Ideologia e
marketing: o espaço da
opinião nas editorias econômicas dos
magazines semanais de informação geral
Ivo
José Dittrich e Nilson Lemos Lage *
RESENHA: Este artigo
trata de proposições interpretativas e
opinativas nas páginas econômicas de
semanários brasileiros de informação
geral. Milhares de sintagmas nominais foram
coletados, entre julho de 1999 e junho de
2000, nas páginas de economia de três
revistas (Veja, Isto é e Época)
as mais populares do país.
Procedeu-se à análise de tal corpus.
Constatou-se, então, que sintagmas nominais
mais do que os sintagmas verbas ou
adverbiais são o lugar privilegiado
desses gêneros retóricos (interpretação
e, principalmente, opinião), conduzindo a um
consenso que parte do princípio de que o
mercado tem papel dominante e de que a
política de globalização levará a
sociedade de consumo a um futuro radioso. ABSTRACT:
This paper deals with interpretative and
opinionative assumptions in the economic
pages of Brazilian weekly general information
magazines. Thousands of definite nominal
phrases were collected between July, 1999 and
June, 2000, from the economic pages of three
magazines (Veja, Isto é and Época)
the most popular in the country. An
analysis of such corpus indicated that
nominal phrases more than verbal or
adverbial ones are the outstanding
locus of such rhetorical genders
(interpretation and, mainly, opinion),
leading to a consent that takes for granted
the dominant paper of market and the promised
paradise of consumption society in the
future, under globalization politics. Palavras-chaves:
Magazines de informação geral/ Texto
interpretativo/ Texto opinativo
Karl
Kraus, cáustico editor e redator quase único
dos 922 números de Die Fackel, criticava
nos jornais austríacos do início do Século XX,
particularmente em Die Neue Freie Presse,
contradições tais como a coincidência do
moralismo nos editoriais com a publicação, nas
páginas que hoje chamaríamos de
"classificados", de anúncios de massagistas
e acompanhantes. Mas isso era o de menos:
O que
elevava às alturas a irritação de Karl
Kraus diante do jornalismo de seu tempo era a
mistura de opinião e fato envolvida na
apresentação de notícias deturpadas por
interesse de classe.(...) O ensaio cultural,
o feuilleton, era para muitos a mais
importante seção do jornal (...) uma
espécie de vinheta, na qual uma situação
era descrita com todo o colorido que o autor
pudesse reunir; (...) resposta subjetiva a um
estado de coisas objetivo, planejada para ser
transmitida em linguagem repleta de
advérbios e, em especial, de adjetivos, de
maneira tal que a situação objetiva
perdia-se nesse emaranhado; (...) os fatos
objetivos vistos através das emoções
multifacetadas do escritor, suficientemente
narcisista para considerar suas próprias
reações emocionais como possuidoras de
perceptividade e qualidade universais. (...)
Para o burguês, (...) o ponto alto de todo o
jornalismo". (JANIK & TOULMIN,
1991:81)
Os tempos são
outros. Profissionais economistas,
advogados, sociólogos , aos quais não se
podem imputar qualidades de estilo, produzem os
formalismos que ocultam a realidade, mas as
características gerais dos textos que irritavam
Kraus encontram-se ainda hoje nas páginas de
opinião e nos suplementos dos jornais. Em
nenhuma parte, no entanto, elas podem ser mais
notadas do que nos semanários de informação
geral do tipo de Veja.
Ideologia,
informação e marketing em forma
impressa, essas revistas abastecem o público de
modas culturais, denúncias de escândalos,
eventos nacionais e locais (com maior
freqüência de São Paulo, que é o maior
mercado) inéditos ou requentados, cobertura
internacional, geralmente copiada de
publicações do Primeiro Mundo. Quando faltam
essas atualidades de impacto, recorrem a
matérias temáticas que agitam aspirações e
temores difundidos de seu público
(enriquecimento/empobrecimento,
misticismo/hedonismo, gordura/magreza,
ciência/superstição,
heterossexualismo/homossexualismo,
homogeneização/identidade etc.).
As
peculiaridades estilísticas desses magazines
o que, neles, destoa do noticiário
corrente, sem alcançar o nível de análise da
imprensa especializada (Nature, Foreign
Affairs etc.) resultam de
aperfeiçoamentos e adaptações do Timestyle
originalmente (Time foi fundada em
19231), "ordem inversa
das palavras, sentenças invertidas e termos
aglutinados" (EMERY, 1965: 6932):
Henry Luce e
seus editores não pretenderam se limitar aos
conceitos tradicionais de objetividade
jornalística, que consideravam como mítica.
Nem tampouco queria a Time ser chamada
de imparcial. (...) Num histórico ensaio
publicado por ocasião de seu 25º
aniversário, Time dizia: "O
jornalista responsável é parcial com
relação à interpretação dos fatos que
lhe parece se ajustar às coisas como
são". (...) Alguns críticos, porém,
achavam que a Time não era às vezes
honesta com os seus leitores, desde que
apresentava opiniões e hipóteses editoriais
de permeio com as notícias concretas. As
predisposições editoriais da Time
eram acentuadas pelo uso que fazia das
técnicas narrativas e de interesse humano.
