Sala de Prensa

42
Abril 2002
Año IV, Vol. 2

WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   
   


Produção científica cresce no Brasil;
resultado econômico não aparece

Flamínio Araripe *

O Brasil ocupa a 15a posição no ranking das publicações científicas indexadas pelo Institute for Scientific Information em 2000, com 714.171 pesquisas, 1,33% da produção mundial. Nos últimos três anos, o País foi o que mais cresceu em volume de pesquisas ali registradas, depois da Coréia. Todavia, o número de pedidos de patentes no Brasil, que não reflete esta produção científica, está estagnado desde o início da década de 90, 12 mil por ano, e ficou em 16 mil, em 1999.

O diagnóstico é feito pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNpQ), Evandro Mirra. "A informação que trafega dentro da sociedade está encalhada", afirma. A produção científica se concentra 80% nas Universidades, 10% em institutos do governo e 10% nas empresas. A produção da Universidade ainda é insuficiente, avalia.

O Brasil investe 0,2% do PIB na área de ciência e tecnologia - 90% pelo governo e 10% pelas empresas. A lacuna da participação das empresas na pesquisa constitui a raiz da dependência da transferência de tecnologia. Enquanto o País importou US$ 80 milhões de tecnologia em 1999, passou a importar US$ 500 milhões em 1995 e US$ 2 bilhões em 2000. "Numa relação assimétrica, a exportação de tecnologia é muito baixa", aponta Mirra.

O parco resultado econômico da produção científica nacional, desproporcional ao investimento público no setor, é uma das principais questões do sistema de ciência e tecnologia do Brasil, conclui a secretária nacional de Política de Informática, Vanda Scartezini. Esta preocupação ocupará o foco central nas discussões da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a ser realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em Brasília, dias 18 a 21 de setembro, para discutir os rumos do setor.

Um dos mecanismos a serem buscados para melhorar os resultados é a facilitação para o registro de patentes, com interação maior entre universidades e empresas, antecipa a secretária. Em paralelo à preocupação com os resultados econômicos da pesquisa nacional, há também um despertar para ampliar os pequenos oásis de divulgação científica.

O deserto de incomunicabilidade isola da sociedade parte da produção acadêmica e as políticas públicas do setor. Ciência e tecnologia não ocupam lugar de destaque na pauta nacional. A pesquisa, que não chega a tornar-se produto, tem ainda menor probabilidade de virar notícia.

Na sua gênese, a ciência veio ao Brasil antes da divulgação científica. Com o tempo, as duas áreas distanciaram-se ainda mais. Como primeiro registro do fazer ciência no Brasil, Mirra menciona a vinda da Família Real de Portugal em 1808. Foram criados o Real Horto (hoje Horto Florestal) e a Academia Militar, no Rio de Janeiro, e a Academia de Medicina da Bahia. Em Salvador, a "Gazeta Médica" publica o primeiro número, em 1867.

Hoje, diversas iniciativas buscam aproximar a ciência da divulgação, esforços na conquista de espaço e visibilidade para o setor. O objetivo deste artigo é informar sobre experiências em andamento, algumas delas discutidas na 53a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Salvador (BA), de 13 a 18 de julho. No evento, três painéis reuniram jornalistas, pesquisadores e agências oficiais de fomento para debater a divulgação científica.

Este relato enfoca as realizações discutidas no evento. Não tratamos das revistas de divulgação científica ou publicações especializadas do mercado editorial, nem das editorias de Ciência em alguns jornais e revistas.

Visões de jornalismo científico: oásis no deserto da incomunicação

1. O Labjor

O coordenador do Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo (Labjor) da Universidade de Campinas (Unicamp), Carlos Vogt, no painel sobre "Os Desafios da Divulgação Científica", anunciou as 10 propostas que encaminhou à Conferencia Nacional de Ciência e Tecnologia. A primeira visa a criação de um Programa Nacional de Divulgação da Ciência e Tecnologia, com apoio das agências de fomento e dos fundos setoriais, como a Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). [Leia a seguir sobre a experiência da Fapesp]

