jornalismo ou no manual de produção de
discurso contra a manipulação jornalística.
II
O domínio da
cartografia jornalística implica em ter uma
noção do que significa verdade para o
jornalismo. Do que significa objetividade para o
jornalismo.Que não é a negação da
subjetividade mas exatamente o seu
reconhecimento, a sua afirmação. Saber o que
são as notícias.O que é o jornalismo? O que
são as notícias? O que e quem são as fontes? O
jornalismo não é o tudo nem o todo. Se cada um
e todos forem manipular em favor disto e contra
aquilo, o telejornal não fecha e não começa no
horário. Tamanha a quantidade de manipulação
ideológica, política e etc. É evidente que
não estamos dizendo que não existam
manipulações políticas e ideológicas em
situações, lugares e contextos determinados, é
claro que existem e sempre existirão. Trata-se,
no entanto, de uma outra questão, trata-se do
reconhecimento de que são as fontes que fornecem
a verdade factual ao jornalismo declaratório.
Não existe jornalismo sem fontes porque o
jornalismo é feito a posteriori do
acontecimento. Mais do que nunca as fontes dão o
conteúdo e o enfoque, basta ver o grande
aproveitamento dos materiais vindo das
assessorias de comunicação, transformando a
atividade de assessor mais rentável do que de
jornalista/repórter.
Esta é uma
relação estrutural entre jornalismo e fontes. E
agora quem manipula quem? Não esqueçamos que
tanto fontes quanto jornalistas e editores são
elementos, da cadeia produtiva, interessados em
notícia (em repercussão, em notoriedade, em
audiência e etc.). Uma relação estrutural
interessada em produzir notícia (conteúdo,
imagens e comentários). O princípio da verdade
factual é muito caro para o jornalismo porque é
dele que ele extrai a sua credibilidade e
permanência. Até as fábricas de
mentira (Günter Wallraff) mantêm intacta
a ilusão da verdade factual. Criam a partir da
ilusão da verdade factual. Ver também o caso da
repórter Janet Cook do jornal Washington Post
que, no início dos anos 80, recebeu o prêmio
máximo do jornalismo americano, o Pulitzer,
"pelo seu relato ficcional de uma criança
toxicodependente com apenas oito anos"
(Easear, 1986, apud Traquina, 2000). Ou o caso de
Jayson Blair do jornal The New York Times ou o
caso mais recente e menos rumoroso de Jack Kelly.
Mas este é um anti-jornalismo. É o uso da
mentira no exercício da atividade jornalística
a serviço do jornalismo irresponsável e de
má-qualidade. Isto é um outro assunto e para
quem se interessa por ele.
Quanto à
questão do poder manipulatório do jornalismo,
temos duas questões a apresentar: uma, grande
parte desta questão é confundida com manuseio
pois como sabemos a notícia não é o fato e,
segundo, é a questão que realmente precisa ser
denunciada e analisada nos estudos sobre
jornalismo, é saber nominalizar o que é
manipulação em jornalismo. Manipulação em
jornalismo tem nome, tem efeitos concretos de
sentido e, para isto, vamos nos valer dos estudos
realizados por Bernando Kucinski e Leandro
Marshall. Kucinski, ao estudar o jornalismo
econômico, enumerou uma série de efeitos de
sentido produzidos na etapa de produção das
notícias e das reportagens: deslumbramento,
promiscuidade, oficialismo, relações
clientelistas, centrismo, minimalismo, eletismo,
dogmatismo, entreguismo, consensualismo e etc.
Agora sim, é possível falar em manipulação,
não de uma forma abstrata e indefinida, mas
definida, como deslumbramento, por exemplo, como
oficialismo, como consensualismo e etc. Por outro
lado Leandro Marshall, chama esta questão de
jornalismo transgênico, enumerando vinte e cinco
práticas com seus respectivos efeitos danosos
para o jornalismo, entre elas estão: a mimese, o
desfiguramento, a composição, a demanda, o
condicionamento, a ambigüidade e a sintonia (com
a publicidade e com a propaganda); a
releasemania; o dirigismo pelo setor comercial da
empresa jornalística; editorialismo; business;
merchandising editorial; consumismo direto e
indireto (estímulo ao consumo); vitrine e etc.