(EMERY, 1965: 692).
Os pontos de
vista de Luce quanto à intenção de
objetividade dos jornalistas coincidem com a
atitude dominante dos intelectuais
contemporâneos brasileiros, que reclamam "o
controle social da imprensa".3 Em sua longa
existência, Time prova ser desnecessário
tal controle: tão logo liberto do compromisso
ético e técnico que restringe testemunhos
subjetivos e valoriza os dados que se podem
constatar ou medir, qualquer publicação de
grande porte, sendo empreendimento capitalista,
torna-se instrumento dócil do discurso
dominante isto é, do conjunto de
versões da realidade partilhadas por seus
financiadores bancários, controladores de
empresas anunciantes e detentoras de tecnologia.
Neste artigo,
pretendemos mostrar, nas editorias de economia
dos três maiores magazines semanais de
circulação nacional no Brasil, (a) a diferença
sutil entre interpretação e opinião, nem
sempre reconhecida nas teorias do jornalismo e
(b) alguns dos mecanismos fundamentais em que se
apóia a produção de interpretação/opinião
nos magazines que, ainda que indiretamente,
seguem o modelo de Time: Veja,
principalmente, mas também Isto é e Época.
1.
Informação, interpretação e opinião
O texto
informativo dá conta de um fato ou de uma
série de fatos ocorridos sucessivamente no mesmo
local ou no contexto de um mesmo assunto (uma
guerra ou uma disputa esportiva, por exemplo) em
um lapso de tempo. O texto interpretativo
apresenta fatos propondo ligações entre eles
que conduzem a vários entendimentos possíveis,
pelos critérios de causa/conseqüência,
analogia/paradoxo, aparência/essência etc. O texto
opinativo propõe uma versão para um
conjunto de fatos, mencionando-os ou não.
Texto
informativo e texto interpretativo formam um
contínuo: todo texto informativo pressupõe
alguma interpretação e todo texto
interpretativo é também informativo. A
diferença é essencialmente de gradação.
Alguma
interpretação existe no texto informativo
porque (a) a sucessão de proposições referidas
a fatos sugere causa; (b) a contiguidade entre
proposições referidas a fatos sem relação
causal possível sugere semelhança ou
contradição; (c) a contiguidade entre
proposições, uma essencial ou distante, outra
mais aparente ou próxima, sugere que a primeira
explica a segunda, ou a segunda documenta
a primeira; (d) as palavras têm conotações,
isto é, sugerem entendimentos diferentes para a
realidade. Se digo "João matou Maria",
"João assassinou Maria" ou "João
degolou Maria" (portanto, uma ordem do mais
vago ao mais específico), apresento o mesmo fato
com intensidade ou nuanças diferentes. Degolar
é mais descritivo, preciso e, portanto, mais
dramático do que matar.
Textos
informativos e interpretativos diferem de textos
opinativos porque fornecem ao consumidor escolhas
quanto à conclusão. Diante de textos
opinativos, só se pode concordar ou não. A
diferença ficará mais evidente nos exemplos
seguintes:
1.1. Primeiro
exemplo
Texto
interpretativo.
Admitamos que
junto três fatos na mesma matéria:
- João matou
Maria
- João teve
alta do manicômio há pouco tempo
- A política
adotada no setor de saúde é ampliar o
atendimento ambulatorial de doentes
mentais.
A ligação
entre esses fatos no mesmo contexto pode ser
assim esquematizada:
(a) relação
seqüencial (causalidade fraca post hoc
ergo propter hoc, supõe-se que o
conseqüente é causado pelo antecedente)
(b) relação
causal
(c) O sistema de
relações estabelecido entre os fatos oferece ao
consumidor a possibilidade de produzir as
seguintes conclusões opinativas:
- a política
de incentivo ao atendimento ambulatorial
de doentes mentais é errada;
- a política
de incentivo ao atendimento ambulatorial
de doentes mentais está sendo mal
aplicada;
- mesmo uma
política correta como a do atendimento
ambulatorial de doentes mentais é
susceptível de acidentes como o que
ocorreu no caso de João;
- trata-se de
coincidência.
Texto
opinativo
A redução dos
custos no atendimento à saúde, resultado da
política de arrocho dos gastos públicos ditada
pelo FMI, traz riscos à população, que tem que
conviver com pessoas insanas. É o caso de João,
que matou Maria.
Observe-se que:
- não há
possibilidade de escolha pelo receptor,
salvo concordar ou discordar;
- o texto
existe substantivamente, mesmo sem o
último período, que remete ao fato.