Voght propõe ainda a inclusão de pelo menos uma disciplina de jornalismo científico nas graduações em jornalismo e de uma disciplina optativa sobre jornalismo, aplicada a cada uma das diferentes graduações. Propõe o estimulo à criação de cursos de pós-graduação em jornalismo científico, de caráter multidisciplinar e multi-institucional, para jornalistas e cientistas, como vem sendo feito pelo Labjor. Pleiteia ainda a multiplicação da experiência da revista ComCiência, publicada na Internet em parceria com a SBPC (com apoio do CNPq e Fapesp), como laboratório para os alunos. < http://www.comciencia.br/>

"Dar à atividade de divulgação o mesmo status da produção científica e tecnológica para cômputo do desempenho acadêmico do pesquisador" é proposta de Vogt, entre outras, como a de incentivar a implantação de editorias de Ciência e Tecnologia nos grandes jornais, revistas e na imprensa regional. Leia a íntegra das indicações, no artigo de Carlos Vogt, "Os Desafios da Divulgação Científica", publicado em julho na Newletter do Labjor: <http://www.uniemp.br/labjor/news5.htm>

O Labjor realiza um curso de Especialização em Jornalismo Científico, de um ano e meio de aula, que pretende ampliar para Mestrado em 2002, informou Vogt. A primeira turma (1999-2000), de 40 alunos - 50% jornalistas e 50% cientistas de diversas áreas, teve demanda de 145 candidatos. A segunda turma, iniciada em março deste ano, teve demanda de 240 pretendentes para selecionar 46 alunos. <http://www.uniemp.br/labjor/> ou <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ofjor/ofc210320011.htm>

A revista mensal ComCiência, lançada em agosto de 1999, cobre ciência e tecnologia pelos alunos do Labjor e em agosto de 2000 firmou parceria com a SBPC. Divulga o resultado de pesquisas, história da ciência, política científica e crítica da mídia. Conta com seções, uma delas, o OfJor Ciência, de crítica à cobertura científica da mídia, em consonância com o projeto do Observatório da Imprensa, de media watching. <http://www.observatoriodaimprensa.com.br>

Pesquisa do Labjor aponta crescimento do espaço editorial dedicado à pesquisa, nos nove jornais de maior circulação no Brasil, numa comparação entre os anos 80 e os anos 2000 e 2001.

2. ABJC x analfabetismo científico

Para o jornalista Ulisses Capozoli, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) e assessor da SBPC, em vez de desencontro entre jornalistas e cientistas, existe um "analfabetismo científico" das duas partes. O diálogo de ambos é dificultado pela formação precária em história e em filosofia da ciência, o que chamou de analfabetismo científico, uma incapacidade de generalizar princípios.

" O jornalista precisa urgentemente investir na sua formação", recomendou, como requisito para a prática do jornalismo interpretativo, que faz a contextualização histórica dos fatos. Diante da enxurrada de informações da Internet, Ulisses disse que o jornalismo impresso tem espaço para dar sentido aos fatos.

Ulisses apontou como desafios dos jornalistas a necessidade de uma base razoável de física, química, biologia e matemática, e a transformação na relação de poder nas redações. Como exemplo, citou que um bom repórter, capaz de escrever matérias que se expliquem por si próprias, pode ser a base para outra relação de poder nas redações, em que o pauteiro – que indica o que deve ser coberto - torna-se uma coisa do passado.

Em países como o Brasil, Ulisses defendeu que o jornalista da área de ciência e tecnologia tem a obrigação de fazer a aproximação entre o saber científico para trazer ao público um entendimento, uma inteligibilidade do mundo. Veja artigo de Ulisses Capozoli, "ABJC ampliará discussões entre jornalistas e cientistas". <http://www.radiobras.gov.br/abrn/ciência e tecnologia/artigos/2001/artigo_290101.htm>

A ABJC encaminhou à Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, o anteprojeto do Programa Nacional de Formação em Jornalismo Científico. A idéia, conforme o Boletim da ABJC, é fazer um diagnóstico nacional sobre os cursos de graduação e pós-graduação que estão formando jornalistas científicos. "Não ficaremos apenas no mapeamento. Queremos estabelecer parâmetros mínimos de metodologia para a oferta de cursos com conteúdo programático, bibliografia e perfil de professores adequados. Pensamos, também, em montar palestras, workshops e cursos nas diferentes regiões do país, com a colaboração dos colegas jornalistas e professores que já atuam na área". Para receber o Boletim da ABJC, escrever para Fabíola de Oliveira. <fabi@univap.br>