Os analistas do jornalismo deveriam estar
seriamente preocupados com o desfiguramento do
jornalismo em publicidade, por exemplo. Para
saber mais sobre o assunto ver ensaio
"Elementos para conhecer algumas das
condições de construção do discurso
jornalístico" in Pedroso, 2001.
Da parte que
cabe ao jornalismo, a problemática é maior
porque a disciplina de Teoria do Jornalismo
carece urgentemente de uma epistemologia, isto
é, de uma sistematização das várias correntes
teóricas e de suas perspectivas metodológicas;
de uma sistematização do campo, do objeto e dos
estatutos que conferem a existência teórica e
metodológica do jornalismo. Para saber mais ver
artigo de Orlando Tambosi "Elementos para
uma epistemologia do jornalismo". Essa
lacuna teórica tem sido preenchida por análises
discursivas e comunicacionais não-orientadas
pelas regras próprias do campo sociológico da
produção mas orientadas por regras discursivas.
Toda produção produz discurso e leituras.
Essas leituras
precisam levar em conta que a notícia não é o
fato em si, a notícia é resultado de um
complexo processo de produção. A produção
jornalística está inserida no complexo contexto
da pós-modernidade profundamente marcado pelas
revoluções tecnológicas. O jornalismo, visto
como um lugar sociológico de produção de
subjetividades, é marcado pelos novos
territórios existenciais pós-modernos, pelas
forças homogeneizadas/instituídas, pelas novas
forças de transformação, pela dispersão dos
saberes, pela especialização dos campos do
conhecimento, pelas novas frentes de
criação.Não é algo regido apenas pelas normas
da casa, como querem alguns. O jornalismo é algo
mais amplo e complexo e realiza-se na história e
na atualidade. Realiza-se ininterruptamente
dentro do tempo presente, pois como bem o definiu
Gomis (1991,p.12) ¨o jornalismo é um método de
interpretação sucessiva da realidade social¨.
Um trabalho ininterrupto de seleção e
interpretação do mundo. Do mundo aqui perto do
mundo lá longe.
De novo vamos
nos valer da definição de Gomis (p.36) de que o
jornalismo é um fenômeno de interpretação,
mais exatamente um método para interpretar
periodicamente a realidade. Esse
método para interpretar a realidaade
é o que constitui o campo de produção no
jornalismo. E Gomis vai mais longe, diz que
a notícia é interpretação. A
notícia é interpretação porque é resultado
de um processo de produção, resulta de um
processo produtivo que possui regras próprias de
coleta, pesquisa, seleção, verificação,
redação, edição e exposição. De modo que
podemos inferir que o Jornalismo se constitui em
um modo de interpretar o mundo. Muito pode
avançar o conhecimento sobre a epistemologia do
jornalismo e da notícia se os estudos
discursivos e comunicacionais se concentrarem na
questão do fenenômeno dos efeitos sobre as
audências. Inferências analíticas sobre a
ordem produtiva não fazem o conhecimento
avançar porque batem nas tentativas de
conhecer/desvelar/desmascarar as intenções
manipulatórias de repórteres, editores etc. Os
estudos sobre a ordem produtiva requerem
cuidados/procedimentos muito bem demonstrados
pela socióloga Gaye Tuchman na sua observação
direta-e-participante dentro de uma redação de
jornal.
A ordem da
produção jornalística impõe mais tensão que
coesão, mais complexidade que linearidade, mais
negociação que consenso, mais heterogeneidades
que homogeneidades, mais interdiscursos que
autocentramento.E refere-se ao mundo. Está
referida ao mundo, ao tempo sociológico. A ordem
da produção jornalística está plena de
causalidades, equívocos, acasos, pressão,
tensão, stress, cansaço, abundância, excassez,
pontos de fuga, regulagem, erros, acertos e etc.
