Alguns resultados
- Frequência de leitura
e grau de concordância
A primeira
constatação é que a esmagadora maioria dos
inquiridos (98%) concorda com a existência de um
Provedor do Leitor no SEU jornal, e um número
próximo (94%) defende a existência de
provedores na generalidade da imprensa
portuguesa. A percentagem baixa para 90% quando
se trata de defender a existência de provedores
também na televisão: dos comentários feitos,
alguns dos inquiridos que se manifestam "a
favor" dizem que provedores na TV seriam
ainda mais necessários do que na imprensa,
enquanto outros, que se mostram contra, entendem
que "não faz sentido" uma tal figura
em órgãos de comunicação com uma lógica
"tão comercial" como a que dizem
observar nas TVs portuguesas.
O facto de
tantas vozes serem favoráveis à existência do
Provedor do Leitor não significa,
necessariamente, que concordem sempre com a sua
actuação ou as suas opiniões. De entre os
inquiridos, 76 % dizem ler regularmente a coluna
publicada pelo Provedor no seu jornal (39%
fazem-no "sempre" e 37% "quase
sempre", enquanto 18% lêem "de vez em
quando" e 4% "raramente"), mas o
grau de concordância varia: 22% do total dizem
que "normalmente concordam" com as
apreciações do Provedor, 38% que
"concordam muitas vezes" e 32 % que
"umas vezes concordam, outras vezes
não". Há ainda 3% que "muitas vezes
não concordam" e 2% que "quase
nunca" concordam.
Tanto a
frequência de leitura do Provedor como o grau de
concordância com as suas apreciações parecem
variar um pouco se, no universo inquirido,
atentarmos nas classes etárias e no tempo de
experiência profissional. Aparentemente, os
jornalistas mais novos lêem-no menos
frequentemente que a média global de 76% (no
escalão de "menos de 25 anos", são
68% os que afirmam ler o seu Provedor
"sempre" ou "quase sempre",
percentagem que baixa ainda para 64% no escalão
etário dos 26-35 anos; em contrapartida, nos
escalões mais velhos, as percentagens sobem para
85%, tanto no grupo dos 36-45 anos como no dos
46-55 anos, chegando aos 90% no escalão com mais
de 55 anos).
Tendência
semelhante parece observar-se quanto ao grau de
concordância: se, no universo global, 60% dos
jornalistas diziam concordar
"normalmente" ou "muitas
vezes" com o Provedor, essa cifra baixa para
55% no escalão etário de menos de 25 anos e
para 50% no escalão de 26-35 anos, subindo para
61% no escalão de 36-45 anos e para 80% no de
46-55 anos. Nos dois grupos mais jovens, a
resposta preferida a esta questão (com
percentagens na casa dos 39 a 40%) vai para
"umas vezes concordo, outras vezes não
concordo" (ver Quadro 1).
QUADRO 1 Grau de
concordância/ escalões etários
Escalão
etário: |
Normalm.
concorda
|
Concorda
frequentem.
|
Vezes sim,
vezes não
|
Mts. vezes
ñ concorda
|
Qs. nunca
concorda
|
| Até aos 25
anos |
19 %
|
36 %
|
39 %
|
7 %
|
---
|
| De 26 a 35
anos |
14 %
|
36 %
|
40 %
|
5 %
|
2 %
|
| De 36 a 45
anos |
27 %
|
34 %
|
32 %
|
3 %
|
1 %
|
| De 46 a 55
anos |
31 %
|
49 %
|
18 %
|
---
|
---
|
| Mais de 55
anos |
30 %
|
45 %
|
25 %
|
---
|
---
|
Se cruzarmos
estes dados com o tempo de experiência
profissional (que, em regra, será proporcional
à idade), chegamos a conclusões semelhantes. Os
inquiridos com menos de 10 anos de profissão
lêem o provedor "sempre" ou
"quase sempre" em 63% dos casos
recordamos que a média do total de inquiridos se
situava, nesta pergunta, nos 76% , cifra
que sobe para os 80% naqueles que são
jornalistas há "entre 11 e 15 anos", e
para 89% nos que exercem a profissão há
"entre 16 e 20 anos". Do mesmo modo
quanto ao grau de concordância com o Provedor: a
média geral de 60% dos que concordam
"normalmente" ou "muitas
vezes" baixa para 50% nos inquiridos que
são jornalistas há menos de 5 anos, e para os
43% nos que exercem a profissão há "entre
5 e 10 anos"; também aqui a resposta mais
frequente é "umas vezes concordo, outras
não". Em contrapartida, a média dos
geralmente "concordantes" sobe para 65%
nos inquiridos com 11 a 15 anos de profissão,
chegando aos 79% nos que têm 16 a 20 anos de
experiência. Nos inquiridos com mais de 20 anos
de experiência profissional, a percentagem é
também superior à média global 71% (ver
Quadro 2).