3. Núcleo José Reis e Agência Brasil

O Núcleo José Reis de Divulgação Científica da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) promove o curso de Especialização "Divulgação Científica: Conceitos e Praxis", em conjunto com a Associação Brasileira de Divulgação Científica. Consta de seis módulos bimestrais, um curso de um ano e meio, destinado a jornalistas, cientistas, pesquisadores, educadores e comunicadores envolvidos ou interessados em comunicação científica. <http://www.eca.usp.br/nucleos/jnr/cursos.htm>

A Agência Brasil da Radiobras, do governo brasileiro, mantém um serviço de notícias semanais sobre Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente, criado em 1989, que tem por objetivo divulgar pesquisas com linguagem de fácil entendimento. "Na época, o espaço para divulgar as pesquisas científicas-tecnológicas eram praticamente nenhum, e ainda é exíguo, diz o editor Ubirajara Júnior. O noticiário já teve uma rede de correspondentes e foi distribuído por uma lista de 1.500 assinantes, mas agora é mantido na Internet: <http://www.radiobras.gov.br>

4. "Pesquisa Fapesp"

A editora-chefe da revista "Pesquisa Fapesp", Mariluce Moura, anuncia que já está no ar a versão eletrônica da publicação, impressa desde 1996, com as 62 edições, em <http://www.pesquisafapesp.fapesp.br>. Com tiragem de 44 páginas em cores, a revista mensal nasceu de uma estratégia para dar visibilidade a como eram utilizados os recursos da fundação que aplica 1% do Imposto sobre Consumo de Mercadorias e Serviços de São Paulo. "Em 2000, a Fapesp investiu R$ 550,7 milhões no fomento à atividade científica e tecnológica em São Paulo", diz a edição de junho.

O embrião da revista foi um boletim de quatro páginas, em 1995, dentro de uma gerência de comunicação que inclui relações com a imprensa, área de eventos e a de publicações, o carro-chefe. "Um projeto como este parece mais fácil em um ambiente como São Paulo, que tem massa critica e um sistema de ciência e tecnologia bem desenvolvido, apoiado com recursos humanos e financeiros, com entendimento político do que é um sistema de ciência e tecnologia", afirmou.

"Para outros estados, permanece um desafio criar estes instrumentos", disse a editora, ao ressalvar que a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) também tem a sua revista <http://revista.fapemig.br>. Mariluce observou que "a revista é resultado de um diálogo fecundo - até com certo grau de tensão como é próprio de todos os bons diálogos - entre um claro projeto jornalístico e um discurso institucional. Este diálogo é alimentado pela comunidade científica de São Paulo. O resultado é uma revista elegante, limpa, bonita, que convidasse o leitor a percorrer suas páginas".

A revista conta com editorias fixas de Política Científica, de Ciência, que cobre resultados dos projetos financiados pela Fapesp, de Tecnologia e Humanidade, que engloba cultura e ciências humanas. De acordo com Mariluce, os artigos são redigidos por jornalistas com experiência na grande imprensa e têm a qualidade para ser publicados por qualquer veículo nacional. A publicação faz divulgação científica e cumpre um papel de marketing institucional, pontuou.

5. "Ciência Hoje" e "Jornal da Ciência"

O editor do "Jornal da Ciência", veículo impresso da SBPC, José Monserrat Filho, recorda que no período da abertura política, 1980-82, falava-se no Brasil em analfabetismo, concentração de renda, mudança do modelo político e muito pouco de ciência. Era quando os primeiros exilados políticos começavam a voltar ao País. "Ninguém pensava em divulgação científica".

Foi quando um grupo da Universidade criou há 19 anos uma revista de divulgação científica – a "Ciência Hoje", da SBPC – com objetivo de levar informações de ciência para o grande público, qualificada, avaliada pelos pares. A experiência implicou em fazer um modelo, no qual cientistas precisaram da capacidade de escrever e jornalistas colaboravam para a clareza da linguagem.

