Um general
conta sua história
Perfil biografico de Nelson
Werneck Sodré
Josias
Ricardo Hack *
Nelson
Werneck Sodré é um personagem atuante da
História Brasileira que sempre manteve urna
atitude crítica para com a realidade social,
econômica, política e cultural do Brasil. Sua
prática no cenário das Ciências Humanas e
Sociais trouxe contribuições teóricas e
metodológicas importantes para os pesquisadores
destas áreas do conhecimento.
O perfil aqui
apresentado, percorre rapidamente a vida do
autor, observando seu envolvimento com a carreira
militar, bem como sua paixão pela História.
Também será apresentada a relação dos livros
publicados por Sodré, procurando identificar os
mestres que influenciaram seu pensamento e os
discípulos que se destacaram através da
aprendizagem direta com o autor. Por fim, se
fará urna análise da contribuição de Werneck
Sodré para o pensamento comunicacional.
O trabalho na
íntegra, que originou este artigo, foi produzido
para a disciplina História das Ciências
da Comunicação , ministrada pelo
professor Dr. José Marques de Melo durante o
primeiro semestre de 1997, no Mestrado em
Comunicação Social da Universidade Metodista de
São Paulo (UMESP), na cidade de São Bernardo do
Campo (SP).
I.
QUEM É NELSON WERNECK SODRÉ: HISTÓRIA DE VIDA
Um autor é a imagem
daqueles
que ele freqüenta.[ ...] Hoje
só leio bons livros.
Nelson Werneck
Seu pai
chamava-se Heitor de Abreu Sodré e nasceu na
cidade de Rezende (RI). No ano de 1907, Heitor
formou-se em direito pela Faculdade de Direito de
São Paulo, exercendo posteriormente a função
de Coletor Federal em uma cidade do interior de
São Paulo, chamada Caçapava. A mãe de Nelson
era Amélia Werneck Sodré, que nasceu em São
Gonçalo do Sapucaí (MG) e ocupava-se dos
serviços domésticos. Amélia e Heitor
casaram-se no ano de 1907.
Nelson Werneck
Sodré era filho único e nasceu em 27 de abril
de 1911, no Rio de Janeiro. Passou sua infância
em dois lugares: Rio de Janeiro e Caçapava.
Morou na companhia de seus pais até os 12 anos
de idade e desde cedo sua diversão era a
leitura, pois seu pai o incentivava muito.
Aplicava-se à leitura dia e noite, sendo que sua
mãe era quem cuidava em apagar as luzes para que
viesse a descansar.
Após estudar os
primeiros anos em uma escola pública na Muda da
Tijuca, no ano de 1922, aos 11 anos, foi
internado no colégio Ginásio Brasileiro de
Copacabana. Durante esse período de sua
infância, leu quase todos os livros de Júlio
Verne, nas edições portuguesas, e apreciava
também os contos infantis de Figueiredo
Pimentel. Também foi em Copacabana que teve o
seu primeiro contato com a carreira militar,
devido à revolta de 5 de julho de 1922.
No início do
ano de 1924 sua mãe providenciou a matrícula no
Colégio Militar do Rio de Janeiro,
estabelecimento onde permaneceu durante os sete
anos do colegial, estudando as matérias básicas
do nível secundário, com excelentes
professores. Também foi no Colégio Militar que
começou a estabelecer vários laços de amizade
e companheirismo. Logo que foi internado, Nelson
completou 13 anos e, neste momento, sua carreira
já estava pré-estabelecida.
Dentro do
Colégio Militar, teve predileção pela
disciplina História, devido às lições que
recebera do professor Isnard Dantas Barreto, que
Sodré considera o melhor mestre que conheceu.
Suas aulas avançavam em assuntos como higiene
sexual, reprodução e doenças venéreas. O que
também se destacava em Isnard era sua
irreverência com respeito aos horários, toques
de cometa e hierarquia formal, fatores que muitas
vezes prejudicavam o professor, com atritos
devido a pequenas coisas. Quanto à abordagem de
Isnard sobre a História, em sala de aula,
Werneck a caracteriza da seguinte forma:
Ele a
retirava do museu, da nomenclatura enfadonha, da
anedota singular, da estática dos quadros
apresentados como natureza morta. Dava-lhe
movimento colorido, atração e, no fundo e
essencialmente, razão, isto é, aquilo que
provém da análise. Nesse sentido, era o único
que cumpria a função do magistério, que é
ensinar a pensar (SODRÉ, 1986:36).