QUADRO 2 Grau de
concordância/ tempo de profissão
Experiência
profissional: |
Normalm.
concorda
|
Concorda
frequentem.
|
Vezes sim,
vezes não
|
Mts. vezes
ñ concorda
|
Qs. nunca
concorda
|
| Menos de 5
anos |
20 %
|
30 %
|
43 %
|
4 %
|
2 %
|
| Entre 5 e 10
anos |
11 %
|
32 %
|
40 %
|
11 %
|
3 %
|
| Entre 11 e 15
anos |
25 %
|
40 %
|
34 %
|
---
|
---
|
| Entre 16 e 20
anos |
42 %
|
37 %
|
16 %
|
5 %
|
---
|
| Mais de 20
anos |
23 %
|
48 %
|
22 %
|
2 %
|
3 %
|
Também no que
respeita ao estatuto profissional, parece
observar-se uma tendência de maior
acompanhamento da coluna do provedor (e de maior
grau de concordância) conforme se está mais
acima na cadeia hierárquica: são 74% os
"repórteres/redactores" que dizem ler
o provedor "sempre" ou "quase
sempre", fazendo-o, no entanto, 88% dos
"editores ou equivalentes", 86% dos
"chefes/subchefes de Redacção" e 100%
dos "membros da Direcção" inquiridos.
Estes últimos dizem concordar
"normalmente" ou "muitas
vezes" com o Provedor em 89% dos inquéritos
(recordamos que a média global do universo
inquirido está nos 60%), cifra que baixa para
72% nos "chefes/subchefes de
Redacção", para 69% nos "editores ou
equivalentes" e para 57% ou seja, já
abaixo da média global nos
"repórteres/ redactores". E não vai
além dos 29% no estagiários inquiridos, que
claramente preferem a resposta "umas vezes
concordo, outras não" (ver Quadro3).
QUADRO 3 Grau de
concordância/ estatuto profissional
Estatuto
profissional: |
Normalm.
concorda
|
Concorda
frequentem.
|
Vezes sim,
vezes não
|
Mts. vezes
ñ concorda
|
Qs. nunca
concorda
|
| Colab.
permanente |
56 %
|
33 %
|
---
|
11 %
|
---
|
| Estagiário |
29 %
|
---
|
71 %
|
---
|
---
|
| Repórter/
redactor |
16 %
|
41 %
|
36 %
|
4 %
|
2 %
|
| Editor ou
equiv. |
27 %
|
42 %
|
29 %
|
---
|
---
|
| Chefe/subchefe
Red. |
43 %
|
29 %
|
29 %
|
---
|
---
|
| Membro da
Direcção |
56 %
|
33 %
|
11 %
|
---
|
---
|
- Utilidade e
eficácia do Provedor
As questões
seguintes debruçavam-se sobre o maior ou menor
grau de utilidade e de eficácia de um Provedor
do Leitor, na óptica dos jornalistas. A maioria
dos inquiridos entende ser "muito
útil" (17%) ou "útil" (61%) a
existência de um Provedor no SEU jornal
específico, considerando também que essa figura
pode ser "muito útil" (13%) ou
"útil" (66%) na imprensa portuguesa,
em termos mais genéricos; 17% acham a
instituição "pouco útil" (17%) ou
mesmo "inútil" (2%) no SEU jornal,
julgando-a "pouco útil" (16%) no
panorama global dos jornais.
Admitindo alguma
utilidade na instituição do Provedor que
é a opinião de quase 80% dos inquiridos ,
para quem será mais notória essa utilidade?
"Para os leitores", escolhem 86 % dos
inquiridos; "para os jornalistas",
dizem 84%; "para a imagem da empresa",
respondem 49%; "para a Direcção do
jornal", preferem 37%; "para o público
em geral", referem 16% dos inquiridos.