1.2. Segundo
exemplo
Texto
interpretativo
Admitamos que
junto três fatos verdadeiros na mesma matéria:
- O
Presidente John Doe tem a maior
rejeição pública da história
jamaicana;
- O
Primeiro-ministro Winston Churchill tinha
a maior rejeição pública da história
inglesa logo antes da Segunda Guerra
Mundial;
- Churchill
conduziu a Inglaterra à vitória na
guerra.
A ligação
estabelecida entre esses fatos no mesmo contexto
pode ser assim esquematizada:
(a) relação
analógica
(b) relação
paradoxal
(c) A relação
estabelecida oferece ao receptor a possibilidade
de produzir as seguintes conclusões opinativas:
- John Doe é
um grande homem como Churchill,
injustiçado pela massa;
- No caso de
John Doe, o povo está acertando, o que
não acontecia com Churchill;
- Só se
houver uma guerra a imagem de John Doe se
recupera;
- Trata-se de
coincidência.
Texto
opinativo
À semelhança
de Churchill, que viveu momentos de rejeição
popular sem precedentes antes de alcançar a
glória política no contexto da Segunda Guerra
Mundial, John Doe está pagando o preço de sua
coerência e da persistência com que se empenha
na defesa do interesse da Jamaica. Mas o futuro
imediato, tal como aconteceu com o Primeiro
Ministro inglês, logo o reporá no lugar
merecido.
Observe-se que:
- não há
possibilidade de escolha pelo receptor,
salvo concordar ou discordar;
- o enunciado
existe substantivamente, mesmo sem o
apoio do fato, que aparece aí apenas
como pretexto para a manifestação da
atitude do autor (no caso, ele transforma
o fato negativo em positivo).
2.
As microestruturas da opinião
A explicação
acima parece satisfatória em termos de
macroestrutura, isto é, da conformação geral
que nos permite concluir, do ponto de vista
semântico, que o enunciado corresponde a eventos
do mundo real ou de mundos possíveis (a
referência), contém ação ou relação
relevante e presumivelmente ainda não percebido
pelo receptor (a informação), sustenta leque
amplo de versões (interpretação) ou impõe, em
última instância, uma única versão (opinião)
a partir de fatos, proposições gerais ou
documentos.
No entanto, o
problema que se coloca é o das microestruturas,
através das quais realizam-se concretamente
funções de referência, informação e
argumentação. No nível da sentença, as
possibilidades variam entre os sintagmas verbais,
os sintagmas nominais e os moduladores externos,
tais como infelizmente, para desespero
dos investidores, em um momento de fúria
etc. Dentre essas três categorias, a maior
convergência das funções referencias,
informativas e argumentativas encontra-se nos
sintagmas nominais, quer se constituam de nomes
próprios4 (Volkswagen/a mais
antiga montadora alemã instalada no Brasil; Embraer/o
concorrente brasileiro da Bombardier), nomes
genéricos (fábrica /empresa/indústria/
/planta/firma), modificados ou não, ou nomes
relacionais complementados por um termo
referencial (um milhão de quilômetros, irmão
de Pedro).
A partir dessa
perspectiva, elegeram-se as descrições
definidas5 para o estudo de 150
títulos e 30 textos de reportagens econômicas
dos magazines Veja, Isto é e Época
cinqüenta de cada um , entre julho
de 1999 e junho de 2000 (DITTRICH, 2001). A
distinção funcional procurada pode se
evidenciar a partir de um exemplo:
(a) No Rio
Grande do Sul, já foram lançadas as
primeiras sementes de trigo para a próxima
safra de verão; (b) No Rio Grande do Sul, já
foram lançadas as primeiras sementes
transgênicas de trigo para a próxima safra
de verão; (c) No Rio Grande do Sul, já foram
lançadas as controvertidas sementes
transgênicas de trigo para a próxima safra
de verão. (op.cit.:14)
Na sentença (a)
predomina a função referencial, já que a
informação em si (de as sementes serem de trigo
e as primeiras), no contexto do magazine, é
sobretudo designativa; na sentença (b), o termo
agregado (transgênicas) introduz
informação jornalística relevante, pela
novidade e pela controvérsia;6 em (c), o valor
argumentativo do termo controvertidas, que
se poderia imaginar implicado em (b),
evidencia-se quando se propõe a substituição
por perigosas, revolucionárias, extraordinárias
ou resistentes.7
Os suportes
teóricos da pesquisa são, principalmente, a
Teoria da Relevância (SPERBER & WILSON,
1995) e a Nova Retórica (PERELMAN &
OLBRECHTS-TYTECA, 1999).
3.
A pesquisa em números
O período em
que foram publicadas as reportagens (1999-2000)
foi marcado, nos contextos nacional e
internacional, pelas fusões de empresas, pelo
discurso da livre concorrência (que, como
advertia o Papa Pio XI, na sua encíclica Quadragesimo
Anno, de 1931, conduz inevitavelmente à
vitória dos mais fortes8) e pela repercussão das
novas tecnologias no quadro das relações
sociais e econômicas. Era a globalização posta
em prática.