No ano de 1929
aumentaram as despesas com a manutenção de seus
estudos e, assim, Sodré resolveu tomar urna
atitude para amenizar a situação dos pais. Como
só havia a possibilidade de um trabalho noturno,
iniciou uma experiência no Jornal do
Comércio, onde fazia a revisão. No entanto,
a experiência durou pouco tempo.
Após concluir o
curso do Colégio Militar, no ano de 1930, Sodré
passou à Escola Militar do Realengo, no dia 09
de abril de 1931. Ali, o cotidiano era dividido
da seguinte forma: durante a manhã, exercícios
físicos e a tarde era dedicada aos ensinos
teóricos. As aulas ficavam praticamente
limitadas ao ensino das matérias relacionadas
com a matemática e podiam ser resumidas em polígrafos,
que eram considerados a fonte do saber.
Na Escola
Militar existia a Sociedade
Acadêmica, que correspondia à
Sociedade Literária em um colégio.
No ano de 1933, o gaúcho Rui Mostardeiro foi
escolhido para presidir a Sociedade e convidou
Nelson Werneck1 para dirigir a Revista
da Escola Militar2. Sodré aceitou o
desafio e proporcionou algumas modificações no
periódico, que o tornaram mais acessível, tendo
boa repercussão nos jornais e meios intelectuais
onde circulava.
No final de
1933, concluiu o curso da Escola Militar e, no
ano de 1934, foi destinado ao 4o
Regimento de Artilharia Montada, em Itu (SP). Lá
permaneceu como aspirante ao oficialato durante
seis meses; depois de decorrido esse prazo, foi
promovido a segundo-tenente.
Seu casamento
com Yolanda Frugoli (Sodré) aconteceu no dia 02
de fevereiro de 1935, na cidade de Itu, onde
morava a noiva. No ano seguinte, Nelson recebeu
promoção e tornouse primeiro-tenente. Nesse
período, escrevia para o Correio Paulistano duas
vezes por semana e começava a despontar como
escritor. Em 1937, foi convidado pelo general
José Pessoa, para ser seu ajudante-de-ordens, no
Rio de Janeiro. Permaneceu nessa função até 08
de abril de 1939, quando voltou novamente para
Itu (SP).
No ano de 1941,
o coronel Otávio Saldanha Mazza convidou Werneck
Sodré para auxiliá-lo na organização da
Escola Preparatória que seria fundada em São
Paulo. No dia 06 de dezembro desse mesmo ano,
nascia a filha única do casal Nelson e Yolanda:
Olga Regina Frugoli Sodré. Ainda em 1941 seria
promovido a capitão.
Com o ambiente
mundial agitado devido à II Guerra Mundial,
Sodré embarcou rumo à Bahia no ano de 1942,
onde permaneceu durante um ano e meio. Apesar das
dificuldades começou a se preparar para o
concurso que iria realizar, na tentativa de
entrar para a Escola de Comando e Estado Maior. O
resultado do concurso chegou à Bahia no final de
1943 e lhe foi favorável; em janeiro de 1944
veio a ordem para apresentar-se no Rio de
Janeiro.
Sodré relata,
em seu livro Do Tenentismo ao Estado Novo,
que, quando ingressou na Escola de Estado
Maior, o estabelecimento atravessava um de seus
melhores momentos, sob o comando do coronel
Sabóia Bandeira de Meio. No primeiro ano, o
currículo apresentava, além das disciplinas
militares, matérias como: Inglês, Espanhol,
História do Brasil e Sociologia. Nos demais
anos, os estudos eram totalmente voltados para
assuntos puramente militares.
Em 1946, quando
estava no terceiro e último ano do curso,
assumiu o comando da Escola o General Tristão de
Alencar Araripe, que dava uma relevância
bastante significativa aos problemas culturais.
Até esse momento, Sodré já tinha publicado
vários livros, inclusive durante os anos em que
estava cursando a Escola de Estado Maior3. Sendo assim, Araripe o
via com bons olhos e, por consequência, sua
posição na turma passou a se destacar.