Um continuum produtivo que define o
jornalismo exatamente pela permanente
continuidade, pelo trabalho permanente em busca
da redução de erros, pela periodicidade, pelo
tempo, pelo espaço que se repetem em forma de
formato. É o território da tensão permanente
entre previsibilidade e imprevisibilidade. O
sistema produtivo jornalístico nunca se fecha,
está em um permanente estado de atualização.
Atualização informativa, atualização
tecnológica, atualização lingüística e etc.
Por outro lado,
a ordem discursiva (campo dos analistas do
discurso e dos fenômenos de comunicação) lida
permanentemente com os fenômenos de linguagem
desencadeados pela ordem produtiva (que é
também da ordem organizacional, tecnológica,
industrial e etc). Sobre a ordem da produção, a
noção de atividade foi desenvolvida por
Pedroso, 2000. Assim, o jornalismo é o mapa e as
análises discursivas e comunicacionais são as
cartografias. Essas análises vão realizar
estudos sobre o imaginário, sobre o sujeito,
sobre o pré-construído, sobre o inconsciente,
sobre a ideologia presentes na ordem produtiva
que repercutem nos seus produtos e resultados. As
análises discursivas e comunicacionais vão
trabalhar sobre as evocações, as ressonâncias,
os efeitos lingüísticos e de recepção. Enfim,
vão fazer o trabalho de escuta porque a ordem da
linguagem precede a ordem da produção e a ordem
da recepção. Quais os saberes precedem o
jornalismo econômico? Procurar respostas para o
pré-construído, para o que está lá e aqui na
ideologia, no imaginário, no inconsciente, na
história, no mesmo e no outro.
A ordem da
produção é referencial, está referida a
lugares sociológicos e a fazeres, está
co-determinada ao individual e ao coletivo, ao
homem e à máquina e etc.Está dotada de
complexidades, de intencionalidade, de
não-intencionalidades, de arbitrariedades,
racionalidades, rotinas e etc. Ordem que não se
fecha em totalidades nem só em intencionalidades
(Ver Pedroso, 2000). Evidentemente, a ordem da
produção jornalística, constituída pela
linguagem como o é, é um lugar que produz
realidades (Fausto Neto, 2002).
A ordem da
produção é, assim, duplamente assinalada como
um lugar sociológico de produção de
subjetividades, de interpretação ininterrupta,
de significações dadas e como um lugar de
regulagem dos sentidos sociais. O jornalismo é,
por natureza, um campo de regulagem dos sentidos.
Ao evocar os princípios da referencialidade, da
clareza, da exatidão, da verdade factual, o
jornalismo não deixa os sentidos à deriva. O
método da objetividade entra aí como o
farol no nevoeiro (Expressão de
Furio Colombo), orientando os jornalistas nas
noites de dúvida, de cansaço, de crise com a
baixa qualidade do jornalismo feito por ele e
pelos outros, de perplexidade diante do novo
mundo, de abatimento, de exaustão, de
denúncias, de desmentidos, de dossiês, de
acusações, de especulações, de rumores, de
intrigas e etc.
As regras do
campo informativo são reconhecidamente rígidas,
reguladoras, buscando sempre o fechamento e não
a abertura dos sentido porque o jornalismo
informativo diário é posto à prova diante
cena original perdida (expressão
utilizada por Fausto Neto, 2002). A cena
primária está perdida, então, o modo de
dizer passa a ser referencial, controlado pelo
princípio da verdade factual, porque o
acontecimento perdido reacontece na tela da
televisão, na tela da internet, nas ondas do
rádio, nas páginas dos jornais e das revistas.
O jornalismo é uma atividade movida pela
linguagem e pela produção e regulada pelas
regras dos seus gêneros porque a intenção de
fundo é a intenção de informar. Os gêneros
jornalísticos são dispositivos de controle de
sentidos. São guardiões das regras do campo
jornalístico; são lugares de passagem da figura
do interpretante, da função do mediador. Os
gêneros jornalísticos instalam/criam lugares de
leitura. Os gêneros jornalísticos são
ressonâncias da ordem produtiva que visa
organizar/controlar o continuum, o
turbilhão, as tempestades informativas do mundo
da natureza e do mundo da cultura.