Correspondendo a
isso, os títulos contêm dominantemente os
traços de grandiosidade (27), união
(nove), disputa (30) e intensidade
(23). Somam 90 em 150. Se considerarmos formas
ambíguas, que podem ser enquadradas nessas
categorias (Hora de reduzir riscos, La
dolce vita de Cacciola, Leilão das
gôndolas em grandiosidade, por
exemplo), o número ultrapassa cem, ou dois
terços do corpus. Sobrepondo-se a essas
classes, a referência à tecnologia (O buraco
negro do DDD, A escolha de Gates, Acabou
a mamata da Internet etc.) concorre com pelo
menos duas dezenas de títulos.
Quanto à forma
gramatical, 25% dos títulos são descrições
definidas; 34 % descrições não determinadas
(isto é, sem marcador definido ou indefinido),
menos de 3% descrições indefinidas (são cinco
títulos e, pelo menos em dois o um/uma é
ambíguo, sugerindo, mais ou menos intensamente,
o valor numeral: Uma moeda para todos e Uma
fatia do bolo); 20% têm outras
configurações nominais (marcadores nem, de,
esse, até, só etc.).
Títulos com
inserção de sintagmas verbais acontecem em 23%
dos casos (35 em 150), com forte predomínio de Veja
sobre suas concorrentes: cerca de 5% consistem de
descrições definidas seguidas de verbo (por
exemplo, O capitalista desapareceu, em que
"o" reporta-se à categoria dos
capitalistas, não a nenhum investidor em
particular); 5% de descrições não determinadas
seguidas de verbo; e perto de 14% com outros
tipos de inclusão verbal. Os campos semânticos
são, dominantemente, verbos de processo e
ligação, os que indicam posse e benefactivos.9 Há, em todos os casos,
mas principalmente nas construções com verbos,
a nítida preocupação de parafrasear
seqüências que os leitores provavelmente têm
na memória: Yes, nós temos tecnologia/ Yes,
nós temos bananas (marcha cantada por Carmem
Miranda), Quem tem medo de estrangeiros? /Quem
tem medo de Virgínia Wolf? etc.
TAB. I
Perfil geral dos títulos
| |
Expressões Nominais |
Títulos com verbo |
|
REVISTA
|
DDS |
DND |
DIS |
OCN |
TOT |
DDS |
DND |
Outros |
TOT |
TOTAL |
| Veja |
14 |
07 |
02 |
06 |
29 |
07 |
03 |
11 |
21 |
50
|
| Época |
11 |
28 |
02 |
04 |
45 |
00 |
01 |
04 |
05 |
50
|
| Isto É |
13 |
17 |
01 |
10 |
41 |
00 |
03 |
06 |
09 |
50
|
| TOTAL |
38 |
52 |
05 |
20 |
115 |
07 |
07 |
21 |
35 |
150
|
Percentual*
|
25% |
34% |
03% |
13% |
75% |
05% |
05% |
15% |
25% |
100%
|
*
Os percentuais foram arredondados.
Observa Dittrich
(op.cit.:108):
Para quem é
do ramo jornalístico, a predominância dos
títulos compostos por expressões nominais
sobre aqueles que apresentam verbo não seria
novidade. A tabela, entretanto, permitiria
estabelecê-la mais precisamente: 3x1, em
média. Se aplicada particularmente a cada
uma das revistas, a relação cairia para 4x3
em Veja e subiria correspondentemente
nas outras duas. Essa tendência poderia
estar indicando que Veja seria mais
incisiva e categórica em seus títulos; suas
reportagens penderiam mais para o caráter
argumentativo. Haveria, entretanto, a
necessidade de maior número de dados para
sustentar a hipótese. Mas a relação
estabelecida não deixa de ser um ponto de
referência para contrapor uma reportagem a
outra, o jornalismo de revista ao do jornal
diário e os próprios gêneros entre si.
Das 150
reportagens, 30 foram consideradas para a
análise dos textos. Referiam-se aos assuntos
mais freqüentes: 18,7% fusão ou venda de
empresas; 18,7% empresas e investimentos;
16,7% política econômica nacional; 11,3%
empresários e executivos; 9,3% questões
sociais; 7,3% corrupção ou denúncias;
7,3 política econômica; 6% Internet
e 4,7% crise Brasil-Argentina. Para
completar o número considerado excelente como
amostragem, incluíram-se mais três reportagens
do bloco empresas e investimentos,
considerado o mais representativo em termos de
conteúdos que se ramificam nos temas. Empresas
e investimentos teve, portanto, seis
reportagens escolhidas, duas de cada revista, e
os demais blocos, três reportagens cada, um de
cada revista.
Os sintagmas
nominais desses textos foram distribuídos, de
acordo com a presença e natureza dos
determinantes, pelas categorias descrições
definidas(DDS), descrições indefinidas
(DIS), descrições com outros determinantes
(DOD) e descrições não determinadas
(DND). Quanto à presença e natureza do
modificador, utilizaram-se as categorias descrições
simples ou não modificadas (DS); descrições
modificadas restritivas (DRS), descrições
modificadas indicativas (DInd.), descrições
modificadas relativas (DRel) e descrições
modificadas qualificativas (DQS).