Os inquiridos
eram solicitados a escolher até três
hipóteses, numerando-as por ordem crescente de
importância. As percentagens atrás indicadas
referem-se à soma de citações feitas,
independentemente da sua ordenação. Mas esta
dá-nos resultados relativos semelhantes, como
podemos constatar no Quadro 4.
QUADRO 4 Utilidade
do Provedor para quem?
Utilidade
mais notória: |
1º
lugar
|
2º
lugar
|
3º
lugar
|
Citado
sem ordem
|
| Para os LEITORES |
55 %
|
19 %
|
7 %
|
6 %
|
| Para os JORNALISTAS |
21 %
|
42 %
|
17 %
|
4 %
|
| Para a IMAGEM
da empresa |
10 %
|
10 %
|
26 %
|
4 %
|
| Para a DIRECÇÃO
dos jornais |
1 %
|
12 %
|
21 %
|
3 %
|
| Para o PÚBLICO
em geral |
2 %
|
4 %
|
10 %
|
2 %
|
De notar que,
embora globalmente em 2º lugar, a escolha da
resposta "[maior utilidade] para os
jornalistas" foi escolhida em primeiro lugar
por mais de 20% dos inquiridos.
Posta a questão
mais concretamente sobre se o trabalho do
Provedor do Leitor em cada um dos jornais
estudados tem tido, na opinião dos seus
jornalistas, alguma eficácia, as respostas
foram, em geral, positivas: 59% dos inquiridos
consideram "eficaz" o trabalho do
Provedor no SEU jornal, havendo 6% que o
consideram mesmo "muito eficaz"; em
contrapartida, 28% responderam que encaram aquele
trabalho no SEU jornal como "pouco
eficaz" e 2% "nada eficaz" (5%
não responderam).
Foi, em seguida,
perguntado (a partir de uma conjunto de
hipóteses fornecidas, de que deviam escolher-se
e ordenar-se até três) em que se traduzia
concretamente essa eficácia. O número mais
elevado de escolhas (77%) foi para o item
"Maior abertura e transparência face aos
leitores", logo seguido do item "Maior
atenção dos jornalistas nas suas rotinas
diárias" (67%). Por 48% dos inquiridos foi
citado o item "Maior estímulo ao debate
público sobre questões do jornalismo",
vindo depois (com 42% de citações) o item
"Maior debate interno sobre os problemas de
feitura do jornal". Com menos citações
nesta questão surgiram os items "Melhoria
da imagem do jornal/ da empresa" (escolhido
por 31% dos inquiridos) e, finalmente,
"Alterações concretas no jornal"
(referido apenas por 7%).
Para além da
quantidade de citações, a sua hierarquização
por ordem de importância forneceu resultados
idênticos: a "abertura e transparência
face aos leitores" foi o item mais vezes
citado em 1º lugar, o da "atenção dos
jornalistas nas suas rotinas diárias" o
mais vezes citado em 2º lugar, e o do
"estímulo ao debate público" o mais
vezes referido em 3º lugar.
Questão
paralela foi colocada aos 34% de inquiridos que
consideravam o trabalho do Provedor "pouco
ou nada eficaz", tentando descortinar as
razões dessa ineficácia. Das seis hipóteses
adiantadas, a mais citada (52%) foi a de o
Provedor "não ter poderes reais para
provocar mudanças", logo seguida (47%) de
"as rotinas instaladas no jornal serem muito
fortes". "Os responsáveis do jornal
não ligam às recomendações do Provedor",
foi um item citado por 39% dos inquiridos para
explicar a alegada ineficácia; 37% apontaram a
hipótese de "a coluna do Provedor ser pouco
ou nada lida no jornal", tendo 32% referido
o "não se reconhecer competência/
autoridade profissional ao Provedor", e 25%
a circunstância de "as questões da ética
não se adequarem bem à lógica de
mercado".
- Origem interna ou
externa do Provedor
Uma questão
menos consensual nos resultados dos inquéritos
e das mais debatidas neste domínio, pois
tem a ver com o sensível problema da
independência (ou "presunção de
independência") do Provedor do Leitor
é o da origem desta figura: deve ser
escolhida de entre os quadros do jornal em que
vai exercer o cargo ou deve vir de fora?