No ano de 1947,
quando já havia concluído o curso, foi
convidado para ser professor na Escola de Comando
e Estado Maior, onde permaneceu até 1950 como
chefe do Curso de História Militar.
No dia 17 de
maio de 1950 foram realizadas as eleições para
o Clube Militar, ganhando a chapa Estillac
Leal/Horta Barbosa a qual convidou imediatamente
Nelson Werneck Sodré para ser o diretor do
Departamento Cultural. Até esse momento, a
carreira de Sodré havia sido ascensional; no
entanto, devido a sua posição favorável ao
monopólio estatal do petróleo, começaram a
surgir pressões que iriam, cada vez mais, causar
situações delicadas.
Como o Clube
Militar havia assumido uma postura nacionalista,
as ofensivas dos militares reacionários eram
constantes e as mais diversas. Como forma de
desmobilizar o Clube Militar, Sodré foi afastado
da Escola de Comando e Estado Maior, devido a sua
posição política.
Nelson foi
transferido da capital (Rio de Janeiro) para o 5o
Regimento de Artilharia, na cidade de Cruz
Alta, no Rio Grande do Sul, onde permaneceu
durante cinco anos. A permanência em Cruz Alta
fora uma espécie de exílio; no entanto, logo
estava adaptado às atividades e já desempenhava
papel de destaque no Regimento.
No final de
1954, Estillac Leal foi designado para a
Inspetoria Geral do Exército e para seu chefe de
gabinete escolheu o coronel José Carlos de Moura
e Cunha. Moura e Cunha apresentou a Sodré a
intenção de incluí-lo no Estado Maior da
Inspetoria Geral do Exército. Apesar da
relutância inicial, principalmente por parte da
esposa4, Nelson aceitou o
desafio e, no dia 26 de abril de 1955
apresentou-se no Rio de Janeiro. No entanto, no
dia 1o de maio morreu o general
Estillac. O substituto foi o general Euclides
Zenóbio da Costa. Enquanto Moura e Cunha
resolveu deixar o seu cargo, Sodré ainda
permaneceu por algum tempo.
Em 1956, Nelson
Werneck iniciou seu trabalho no vespertino Última
Hora, onde escrevia a seção literária e os
editoriais. Também, nesse ano, passou a integrar
a Comissão Diretora da Biblioteca do Exército.
Nesse período
da História brasileira em que começava a
reação contra os nacionalistas, Nelson Werneck
Sodré tinha sob sua responsabilidade uma página
do jornal nacionalista O Semanário. Também
foi, em 1955, que iniciou suas atividades como
professor do Instituto Superior de Estudos
Brasileiros, instituição que contava com a
desaprovação dos militares reacionários.
Sodré já havia
sido promovido a coronel. No entanto, sua
situação tornava-se cada vez mais delicada. Na
tentativa de golpe político praticada pelos
ministros militares, ocorrida logo após a
renúncia de Jânio Quadros, no segundo semestre
de 1961, Nelson tomou posição contrária aos
ministros e, devido a esta atitude, foi preso e
interrogado durante dez dias.
Como a
transferência para Belém, contrária a sua
vontade, estava certa, Sodré resolveu passar à
reserva, no posto de General, pois possuía o
curso de Estado Maior. Mesmo após uma conversa
com o então presidente da República, João
Goulart, Nelson resolveu manter sua posição,
caso sua transferência para Belém não fosse
anulada. Dessa forma, passava para a reserva no
início do ano de 1962.
Já afastado de
suas funções militares, Nelson Werneck
entregou-se totalmente ao exercício do
magistério no Instituto Superior de Estudos
Brasileiros (ISEB), bem como à atividade
intelectual de escritor. No ISEB, passou a
exercer a função de chefe do Departamento de
História, onde permaneceu até a extinção do
Instituto, em 1964, como um ato inicial da
ditadura militar. Segundo depoimento de Sodré: foi
a fase melhor de minha atividade no magistério e
na produção intelectual, quer na cátedra, quer
escrevendo na imprensa e escrevendo livros. Meus
melhores livros datam dessa época.