A configuração
numérica resultante da pesquisa é a seguinte:
TAB II
Distribuição das descrições em relação aos
determinantes:
REVISTA
|
DDS
|
% |
DIS
|
% |
DOD
|
% |
DND
|
% |
TOTAL |
| VEJA |
0987 |
64% |
178 |
11% |
098 |
06% |
283 |
19% |
1546
|
| ÉPOCA |
1137 |
65% |
158 |
09% |
070 |
04% |
379 |
22% |
1744
|
| ISTO É |
0826 |
66% |
145 |
11% |
068 |
05% |
225 |
18% |
1264
|
| TOTAL |
2950 |
%65 |
481 |
10% |
236 |
05% |
886 |
20% |
4554
|
TAB
III Distribuição das descrições
simples e descrições modificadas:
TEXTO
|
Dsimples
|
% |
Dmodificadas
|
% |
TOTAL
|
| TOTAL |
1077
|
24% |
3476
|
76% |
4554
|
TAB
IV Distribuição das descrições
modificadas:
DESCRIÇÕES
|
DRS |
% |
DInd |
% |
DRel |
% |
DQS |
|
TOTAL |
| TOTAIS |
3100 |
89% |
65 |
2% |
168 |
5% |
143 |
4% |
3476
|
TAB
V Distribuição dos modificadores
relativos:
TRAÇO
|
QUANTIDADE
|
NOVIDADE
|
ATUALIDADE
|
EXCLUSIVIDADE
|
total |
Modificadores
|
Maior
|
Grande
|
Novo
|
Atual
|
Último
|
Próximo |
Único
|
Principal
|
|
| Nos
30 textos |
30
|
36
|
38
|
02
|
27
|
10
|
09
|
16
|
|
| TOTAIS |
66
|
40
|
37
|
25
|
168
|
| Percentual |
39%
|
24%
|
22%
|
15%
|
100%
|
Na
TAB II, não há grande variação entre as
revistas: o predomínio das descrições
definidas deve indicar que elas se equiparam, ao
supor que o leitor já domina muitos dos
conteúdos abordados. Se aproximarmos
semanticamente as descrições não determinadas
(isto é, sem indicação de definitude ou
indefinitude) das indefinidas que é
possível e até estilisticamente recomendável
em português , teremos dois grandes
blocos, um com 65%, outro com 30%. Aos 65% talvez
se possam acrescer as descrições com marcadores
como o demonstrativo esse.
Na TAB III,
constata-se que, em média, as descrições
modificadas prevalecem na proporção aproximada
de 3x1, o que ocorre homogeneamente em todos os
textos: a proporção de descrições simples
somente em quatro matérias das 30 analisadas
supera os 29% ou é inferior a 21%. As
descrições simples são, em 70% dos casos,
constituídas do nome de pessoas, lugares ou
instituições, restando 30%, ou perto de 7% do
total, para descrições do tipo D+N, tais como o
negócio, a empresa ou o problema.
Na TAB IV, o
predomínio das descrições modificadas é
explicado: a maioria delas é constituída de
construções restritivas (89%), o que demonstra
o quanto a língua depende de combinações de
palavras para cumprir o papel de referência. Nos
períodos seguintes não seria possível, por
exemplo, suprimir as expressões adjetivas que
acompanham os nomes nos segmentos grifados sem
inevitável alteração ou perda de sentido:
(a) A
indústria automobilística, que por anos
assistiu ao desinteresse do consumidor pelo
carro a álcool, começa a sentir o
reaquecimento desse mercado. (Isto É,
"O mico que virou curinga").
(b) Não está
entre as atribuições do departamento convalidar
análises de pedras preciosas. (Época,
"O golpe das pedras")
(c)
Considerando-se que a metade tem o hábito de
comprar em sites do exterior , restam a
cada mês apenas 9 dólares per capita
para as 450 lojas em operação no país. (Veja,
"Acabou a mamata na Internet").
As descrições
indicativas informam, em regra, nas editorias de
economia, quem foi o responsável por determinada
declaração um recurso, pois, ao
argumento de autoridade. Despertam maior
interesse, no entanto, porque,: não sendo
indispensáveis à designação do referente,
podem oscilar entre a agregação de informação
e a construção de argumentos:
- O
engenheiro agrônomo gaúcho Gilberto
Gollner vive batendo recordes de
produtividade em seus 13000 hectares
plantados com soja e algodão. (Veja,
"O ex-patinho feio")
- O caixa da
companhia, que havia sido aberto no
início do ano para a aquisição por US$
6 bilhões da divisão de carros da
sueca Volvo, soma mais US$ 25
bilhões. (Isto É, "Em
dois mundos")
- A primeira
denúncia de golpe contra o governo
federal foi formalizada em agosto pelo
advogado Fernando Nizo Bainha, em
Florianópolis. (Época, "O
golpe das pedras").