A este respeito,
as opiniões dos inquiridos dividiram-se
razoavelmente, com 45% defendendo que o Provedor
deve ser "de fora" e 32% preferindo que
seja "da casa". Para além dos 14% que
não tinham (ou não quiseram dar) opinião nesta
matéria, surgiu uma nova categoria que
não estava prevista no inquérito mas se criou
"a posteriori", dado que um número
razoável (10%) de inquiridos a "criou"
com as explicações que deu. Segundo estes, não
seria tão importante a proveniência do Provedor
mas, sim, o perfil da pessoa escolhida para o
cargo. Face a este critério (o do perfil), o
facto de ser "de fora" ou "da
casa" seria irrelevante.
Nesta matéria,
entretanto, as respostas dos inquiridos parecem
estar sobremaneira ligadas às experiências
concretas em cada um dos jornais respectivos, uma
vez que, cruzados os dados globais com o jornal
de pertença, as disparidades são assinaláveis
(ver Quadro 5). No jornal A, uma maioria
claríssima prefere uma solução "de
fora", enquanto no jornal C a primeira
escolha vai para a hipótese "da casa",
embora pouco acima dos 50%. No jornal B, as duas
hipóteses estão praticamente empatadas (34% e
35%). De referir ainda uma percentagem elevada de
"Não sabe/ Não responde", o que
acentua ainda mais as dúvidas existentes nesta
questão.
QUADRO 5 Origem do
Provedor
| |
Provedor
"da casa"
|
Provedor
"de fora"
|
Interessa mais
a pessoa
|
N/S
N/R
|
| Jornal A |
3 %
|
76 %
|
8 %
|
13 %
|
| Jornal B |
34 %
|
35 %
|
13 %
|
19 %
|
| Jornal C |
52 %
|
38 %
|
5 %
|
6 %
|
| Não
identificado |
56 %
|
11 %
|
11 %
|
22 %
|
Articulando as
respostas a esta pergunta com os outros elementos
de identificação, pode constatar-se que, em
termos de classes etárias, a preferência dos
mais jovens (até 25 anos) vai para um Provedor
"de fora" (58% do total), mantendo-se a
tendência, embora com menor expressão
percentual, nos escalões dos 26-35 anos (44%) e
dos 36-45 anos (44%); já no escalão de 46-55
anos, a opção preferida é a de um Provedor
"da casa" (41%), embora a pouca
distância dos que escolhem "de fora"
(39%).
Relativamente ao
estatuto profissional, assinale-se que, no
universo global, preferem um Provedor "da
casa" os estagiários (57%), os
"chefes/subchefes de Redacção" (57%)
e os "membros da Direcção" (aqui com
apenas 33% e opiniões muito repartidas por todas
as outras hipóteses). Pelo contrário, optam
pela solução "de fora" os
"repórteres/redactores" (49%),
registando-se um empate na categoria dos
"editores ou equivalentes" (39% tanto
para a hipótese "da casa" como para a
"de fora").
Bastante mais
consensual parece ser a resposta à pergunta
sobre se o Provedor do Leitor deve ser pessoa com
ou sem ligação ao jornalismo. Dos inquiridos,
50% dizem que deve ser "um antigo
jornalista" e 42% que deve ser uma pessoa
"com algum tipo de experiência
jornalística"; apenas 4% dizem preferir,
para esta função, alguém "totalmente
exterior ao grupo profissional dos
jornalistas", havendo 5% que optam por não
responder.
Ainda mais
consensual é o posicionamento sobre a questão
de o Provedor escrever, ou não, uma coluna no
jornal com as suas apreciações: 82% acham que
sim, que o deve fazer, 2% prefeririam que ele
dirigisse as suas críticas apenas para o
interior do jornal e 14% entendem que isso
"depende dos casos em análise".
E, quando
escreve uma coluna, deve citar os nomes dos
jornalistas envolvidos nos casos em apreciação?
Aqui, 56% respondem "sim" e 9%
"não". Um número significativo ( 34%)
entende que essa opção "depende dos casos
em análise".
- Definição do Provedor
do Leitor
Tentando
definir, em termos genéricos, a figura do
Provedor do Leitor, foram fornecidas aos
jornalistas várias hipóteses, pedindo-se que
seleccionassem, ordenadamente, até três. Os
resultados aproximam-se dos que encontrámos
quando se questionou a utilidade da figura do
Provedor, com a referência mais frequente ao seu
papel de ligação aos leitores (82% de
citações no total), logo seguida do seu papel
como oportunidade de reflexão para os
jornalistas (78% de citações).