Na manhã do dia
31 de março de 1964, Sodré começou a sentir
que o clima político do país estava diferente e
tudo indicava que um golpe estava na iminência
de acontecer. Amigos do ISEB tentaram demonstrar
que a situação não era amedrontadora; no
entanto, ao chegar em casa, Nelson preparou
algumas roupas e dinheiro, decidindo abandonar a
casa e procurar um refúgio.
A princípio
ficou escondido no apartamento de seus
assistentes do ISEB, no bairro Jardim Botânico;
depois de outras mudanças, foi parar em uma
fazenda de parentes na cidade de Fernandópolis,
interior de São Paulo. Com seus direitos
políticos já cassados por dez anos, apesar de
nunca ter pensado em concorrer à eleição para
algum cargo público, Sodré foi encontrado na
fazenda e preso por autoridades do DOPS paulista,
no dia 26 de maio de 1964.
Depois de passar
por São Paulo, foi enviado ao Rio de Janeiro,
onde ficou preso para interrogatórios durante 57
dias. A maior parte dos dias de prisão ficou
encarcerado na fortaleza de Santa Cruz, onde a
biblioteca era relativamente numerosa,
possibilitando então a leitura como passatempo.
A liberdade chegou na segunda-feira, dia 20 de
julho, às 21 horas.
Segundo o relato
de Sodré em seu livro Do Estado Novo
à Ditadura Militar, estar em
casa não significava a plena liberdade, pois o
clima permanecia tenso. Em muitos momentos
aconteciam buscas domiciliares, longos
interrogatórios, bem como a ordem para não se
afastar do Rio de Janeiro era bastante clara. No
entanto, Nelson Werneck reconhece que sua
condição de general assegurava um tratamento
que não podia ser comparado com o que sofriam os
civis nas mãos da polícia política.
Um fato curioso,
também relatado em suas memórias, aconteceu
pouco tempo depois de ter sido posto em
liberdade. Um antigo companheiro de armas, que
era secretário do Instituto de História e
Geografia Militar, procurou-o para ver se tinha
intenção de assumir a cadeira no Instituto,
para a qual havia sido eleito no período em que
morava em Cruz Alta (RS). Aceitando o convite,
com a sala repleta de amigos e alguns sócios, a
cerimônia representou uma total discrepância
com a situação real em que o país estava
mergulhado.
Como a ditadura
havia tirado de Nelson Werneck Sodré o direito
de ensinar durante o período que sucedeu ao
golpe de 1964, sua atividade passou a ser
exclusivamente o estudo e a produção de novos
livros. Um dos trabalhos em que continuou se
empenhando foi História Militar do Brasil, editado
pela primeira vez no ano de 1965.
Como se pode
observar na relação das publicações de
Sodré, citada no capítulo seguinte, o período
pós-64 foi bastante frutífero em sua produção
escrita e a última contribuição é também sua
58a obra, publicada em 1995: A
Farsa do Neoliberalismno.
Sua biblioteca
que chegou a contar com cerca de 30.000 livros,
foi vendida para um sebo, porque estava sendo
atacada pelo cupim. O seu acervo particular
(livros de sua autoria, retratos, cartas e demais
documentos) foi doado à Biblioteca Nacional.
Existe material gravado e filmado com depoimentos
seus, que também estão incluídos nesse acervo.
Também existe um longo depoimento arquivado no
Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro.
Por fim,
considerando-se ainda um marxista, Sodré
caracterizava sua vida, em 1995, da seguinte
maneira:
Eu, agora que
virei vadio de tempo integral, leio todo dia
Machado de Assis, sobretudo os contos. Ele é um
dos maiores contistas do mundo, em todos os
tempos. Não acompanho muito a produção
literária atual, que sei ser muito volumosa, mas
pelo que vejo nas resenhas dos jornais não devo
estar perdendo grande coisa. Não leio mais nada
do que se escreve nas Ciências Sociais, cujos
textos me parecem charadas, com os autores
preocupados em ser ininteligíveis, com uma
terminologia feita para assustar os leigos. [...]
E o resto vai ficando como está.
Continuarei enraizadantente socialista. Acho que
as sociedades precisam de política, que o
mercado não resolverá problema nenhum (CORRÊA,
1995:10).
II.
A OBRA E IDENTIDADE CIENTIFICA DE NELSON WERNECK
SODRÉ
Tornei-me escritor
por vocação,
provavelmente devido às grandes
leituras que fiz desde a infância
e que jamais cessaram.