A "Ciência Hoje" chegou a ter 90 mil assinantes, numa fase em que a "Ciência Ilustrada", uma publicação comercial, deixou de circular em bancas. "O mercado não foi levado em conta porque não é o problema. Nós temos que fazer o mercado", assegurou. A revista, hoje, está no número 173. A versão na WEB, a cargo do jornalista Bernardo Esteves, tem atualização diária, média de mil visitantes por dia. <http://www.uol.com.br/cienciahoje/>

A experiência foi como uma escola, relata Monserrat. Foi preciso descobrir uma relação do editor com o cientista. Para o cientista, mostrou como escrever para um público que não é a tribo dele. Para o jornalista, ensinou como fazer um texto, que não seja o dele, para tornar palatável. "É uma historia que precisa ser conhecida, trazendo as lições que tem a dar".

Depois, veio a "Ciência Hoje para Crianças", única no Brasil, hoje em 133 edições. O cientista escreve para o público infantil e o texto passa pela avaliação da área com o máximo rigor possível, explicou.

Em seguida, circulou o "Jornal da Ciência", que discute a política científica e tecnológica federal e dos Estados, das Fundações estaduais de Amparo à Pesquisa, do Ministério da Ciência e Tecnologia, as funções políticas da comunidade cientifica. Tem 16 páginas que veiculam as lutas políticas para aprovação de projetos e lobby junto ao Congresso Nacional. A versão distribuída por e-mail, o JC E-Mail, que surgiu em 1993, circula de segunda a sexta-feira. Tem mais de 10 mil assinantes, sobretudo leitores da área de ciência e tecnologia, do governo, imprensa e academia. <http://www.sbpcnet.org.br>

A tiragem média da revista "Ciência Hoje" é de 14 mil exemplares. No período entre julho de 2000 a julho de 2001, a revista "Ciência Hoje das Crianças" publicou mais de 200 mil exemplares. Já editou livros 10 em parceria com empresas e governo para distribuição nas escolas, com previsão de mais 12 este ano, sobre temas em evidência com interesse científico, para o público escolar. É o movimento de uma pequena editora.

O Projeto Ciência Hoje, desde 1999, já recebeu 15 estagiários de escolas de Comunicação, com bolsas de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), que em 2001 patrocina mais 8 bolsas. O acervo acumulado motivou a criação de um Centro de Produção de Conteúdo Científico para atender a outros veículos e até educação a distância.

Ennio Candotti, um dos fundadores da revista, fez um apelo para que os cientistas comuniquem as suas dúvidas, se eduquem para aprender a escrever para o público. Aziz Ab’Saber, conselheiro da SBPC, defendeu a importância de fazer chegar aos políticos, na Câmara e Senado, o conhecimento científico que é útil ao País. "São insensíveis", criticou. Crodovaldo Pavan, ex-presidente da SBPC, disse que o problema do cientista "é o complexo de rigor científico".

Divulgação científica vai formar operadores ou criar pensadores?

A divulgação e o jornalismo científico devem preparar o homem para operar no setor de ciência e tecnologia, ou devem suscitar uma reflexão crítica sobre a natureza da ciência a serviço da concentração da riqueza e destruição do meio ambiente?

As duas alternativas foram colocadas na Reunião da SBPC por Henrique Lins de Barros, do Museu de Astronomia e Ciências Afins, do Rio de Janeiro.

Para ele, se continua a escalada de destruição, a divulgação científica não vai dar conta da crise social que se anuncia nos próximos 20 anos com ocorrência de colapso na água, atmosfera e alimentos em algumas partes habitadas do planeta.

Ao lembrar a foto da Terra feita por satélite à noite, em que se vêem cidades iluminadas dos Estados Unidos e Canadá, o Sudeste e parte do Nordeste do Brasil, em meio à escuridão no resto do País, ele disse que quem vive no hemisfério Sul paga a conta da concentração de riqueza.

"Hoje, o impacto tecnológico do mundo é avassalador. Há maior exclusão social, que este modelo de desenvolvimento vai aumentar", disse Henrique Lins.