Se a história,
a ideologia e a linguagem são constitutivos do
jornalismo como prática social, o processo de
produção de notícias (entre)tece-se em
(inter)ações complexas, inerentes ao agente
humano (incluindo conhecimento, consciência,
sentimentos e etc sob o filtro e a regulagem
próprias do indivíduo); inerentes ao sistema
produtivo em si (incluindo saberes e fazeres
pré-instituídos) e inerentes ao mundo, à
época pós-moderna. O processo de produção,
visto assim pela sua complexidade, pode ser
compreendido como um lugar, um lugar sociológico
de criação de subjetividades (e de verdades e
de realidades) que atinge o imaginário das
massas. E aí entra a função do analista do
discurso e das notícias, não para repetir que
existe manipulação na produção. Pois a
manipulação técnica e ideológica dos
materiais é constitutiva do processo produtivo
jornalístico. Até porque, como já sabemos, a
notícia não é o fato em si. O que a ética do
jornalista deve é tentar evitar a tentação de
manipular ativamente [porque esta] é uma
atitude nitidamente política (Marcondes
Filho, 1993, p.138). Manipular para
favorecer/desfavorecer/desmerecer/qualificar/desqualificar.
Militar ao invés de informar. Evidentemente que
o jornalista que manipula ativamente as
informações e as edições deveria estar do
outro lado do balcão, no balcão das opiniões.
Aí poderá extravasar a sua necessidade de
expressão ou o seu desejo de se sobrepor aos
fatos e ao mundo.Ou dedicar-se às atividades de
assessoria do seu partido político, por exemplo.
O ideal do jornalismo responsável e de qualidade
impõe ao jornalista o exercício diário do
desafio da separação para suportar o Outro, o
diferente.
III
Mas cabe ao
analista um papel mais transcendente do que ficar
preso na gaiola dos que não sabem o que querem.
Cabe a ele dizer que existe um processo de
criação de subjetividades alimentado pelo
jornalismo; explicitar as características do
processo, identificar os efeitos sobre as massas
e as respostas que as massas
criam/enunciam/evocam. Uma tarefa mais
científica e humanista (por isto, esclarecedora)
do que acusatória, reacionária, refratária,
projetiva contra os super- poderes do jornalismo.
Pois há, pelo
menos três fatores que jogam do lado do
receptor, [e das massas] impedindo que a
manipulação surta efeito: a memória, a
vivência e a visão de conjunto.As três supõem
reserva de informação anterior (Marcondes
Filho, 1993, p.135). Assim, nem tudo e nem todos
estão dominados. As massas respondem, votam,
fazem novas elaborações e isto já é por si
só muito importante. [Luis Inácio Lula da Silva
foi eleito presidente da República Federativa do
Brasil apesar do Jornal Nacional e da Rede Globo.
Collor não foi eleito nas Alagoas apesar de ser
empresário das comunicações. E por aí vai...
Apesar disto, a Liberdade e a Democracia precisam
de vigilância contínua pois a tentação do
poder midiático e do Estado midiático rondam o
mundo pós-moderno].
Quando Gomis
(1991,p.33) diz que o presente das
notícias não se define tanto por sua emissão
como por seu comentário, ele refere-se ao
tempo presente social, à interação social, à
recepção, à comunicação (aquilo que agora é
comum). E acrescenta o presente é o que se
comenta (Gomis, 1991 apud Gomis,1988).
Assim, se levarmos em conta a notícia como
ressonância do mundo de hoje, do presente
histórico, grande é a tarefa da História, da
Sociologia, da Antropologia e da Filosofia para
conhecer e explicar esse mundo, divulgado,
propalado, difundido, expandido pelo trabalho
jornalístico, que se denomina pós-moderno,
pós-industrial, pós-história, pós-neoliberal
e etc. O mundo da chamada globalização, da
mundialização.
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* Rosa
Nívea Pedroso,
colaboradora de SdP, professora adjunta do Curso de
Jornalismo do Departamento de Comunicação da Ufrgs.
Jornalista, Licenciada em Letras e Mestre em
Comunicação pela Ufrj. É autora de A
construção do discurso de sedução em um
jornal sensacionalista. São Paulo:Editora
Annablume, 2001.
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