Werneck Sodre
Nelson Werneck
Sodré começou a desenvolver a leitura bastante
cedo e em sua infância leu muitos contos. Ao
sair de casa para continuar os estudos no
Colégio Militar e na Escola de Comando e Estado
Maior do Exército, aproveitou para exercitar o
hábito desenvolvido, pois nos dois
estabelecimentos havia excelentes bibliotecas.
Sodré apresenta
em seu livro Memórias de um
Escritor, que aparecem em 4
extensos volumes com títulos diversos, os
escritores que lhe eram preferidos e trouxeram
uma maior contribuição para a formação de seu
pensamento. Destaca que em sua trajetória leu
bastante os escritores materialistas alemães,
como Haeckel e Buchner, bem como os franceses.
Sua relação
com cientistas estrangeiros foi bastante
restrita, exceto quando esteve na ex-União
Soviética, onde frequentou o Instituto da
América Latina, que fazia parte da Academia de
Ciências. Quanto aos estudiosos brasileiros,
conheceu e manteve algumas relações com os que
estavam ligados com sua área do conhecimento,
dentre eles Afonso dEscragnolle Taunay e
Caio Prado Júnior.
Nelson também
realizou algumas viagens pela Europa, Ásia e
África, com o intuito de conhecer alguns
aspectos de países, como: Portugal, França,
Itália, Dinamarca, Espanha, União Soviética,
Moçambique e União Sul Africana.
Além da
carreira militar, Sodré exerceu a função de
docente na Escola de Comando e Estado Maior, de
1947 a 1950, e no Instituto Superior de Estudos
Brasileiros (ISEB), de 1955 a 1964. Foi no ISEB
que Nelson Werneck teve um contato maior e mais
específico com alguns discípulos que passaram a
trilhar caminhos semelhantes aos seus e que
atualmente se encontram espalhados pelo Brasil.
No Departamento
de História do ISEB, onde exercia a função de
chefe, teve alguns assistentes que fizeram
carreira e se destacaram na academia: Joel Rufino
dos Santos, Rubem César Fernandes, Maurício
Meio e Pedro Celso Uchoa Cavalcanti. Sodré
destaca em seu depoimento que esses seus
discípulos lecionam atualmente em universidades
brasileiras e até estrangeiras. Também foi no
período em que esteve vinculado ao ISEB que
Sodré desenvolveu o único trabalho em parceria
de sua carreira, qual seja: História
Nova do Brasil. O trabalho de pesquisa
desenvolvido nessa obra teve o auxílio de seus
assistentes do Instituto.
A obra de Nelson
Werneck Sodré compõe-se de 58 livros e, segundo
seu relato, a quantidade de artigos chega, com
certeza, a mais de mil. Sobre a sua obra já
existem alguns estudos feitos por professores
universitários, destacando o trabalho de Maria
Anunciação Madureira, da UNESP, e André
Moysés Gaio, da Universidade de Juiz de Fora.
Ao apresentar o
autor Nelson Werneck, a Editora Civilização
Brasileira, na edição de 1970 do livro Memórias
de um Escritor, destaca:
Democrata
convicto, sempre se pôs a serviço do livre
debate, do respeito a opiniões contrárias às
suas, desde que honestas, das campanhas em prol
da emancipação e do desenvolvimento do nosso
País, não vacilando jamais diante dos
inegáveis perigos que enfrenta quem se disponha
a questionar verdades supostamente absolutas ou
direitos que se tenha como adquiridos e
inalienáveis.
Seriedade,
autoridade e clara participação nas correntes
progressistas que visam buscar para o Brasil uma
saída do labirinto sócio-econômico em que se
vê perdido há séculos, eis os traços
marcantes deste historiador, crítico literário,
pensador social e jornalista que é Nelson
Werneck Sodré:un homme dédié,un clerc
engagé
Outro escritor,
Mário da Silva Brito, também deixa seu
depoimento sobre Nelson Werneck Sodré em um
breve histórico de sua trajetória, na
apresentação do livro Síntese de História
da Cultura Brasileira, edição de 1989:
Por sua
extensa e variada bibliografia, integrada por
obras de ordem histórica, política e
sociológica notadamente, fruto toda ela de
rigorosa pesquisa e estribada em documentação
fidedigna, Nelson Werneck é nome de realce das
letras nacionais e, ainda, personalidade
intelectual de idéias definidas, reveladoras de
uma visão de mundo a que chegou através de suas
vivências pessoais e culturais.