O coordenador fez uma comparação da divulgação científica com a execução da música Sonata ao Luar, de Beethoven, cujo primeiro movimento tornou-se muito popularizado e gerou uma versão que excluiu a original dissonância de acordes. O resultado das adaptações, feitas para facilitar a execução no piano, mudou as notas em dó sustenido menor, escritas pelo compositor, para lá menor.

O resultado saiu uma caricatura, um pastiche, disse Henrique Lins. Transposto para o terreno da divulgação científica, em vez de criar um mau executante de música, ele disse que as instituições de divulgação cientifica devem criar o ouvinte de música.

O poder da TV

O presidente da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, Ernst Wolgang Hamburger, coordenador do Espaço de Ciência da Universidade de São Paulo (USP), recomenda que a divulgação científica deve cuidar especialmente da TV na popularização da ciência. A razão é que 88% dos lares brasileiros têm TV, enquanto 90% possuem rádio e apenas 10% lêem jornal.

"Quando se faz popularização da ciência, é necessário pensar em toda a gama de públicos", recomenda. Existem outras mídias além dos veículos de comunicação, como congressos, eventos, artes em geral, do cinema ao teatro e música, zoológico, Universidade e escolas, entre outros, menciona.

Hamburger relatou a evolução histórica do ensino de ciências no Brasil, desde 1950 encarado como decoreba e livresco, aos primeiros investimentos em mudança como no FBEC-Unesco coordenado por Isaias Raw em 1955, os grandes projetos curriculares nos EUA e Europa até a criação dos Centros de Ciências, em 1965, em Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco.

No jornalismo científico, Hamburger disse que depois de José Reis, pioneiro na "Folha de S. Paulo" ter ganho o prêmio Kalinga-Unesco, em 1954, o CNPq criou o prêmio anual com nome do jornalista, em 1978. Em 19 anos, 680 trabalhos concorreram aos prêmios de divulgação científica, jornalismo cientifico e instituição científica, com a distinção destinada a jornais, revistas, TV e instituições de pesquisa.

Há, no Brasil, 113 centros e museus de ciências, dos quais 60 nas Universidades. A maioria está no Sul (37), seguido de São Paulo (32), Rio de Janeiro e Espirito Santo (17), Nordeste (15), Centro-Oeste (9) e Amazônia (3). O público anual estimado é de 2 milhões de pessoas, o que considera pouco, uma vez que no EUA, apenas um museu recebe um milhão de visitantes por ano.

Instituto do Milênio visa implantar estratégia de popularização da ciência

O Ministério da Ciência e Tecnologia pretende induzir a criação de um Instituto do Milênio sobre o tema Popularização da Ciência e Divulgação Científica, com previsão de orçamento de R$ 3 milhões para atividades durante três anos. Estão definidas mais três áreas para criação destes Institutos - para estudos do Semi-Árido, da Oceanografia e da Amazônia, com a mesma previsão de recursos.

O Instituto do Milênio da Amazônia já teve edital lançado que se encerrou no dia 4 de agosto. O Pantanal está sendo comentado para ser o quinto tema, ainda não confirmado.

O secretário de Coordenação das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, João Steiner, disse que a idéia de criação dos Institutos surgiu na secretária há 1,5 ano. Com a divulgação, segundo ele, a Academia de Ciências mostrou-se interessada em concorrer com as propostas dos Centros e Museus de Ciência, por considerar o tema estratégico.

No painel sobre o Plano Nacional de Popularização da Ciência, Steiner propôs uma articulação da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC) com a Academia de Ciência, em torno de uma proposta única para o Instituto do Milênio.

Para o coordenador da Associação, Ernst Wolgang Hamburger, o secretário prometeu agendar uma reunião da diretoria da ABCMC com o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, para discutir a articulação do programa, e com o CNPq.

O CNPq vai lançar um programa nacional de Popularização da Ciência e Divulgação Científica, visando incentivar a criação de Museus de Ciências interativos, como o Estação Ciência, de São Paulo, e Espaço Ciência, de Recife, com uma linha para divulgação científica, informou o secretário.