Para fim de
classificação, na TAB IV, e de especificação,
na TAB V, decidiu-se chamar de descrições
relativas as que delimitam o referente em
relação a quatro características da
informação jornalística: quantidade (maior,
grande), novidade (novo, atual), atualidade
(último, próximo) e exclusividade
(único, principal). Eventos grandes, novos,
atuais e, de preferência, exclusivos compõem
boa parte dos relatos jornalísticos; no entanto,
o fato de algo ser grande (no sentido de
importante, poderoso), novo ou atual não é em
geral mencionado; são características dadas por
favas contadas em jornais, rádio e televisão,
que, em regra, as substituem, se for o caso, por
indicadores mensuráveis de tamanho, espaço ou
tempo. Ninguém espera o pequeno e muito menos o
velho, o antigo ou o que já se sabe nos
noticiários. As revistas semanais de
informação geral, pelo contrário, precisam
expressar esses valores, em média, 5,5 vezes por
matéria.
Um haitiano rico
será, talvez, um homem pobre pelos padrões dos
Estados Unidos e a maior transação no mercado
de pimenta em pó ridiculamente pequena para o
mercado de petróleo ou de diamantes. As
descrições relativas, tal como a busca de
recordes, parecem, assim, ocupar também a
fronteira entre informação e argumento:
(a) Na África
do Sul, o maior produtor mundial, os
trabalhadores saíram em marcha pelas ruas contra
a venda de ouro feita pelo BC da Inglaterra. (Veja,
"O Ouro perde o brilho")
(b) A grande
revolução virá da telefonia móvel, com o
acesso à rede pelo celular. (Época, "Monopólio
condenado")
(c) Pois bem,
dezenas desses negócios faliram nos últimos
meses. (Veja, "Acabou a mamata na
Internet")
(d) A
principal vantagem é que agora eles contam
com injeção eletrônica no lugar do jurássico
afogador. (Isto É, "O mico que virou
curinga").
As descrições
qualificativas perfazem 143 ocorrências em 30
textos quatro a cinco por texto. Aparecem,
por vezes, intensificadas por mais, ainda
aí buscando o recorde ou a primazia. A forma
mais comum, no entanto, é explícita em sua
intenção argumental, com o modificador
precedendo (à maneira dos adjetivos em inglês e
com o ônus, em português, de alterar ou
sublimar o seu sentido explicito) ou sucedendo o
nome e, neste caso, disfarçando-se em
restritivos verdadeiros, como acontece no exemplo
(d). Nos demais, observe-se o quanto é vago ou
exagerado, em (a), interminável quando se
considera a possibilidade, digamos de se escrever
de dez (ou vinte, ou cem) quilômetros; em
(b), habitual, que se poderia avalizar
pela indicação de feitos do secretário; em
(c), inexorável, em lugar dos dados que
autorizam a suposição de inevitabilidade de se
popularizar a rede (aumento das ligações,
redução do preço dos computadores etc.). De
qualquer forma, a informação aportada pelos
modificadores não seria necessária para a
indicação do referente:
(a) A marginal
Pinheiros (...) está sendo apelidada de marginal.om
em virtude da interminável fila de outdoors
de empresas de Internet que ladeiam as pistas de
rodagem. (Veja, "Acabou a mamata na
Internet").
(b) O
Secretário do Tesouro dos EUA, Larry Summers,
dissimulou a habitual inflexibilidade.
(Época, "A pressão das ruas").
(c) O que já
não se discute é a inexorável
popularização da rede mundial de
computadores entre os brasileiros. (Epoca, "Concorrência
digital")
(d) Nas
cidadezinhas sonolentas, surgiu a imagem
incomum de loiros tomando chimarrão nos
bancos das praças. (Veja, "O
Ex-patinho feio")
Outra
característica interessante desse jornalismo,
bem diferente daquele descrito para a produção
de notícias ou mesmo de reportagens de jornal,
é a presença de palavras que selecionam o
público. É o caso de jurássico (que
remete, talvez, ao filme Jurassic Park), inexorável
e, principalmente, de darwiniana, em
"O futuro vem acompanhado de competição
darwiniana" (Veja, "Na guerra
global"). Ou da acumulação de
informações necessárias para decifrar uma
seqüência como "Zico e seu filho
embarcaram no mesmo aeroporto. A decolagem não
apresentou maiores problemas. O agora
empresário já decolara na base da chuteira
e o cantor, só no sapatinho". O
leitor que os editores querem é aquele capaz de
entender o que tais palavras e sentenças
significam em distintos universos de conhecimento
e que se distingue socialmente por isso. Ler
essas revistas é fator de diferenciação
o que representa sólido argumento de venda.
4.
