Produção
e fluxo da informação:
a qualidade da formação jornalística
Gerson
Martins *
No
momento em que discutimos o reconhecimento
social, mais do que isso, a responsabilidade
social das práticas profissionais orientadas, ou
seja, dos profissionais liberais, compete-nos
também refletir sobre a responsabilidade social
do jornalista e antes disso como causa dessa
questão a formação do jornalista. Essa
reflexão acontece até mesmo porque agora não
há apenas uma escola de jornalismo no estado.
São quatro instituições que oferecem o curso
que forma e habilita profissionais do jornalismo.
Uma profissão considerada de grande relevância
social pelas implicações que seu exercício
coloca a sociedade em geral.
A importância
do diploma para o exercício do jornalismo, mais
do que nunca, é um imperativo. Não se concebe
mais profissionais que não tenham essa
condição. As empresas de um modo geral exigem
de seus profissionais a formação
universitária, em todas as áreas. Por que não
exigir do profissional que trabalha com a
informação e, portanto deve estar muito bem
preparado. Exemplos existem em que esse tipo de
profissional conseguiu, pelo seu trabalho,
destruir empresas e, conseqüentemente, pessoas
por informações infundadas, mal produzidas, mal
distribuídas. É uma profissão de extrema
importância na sociedade da informação, a
sociedade do século 21. Costuma-se dizer que um
jornalista é jornalista 24 horas por dia,
equiparando-se à profissão médica, tal a
importância e responsabilidade do profissional.
Assim discutir a
validade da exigência do diploma para o
exercício profissional é balela, da mesma forma
que não se discute a exigência de diploma
(leia-se formação superior, universitária)
para a classe médica. Essa questão está
resolvida. Ponto final. O que cabe sim discutir e
buscar o aprimoramento, a qualidade é a
formação em si. Como as escolas estão formando
os futuros jornalistas. Nesse aspecto já
aconteceram diversos encontros que reuniram
jornalistas profissionais, professores de
jornalismo, pesquisadores, cientistas e tantos
outros. Um desses encontros ficou marcado na
história da formação em jornalismo. Um
seminário realizado em Campinas (PUCCAMP) em
abril de 1999 onde estiveram presentes os mais
respeitáveis profissionais, estudiosos e
professores de jornalismo estabeleceu os
parâmetros básicos para a estruturação dos
cursos de jornalismo. Esse encontro foi de uma
importância tal que o seu documento de
conclusão foi tomado como base para a
confecção do documento Diretrizes Curriculares
para o Ensino na área de Comunicação,
recentemente aprovado, na íntegra, pelo Conselho
Nacional de Educação. Esse documento norteia e
contribui com as instituições para a criação
e mesmo as reformulações dos cursos de
jornalismo.
Em Campo Grande
essa perspectiva é muito presente. Desde o
inicio da formação universitária do jornalista
pioneiramente realizada pela UFMS a partir de
1989, todos os seus professores, coordenadores,
dirigentes, pesquisadores tiveram sempre presente
o aspecto da qualidade do profissional que está
sendo formado. Prova disso é que temos colegas
atuando nos maiores centros urbanos do país, com
a mesma competência de quem cursou nas melhores
instituições de ensino superior deste país.
Essa perspectiva não mudou, melhor ganhou força
e tomou novos rumos. A base dessa formação
situada na estruturação da grade curricular e
na disponibilidade de bons laboratórios teve um
avanço significativo. A oferta de disciplinas
específicas de jornalismo no primeiro semestre
do curso, a inserção de disciplinas que
proporcionam instrumentais técnicos de forma
mais equilibrada no decorrer dos cursos e de
maneira mais significativa, demonstra e vai ainda
demonstrar que excelentes profissionais estarão
no mercado nos próximos anos. Nesse aspecto
destaco a grade curricular estrutura para o Curso
de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, fruto
de uma orientação séria, profissional e de
qualidade dos consultores da Secretaria de Ensino
Superior - SESu, do Ministério da Educação que
autorizaram o funcionamento do curso em
verificação realizada em 1999 pelos jornalistas
e professores Marcelo Lopes, na época da USP e
José Ananias de Freitas da PUC Minas. No curso
os alunos, desde o primeiro período, tomam não
somente contato, mas estudam efetivamente
disciplinas específicas da formação que
escolheu, sem correr o risco, como é comum,
infelizmente, atualmente da dúvida em saber qual
o curso fazer e ter - na época dos cursos com o
chamado tronco comum - que esperar ainda 1,5 a
dois anos para enfim conhecer as
"coisas" do jornalismo.
Outro aspecto
interessante desse curso está em seu corpo
docente. Estando ainda no início do segundo
período, o curso já tem cinco professores
jornalistas em seu quadro, enquanto muitos até
mesmo com turmas já formadas não têm mais do
que três professores jornalistas. Nesse aspecto
costumo sempre dizer em aula: alguém já viu nos
classificados, principalmente nos jornais, algum
anúncio procurando comunicador? Posso estar
errado, mas em toda minha vida profissional só
me deparei com anúncios procurando jornalistas,
publicitários, etc.
Contudo a
preocupação com a qualidade da formação do
jornalista não se esgota nesses aspectos.
Tratando-se de uma profissão de caráter social
a reflexão dos procedimentos, a pesquisa - que
no Brasil é ainda incipiente - deve ocupar um
lugar de destaque. Devemos qualificar os futuros
profissionais de jornalismo sempre buscando novos
horizontes, novas perspectivas que melhorem a
atuação, o conhecimento, as relações dos
profissionais para, em conseqüência, dar uma
contribuição efetiva, real para o
desenvolvimento social em todos os níveis.
Essas
preocupações, essas reflexões e, mais do que
isso, mesmo as ações que visem a qualidade, vai
minimizar os procedimentos de um
pseudojornalismo, aquele praticado na troca de
vantagens e pior, aquele que constantemente
obtém ganhos financeiros que a prática da venda
de espaço jornalístico. Ou ainda
pseudoprofissionais que se mantém em estruturas
arcaicas por força de coação ou como se fala
nas "roda de conversa", aqueles que tem
"cartas na manga". Esses procedimentos
podem ser qualquer coisa, nunca será jornalismo.
Práticas como as descritas anteriormente têm os
dias contados, felizmente. A consolidação do
jornalismo local vai, de uma forma crescente,
fazendo desaparecer o pseudojornalismo, o
pseudoprofissional ou o jornalismo travestido.
*
Gerson Martins
(Jornalista - MTb 193/MS). Coordenador do Curso
de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá em
Campo Grande e doutor em jornalismo pela Universidade de São
Paulo, autor de "O
poder na indústria midiática de Mato Grosso do
Sul". Esta es su primera colaboración para Sala de Prensa.
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