Steiner enfatizou não ter informações sobre o programa do CNPq. "O programa está em fase avançada de elaboração, mas não me sinto preparado para adiantar as propostas", justificou.

O Instituto do Milênio induzido difere das 20 áreas que estão sendo selecionadas em concorrência. De início, disputaram 206 propostas, das quais 57 foram pré-selecionadas, em diversas áreas de saber, de todas as regiões. Do total, 20 serão selecionadas. O diferencial do modelo induzido é que concentra o foco em tema considerado prioritário pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

Os cinco Institutos do Milênio em áreas definidas têm a função de congregar competências para desenvolver um programa a ser indicado por termo de referência para atingir objetivos determinados. "O edital terá cláusulas para impedir que tenha uma concentração em grupos muito localizados no Rio de Janeiro ou São Paulo", afirmou.

O dinheiro não será usado para a construção de prédio, mas para articular uma rede de pesquisadores de múltiplas origens, com um coordenador e sede numa instituição, responsável pela gestão dos recursos. Os recursos poderão ser usados para compra de equipamentos, informou.

De acordo com Steiner, terá mais chance no edital a proposta que se mostrar mais capaz de articular diversas instituições e atividades de modo a impactar o País inteiro na sua área de abrangência. Numa comparação com uma rede de computadores, ele disse que o Instituto do Milênio será uma organização virtual.

O presidente da ABCMC, Ernst Hamburger, da USP, disse que o público jovem é mais importante para o foco da entidade, embora saiba de trabalhos com a terceira idade, professores, jornalistas e deficientes físicos. Segundo ele, uma boa idéia a tratar com o CNPq é uma linha de bolsas para fomentar o trabalho em centros e museus de ciências.

Steiner disse ainda que o Nordeste, com população de 24,6 milhões de habitantes, tem apenas um Instituto de Pesquisa federal, a Embrapa Semi-Árido, em Petrolina (PE).

O MCT tem duas iniciativas na região, o programa Xingó, na Bahia, financiado com 120 bolsas, que em julho teve lançamento de novo edital de R$ 8 milhões e agora a proposta do Instituto do Milênio do Semi-Árido, diz Steiner. "É um reconhecimento tardio, mas é um esforço que estamos fazendo", afirmou.


* Flamínio Araripe, membro do Conselho Editorial de Sala de Prensa, é jornalista, com predileção em área de ciência, tecnologia e informática. Escreve sobre Tecnologia da Informação na Gazeta Mercantil Ceará, onde assina a coluna Conectividade, e colabora no Jornal da Ciência, da SBPC.


Tus comentarios, sugerencias y aportaciones
nos permitirán seguir construyendo este sitio.
¡Colabora!



| Volver a la página principal de SdP |
|
Acerca de SdP | Periodismo de Investigación | Etica y Deontología |
|
Derecho de la Información | Fuentes de Investigación |
|
Política y gobierno | Comunicación Social | Economía y Finanzas |
|
Academia | Fotoperiodismo | Medios en Línea | Bibliotecas |
|
Espacio del Usuario | Alta en SdP |
|
SdP: Tu página de inicio | Vínculos a SdP | Informes |
|
Indice de Artículos | Indice de Autores |
|
Búsqueda en Sala de Prensa |
|
Fotoblog |

© Sala de Prensa 1997 - 2008


IMPORTANTE: Todos los materiales que aparecen en Sala de Prensa están protegidos por las leyes del Copyright.

SdP no sería posible sin la colaboración de una serie de profesionales y académicos que generosamente nos han enviado artículos, ponencias y ensayos, o bien han autorizado la reproducción de sus textos; algunos de los cuales son traducciones libres. Por supuesto, SdP respeta en todo momento las leyes de propiedad intelectual, y en estas páginas aparecen detallados los datos relativos al copyright -si lo hubiera-, independientemente del copyright propio de todo el material de Sala de Prensa. Prohibida la reproducción total o parcial de los contenidos de Sala de Prensa sin la autorización expresa del Consejo Editorial. Los textos firmados son responsabilidad de su autor y no reflejan necesariamente el criterio institucional de SdP. Para la reproducción de material con copyright propio es necesaria, además, la autorización del autor y/o editor original.