Ausência/presença dos modificadores
A situação
mais característica do uso referencial de uma
descrição definida ocorre (a) na ausência de
modificador e (b) quando o nome nuclear do
sintagma é uma designação de pessoa,
instituição ou lugar: Ambev, Santander,
Pedro Malan. Descrições indicativas, com
inserção de modificador, acrescentam
informação e permitem entendimentos (isto é, o
acionamento de áreas de memória para a
construção de modelos) diferenciados: o
ministro Malan/o economista Malan; o Santander /
o ex-banco de Simonsen.
A designação
de um referente já mencionado pelo cargo,
profissão ou alguma característica, além da
função de coesão (HALLYDAY, 1970) na
gramática do texto, reporta-se à distinção de
Frege entre sentido e referência: o
presidente, o estadista, o ditador, o governante
podem referir-se à mesma pessoa (digamos,
Getúlio Vargas), mas cada qual produz efeitos
contextuais (SPERBER & WILSON. 1955)
divergentes. Da mesma forma, a referência a
relações explicitadas antes: a união, a
fusão, a aliança, o casamento ativam
diferentes entradas enciclopédicas (op.
cit.). Os sentidos variam: negócios em conjunto
com ou sem perda de identidade de um ou dos dois
que se aliam; associação a amor, intimidade,
afeto, família. O mesmo ocorre quando se grupam
em dois conjuntos de três elementos as seguintes
nomeações sinônimas do ponto de vista da
referência: (a) concorrência, competição,
disputa; (b) luta, conflito, briga.
Obviamente, a balança
informação/argumentação pende para a esquerda
em (a) e para a direita em (b).
Termos como negócio,
fato, declaração, problema, manobra,
questão, por sua vagueza, funcionam
semanticamente como pronomes, substituindo algo
que é, efetivamente, um negócio, um fato,
uma declaração; ou que possa ser
considerado problema, manobra ou questão.
Nomes de doutrinas filosóficas, econômicas ou
posições partidárias agregam valores
informativos e de argumentação: o conservadorismo,
em regra, é bom para os banqueiros e ruim para
os produtores.
Nas descrições
simples, prevalece a função referencial:
revolução dos computadores, tecnológica; guerra
de preços, judicial, fiscal; briga entre
revendedores e distribuidores de combustíveis,
na Internet. As metáforas que nucleiam esses
sintagmas, remetendo-os ao impulso agressivo
primário, como que se enfraquece com a adição
dos restritivos: a revolução não ameaça, de
imediato, a ordem constituída; não se espera
que haja mortes na guerra nem feridos na briga.
Nas descrições
relativas, o recurso à indeterminação ou
vagueza é característico dessas revistas, que,
por esse aspecto, se aproximam da retórica
epidítica. Próximos são dias, meses ou
anos; novos são companhias, investimentos ou a
economia; grandes, diferentes negócios,
fundos de pensão, esperanças, maiores (da
semana, do dia, do mês, do ano; do bairro, da
cidade, do país, do mundo) são vendas,
empresas, exportadores; ocasionalmente, duas
transações diferentes são apresentadas como o
maior negócio de todos os tempos (Veja,
"O maior negócio do mundo") e, algumas
semanas depois, como o maior negócio da
história do capitalismo (Veja,
"O mouse que ruge"). Principais
são os fundamentos dos negócios, as vantagens
da injeção eletrônica, os trunfos do governo; únicos
(anteposto, no sentido de "só um";
posposto, tem geralmente o sentido de
"peculiar") o objetivo da Microsoft e a
saída para os supermercados Pão de Açúcar.
Nada concreto, palpável, constatável.
As descrições
modificadas qualitativas destacam-se nos textos
como se fossem deslizes ou desabafos do redator.
Predomina, ora a arbitrariedade da escolha, ora a
desnecessidade do modificador. Geralmente não
há explicações que sustentem a atribuição
contida em banco podre (o Bamerindus), o
caminho natural (para companhias em crise,
vender patrimônio), o relacionamento estreito
(entre Jorge Mansur e o Bradesco), ou um dos
negócios mais bem sucedidos do Brasil (os
supermercados Pão de Açúcar).
O traço
+arbitrariedade é bem mais intenso quando o
modificador fica à esquerda do nome e que
predomina no caso das descrições definidas. A
construção é a que mais lembra o Timestyle,
em que o adjetivo mais incomum ou de valor
testemunhal precede os demais, logo após o
artigo: o respeitado economista americano Paul
Krugman (Veja, "A semana em que
Bill Gates perdeu"), o habitualmente
discreto Bozano (Época, "Júlio
comprou, viu e vendeu"), o arredio Carlos
Alberto Sicupira (Isto é, "GP
mergulha na rede"), o combalido astro de
futebol Diego Maradona (Época,
"Aliança em risco"), o bravateiro
Menem (Veja, "O fanfarrão
arrependido"), a vetusta alemã
Mannesmann (Veja, "O mouse que
ruge"), o fatídico mês de janeiro (Veja,
"A nossa crise em Miami"), as já
minguadas margens de lucro (Veja,
"Na asas da fusão"), o efervescente
dialeto da Internet (Isto é,
"Chocadeira virtual")... Há ainda
enunciados predicativos, em que se diz que algo
ou alguém é admirável, feroz, pragmático,
agressivo, insignificante, gritante etc.