Estas
percentagens referem-se à soma total de
citações feitas, independentemente da
ordenação feita, mas os resultados são
semelhantes quando se atenta nas escolhas dos
inquiridos para o 1º, 2º e 3º lugares, face
às hipóteses adiantadas (ver Quadro6).
QUADRO 6
Definição do Provedor
Definição
genérica
do Provedor do Leitor: |
1º
lugar
|
2º
lugar
|
3º
lugar
|
Citado
sem ordem
|
| Instrumento de
"marketing" |
6 %
|
2 %
|
5 %
|
1 %
|
| Serviço de
"relações públicas" |
6 %
|
11 %
|
8 %
|
---
|
| Forma de
"dar tiros no pé" |
---
|
1 %
|
2 %
|
---
|
| Boa ligação
jornal-leitores |
50%
|
16 %
|
16 %
|
6 %
|
| Instância de
reflexão p/ jornalistas |
14 %
|
40 %
|
24 %
|
3 %
|
| Útil
instrumento de auto-regulação |
17 %
|
19 %
|
34 %
|
3 %
|
- Importância relativa
da figura do Provedor
Tentando
comparar a importância relativa que é
atribuída pelos jornalistas ao Provedor do
Leitor, no cotejo com outras (existentes ou
possíveis) instâncias de regulação da sua
actividade, constatou-se que o Provedor é
julgado "importante" pela maioria
(55%), havendo 39% que o consideram mesmo
"muito importante". Mais destacados,
porém, são os Conselhos de Redacção
que 63% dos inquiridos consideram um instrumento
"muito importante" e 26%
"importante". Eventuais Associações
de Leitores/Espectadores também são referidas
como "importantes" por 50% dos
inquiridos, merecendo ainda destaque a
apreciação do papel do Conselho Técnico e
Deontológico dos Jornalistas ("muito
importante" para 46% dos inquiridos e
"importante" para 38%) ver Quadro
7
QUADRO 7
Importância relativa do Provedor do Leitor
Instâncias
de regulação: |
Muito
import.
|
Import.
|
Pouco
import.
|
Sou
contra
|
N/S
N/R
|
| Provedores do
Leitor/ Espectador |
39 %
|
55 %
|
5 %
|
---
|
1 %
|
| Conselho
Técnico e Deontológico SJ |
46 %
|
38 %
|
11 %
|
4 %
|
1 %
|
| Alta
Autoridade p/ Comunic. Social |
22 %
|
30 %
|
31 %
|
12 %
|
5 %
|
| Conselhos de
Redacção |
63 %
|
26 %
|
8 %
|
---
|
3 %
|
| Conselho de
Imprensa |
19 %
|
32 %
|
34 %
|
2 %
|
12 %
|
| Ordem dos
Jornalistas |
17 %
|
18 %
|
17 %
|
40 %
|
9 %
|
| Códigos
Éticos das empresas jorn. |
36 %
|
36 %
|
17 %
|
4 %
|
6 %
|
| Associações
de Leitores /Espect. |
23 %
|
50 %
|
18 %
|
3 %
|
5 %
|
- Maiores elogios e
maiores críticas
Finalmente, era
solicitado aos inquiridos que, de entre um
conjunto de hipóteses, escolhessem até três (e
as ordenassem segundo a importância) para tentar
perceber quais os maiores elogios e as maiores
críticas que lhes merece a instituição
"Provedor do Leitor", não só no seu
jornal mas também em termos mais genéricos, a
partir da observação do seu trabalho nos
jornais portugueses de informação geral.
No que toca a
elogios, constata-se uma repartição razoável
entre os items propostos. O que mereceu mais
citações no total (independentemente de ser
colocado em 1º, 2º ou 3º lugar) foi o de que
"os Provedores são uma porta
aberta dos jornais para com os seus
leitores" citaram-no 60% dos
inquiridos. Logo a seguir, com 59% de
referências, vinha o item "Recordam
princípios éticos que frequentemente parecem
esquecidos". Com 54% de citações surge um
outro elogio da "função interna" dos
Provedores: "Estimulam a crítica e a
auto-crítica entre os jornalistas". Com um
número de citações razoável, embora abaixo
dos 50%, aparecem as outras três hipóteses
sugeridas: " [Os Provedores] ajudam os
jornais a corrigir os erros e a melhorar o seu
serviço" (46%), "permitem que o
público conheça melhor a actividade
jornalística" (42%) e "obrigam os
jornais a maior prudência no seu trabalho
diário" (35%).