Conclusões
As
possibilidades analíticas da pesquisa de
DITTRICH (op. cit.) são demasiadamente amplas
para a extensão desse artigo, sobretudo se
comparadas com a distinção aqui proposta, por
sutil que seja, entre interpretação e opinião.
Opinar é
certamente um direito do indivíduo; opinar
abalizadamente privilégio de alguns dentre os
estudiosos de um tema. Opiniões abalizadas
constroem-se ao longo dos anos às vezes
décadas ou séculos , do que resulta que
mais opiniões têm os tolos do que os sábios.
O que se
evidencia é que essas revistas e, numa
análise de consistência ideológica, certamente
Veja mais do que as outras vendem
opinião, tanto quanto ou mais do que
interpretação ou informação sobre a
realidade. Como não poderia deixar de ser em
empreendimentos comerciais de tal grandeza, o
viés reflete o conjunto de interesses dominantes
na sociedade em dado momento, além de traços do
hic et nunc dos redatores.
Como faltam
dados, o exagero é permitido, o impressionismo e
a subjetividade aliam o convencional e o pedante,
não há como contestar ou sequer discutir o
juízo completo, que é dado como constatação.
Trata-se de produzir, não argumentos, no sentido
corrente, mas teoremas que decorrem de axiomas
convenientes sobre as coisas do mundo. Nada que
se pareça com a notícia e a reportagem
canônica, seja ela investigativa ou
interpretativa; a apuração existe, mas serve
principalmente para fornecer fatos objetivos que
possam ser vistos "através das emoções
multifacetadas", para citar de novo Karl
Kraus.
Os leitores
socializam-se, assim, pelo mecanismo de adesão
conveniente, ao fluxo ideológico que deriva de
centros de poder. Terão o que dizer, sem correr
riscos. Ainda que a realidade seja apocalíptica,
estarão integrados, seguros e serão, portanto,
confiáveis.
___________
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_____
Notas:
1 Observe-se que, dois anos
antes, havia sido fundado, nos EUA, o Conselho de
Relações Exteriores, entidade de homens de
negócios incumbida de opinar e orientar a
política do país, objetivando sua inserção no
eixo hegemônico do capitalismo. A primeira
tarefa que se propôs foi a de preparar para esse
fim o público interno. (LAGE, 1998:354)
2 O livro de Emery foi traduzido no
Brasil, em 1965, sob os auspícios do governo
americano.
3 Não é próprio das sociedades
complexas agir direta e executivamente diante do
universo mutável dos fatos; alguém (ou grupo,
ou grupos) o fará em nome dela, e esse alguém
(ou grupo, ou grupos) terá poder censor.
4 O conceito é o da semântica lógica,
fundada em Frege: nome próprio é aquele que
designa de maneira única o objeto no universo do
discurso.
5 Descrições definidas: nomes ou
sintagmas nominais precedidos de artigo definido
(o, a, os, as). Podem referir-se a indivíduos
nomes contáveis; grupos
nomes coletivos; substâncias nomes
de massa; agregados nomes no plural
(Saeed, 1997:255)
6 Há aí o pressuposto de um contexto de
memória no receptor: a partir da informação
"(são) transgênicas", ele acessará
dados de memória que se reportam à discussão
sobre as qualidades e (des)vantagens do produto.
7 Tais qualificações opinativas são
admissíveis, com moderação, em textos
assinados, de autor conhecido ou apresentado como
especialista; como constatação de testemunha
enviada a regiões estranhas ou situações
incomuns. Da mesma forma, seriam aceitáveis no
caso de aferições difíceis de mensurar
(espanto, horror, paladar), em grandes
reportagens, que são, como diz o nome,
geralmente longas, envolvem investigação e/ou
análise cuidadosa dos dados. Não é o caso das
matérias rotineiras de que trata o presente
artigo.
8 "A livre iniciativa matou a si
própria; à liberdade de mercado sucedeu a
ditadura econômica; à avidez do lucro seguiu-se
a desenfreada ambição do predomínio; toda
economia se tornou horrendamente dura, cruel,
atroz."
9 Dar, receber, vender, pagar etc.
* Prof.
Dr. Ivo José Dittrich, Unioeste, Foz do Iguaçu, Paraná. * Prof. Dr.
Nilson Lemos Lage,
UFSC, Florianópolis, Santa Catarina. Artigo
apresentado ao XXV Congresso da Intercom,
setembro de 2002, Salvador, Bahia e publicado em Revista Brasileira
de Estudos de Jornalismo, setembro de 2002, ano 1, no.
1. (Este texto fue remitido a Sala de Prensa por sus autores.)
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