No domínio das
críticas, os inquiridos mostraram-se em geral
benevolentes para a figura do Provedor, com
elevadas percentagens (entre um mínimo de 52% e
um máximo de 96%, conforme os items) a não
citar qualquer das seis hipóteses avançadas.
Ainda assim, a crítica com maior número de
citações, independentemente de estarem
ordenadas em 1º, 2º ou 3º lugar, foi a de que
os Provedores "são muito moralistas nas
apreciações que fazem" (48% dos 250
jornalistas respondentes). Segue-se o item
"preocupam-se demasiado com questões
técnicas (lapsos, má gramática, coisas
trocadas, etc.)", com 42%. Mais abaixo
surgem as restantes críticas: "têm
tendência a ser demasiado agressivos para com os
jornalistas" (34%), "não são
independentes, pois também são funcionários
dos jornais que analisam/criticam" (26%),
"são pouco sensíveis às lógicas do
mercado e das empresas de Com. Social" (18%)
e "têm tendência a ser demasiado
agressivos para com os leitores" (4%).
Conclusões
Em conclusão (e
independentemente do posterior aprofundamento da
análise dos dados agora recolhidos, cujo
tratamento ainda prossegue), poderíamos
salientar os seguintes pontos:
A clara
maioria dos jornalistas que trabalham em jornais
com um Provedor do Leitor não só concorda com a
sua existência, como reconhece uma grande
utilidade e uma razoável eficácia ao papel
desempenhado por essa figura auto-reguladora.
A maior
utilidade do Provedor parece residir na maior
abertura e transparência do jornal face aos seus
leitores, mas quase no mesmo plano é referida a
sua importância para o interior da própria
Redacção.
Mesmo que
nem sempre sejam traduzidas em alterações
concretas no jornal, a utilidade e eficácia do
Provedor no que diz respeito a estimular o debate
interno, a favorecer a capacidade auto-crítica e
a recordar os princípios éticos norteadores da
profissão, parecem ser relevantes para a grande
maioria dos jornalistas.
As
sensibilidades relativamente à figura, às
características e ao papel do Provedor do Leitor
variam um pouco conforme os jornais, confirmando
a ideia de que a sua definição e o seu trabalho
concreto são também função da cultura
específica das organizações em que se inserem.
Do mesmo
modo, notam-se algumas diferenças de
sensibilidade conforme a idade, o tempo de
experiência e a categoria profissional dos
jornalistas inquiridos, parecendo haver uma maior
distância dos mais jovens face à figura (ou à
actuação concreta) do Provedor do Leitor.
_____
Notas:
1 Os primeiros
"ombudsman" de imprensa surgiram nos
EUA, na década de 60 (embora haja referências a
experiências de algum modo precursoras, ainda
que pontuais, já nas primeiras décadas do
século XX - cfr. ETTEMA e GLASSER, 1987: 3) e,
em Portugal, só em 1997, primeiro com Mário
Mesquita, no "Diário de Notícias",
depois com Jorge Wemans, no "Público".
Mais recentemente (ano 2000), no campo dos
jornais de informação geral, juntou-se ao rol
Fernando Martins, do "Jornal de
Notícias".
2 Ver, por exemplo, e além do já citado
de Ettema e Glasser (1987), estudos de Starck e
Eisele (1999) entre os provedores de jornais
americanos e os seus "editors", de
Mogavero (1982) também no seio dos provedores
dos EUA, de Hartung, JaCoby e Dozier (1988) no
campo dos leitores, e de Pritchard (1993), entre
os jornalistas.
3 Este texto é uma versão adaptada e
resumida da comunicação apresentada no 2º
Congresso da SOPCOM-Associação Portuguesa de
Ciências da Comunicação (Lisboa, Outubro de
2000) .
4 Os chamados M*A*R*S* (Meios de
Assegurar a Responsabilidade Social dos media),
na expressão adoptada por Claude-Jean Bertrand e
que corresponde à sigla anglófona M.A.S. (Media
Accountability Sistems) sendo importante
notar que o termo "accountability"
aponta para a noção de "responsável"
mas também de "responsabilizável", no
sentido de "chamado a prestar contas".
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*
Joaquim Fidalgo e
jornalista, ex-Provedor do Leitor do jornal Público, professor convidado no Departamento de
Ciências da Comunicação Instituto de
Ciências Sociais da Universidade do Minho. Esta es su primera colaboración para Sala de Prensa.
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