Trabalhador
infatigável, inscreve-se também entre os pioneiros
de dado método analítico, de um processo
original de abordagem dos temas que desenvolve.
Basta lembrar, a este propósito, que a ele se
deve, por exemplo, a primeira História da
Literatura Brasileira escrita com base nos seus
fundamentos econômicos, livro até hoje único
no gênero em nossa bibliografia.
Realizando
obra de divulgação, soerguendo grandes painéis
de nossa evolução histórica, focalizando
aspectos de nossa formação social, escrevendo
memórias, examinando setorialmente nossas letras
ou nossas composições de classes, esse autor
coloca problemas, suscita debates, estimula o
exercício crítico, ilumina de luz nova, fatos,
personalidades e acontecimentos fundamentais de
várias etapas da vida brasileira.
Dotado de
férrea lógica, que encadeia argumentos de modo
a dar-lhes plena eficácia; espírito dialética,
afeito à discussão elevada de idéias e
problemas, esse ensaísta faz dos seus livros,
sempre, uma rara oportunidade paia o aprendizado
objetivo e inédito de uni sem-número de
questões, muitas delas por outros propostas em
termos rotineiros ou idealistas. Mesmo os
adversários de Nelson Werneck Sodré nele
reconhecem a extensão e profundidade de sua
cultura, a capacidade seminal de sua
inteligência, a substância do seu raciocínio
e, finalmente, a sua inteireza moral bem como a
solidez e a atitude de si ias convicções.
Em seus livros e
também em seu depoimento, Nelson Werneck Sodré
apresenta-se como um marxista e várias de suas
obras retratam essa tendência de forma bastante
clara. Para constatarmos isso, basta observarmos
livros como: Fundamentos da Economia
Marxista, Fundamentos do Materialismo Histórico,
Fundamentos do Materialismo Dialético e História
e Materialismo Histórico no Brasil. Nesses
quatro livros, organizados por Sodré, são
apresentados trechos de obras de marxistas
ilustres.
Em seus ensaios,
destacam-se alguns conceitos que são trabalhados
em vários momentos e que caracterizam parte do
pensamento exposto pelo autor em sua obra. E
comum encontrarmos em seus escritos alguns termos
como teoria do desenvolvimento, teoria da
dependência, ideologia do colonialismo e
imperialismo, que são bastante explorados em
suas obras e sempre analisados sob a ótica
socialista.
Sobre a teoria
do desenvolvimento, Sodré observa que, desde o
período em que o ISEB se destacava
academicamente, existiam dificuldades para
conceituar o significado de desenvolvimento.
Havia no ISEB duas correntes, que logo
foram identificadas: uma delas admitia que o
desenvolvimento deveria apoiar-se no ingresso
massivo e protegido de capitais estrangeiros; a
outra admitia que o desenvolvimento deveria
apoiar-se em capitais nacionais e que estes
deveriam ser protegidos (SODRÉ,
1995:06).
Apoiando-se na
perspectiva nacionalista de desenvolvimento, o
que lhe acarretou a perseguição em 1964, em
suas obras sempre ficou bastante clara a
apresentação da realidade de dependência
existente em nosso país, que limitava o
desenvolvimento. Principalmente, porque para
Sodré, um modelo de desenvolvimento que abarque
todos os sentidos que possam existir na
palavra, precisava estar baseado em uma
participação efetiva do povo nos benefícios da
nação.
A questão da ideologia
do colonialismo também foi bastante
explorada em livros como A Ideologia do
Colonialismo e Introdução à Geografia -
Geografia e Ideologia. Sodré apresenta,
nestes e em outros livros, como o desenvolvimento
do capitalismo, ao atingir a fase do
imperialismo, buscou dominar não apenas as
áreas geográficas, mas os povos, fazendo com
que essa exploração fosse tida como natural.
Outra
conceituação comum em suas obras era a teoria
da dependência. Em livros como Formação
Histórica do Brasil, História da Burguesia
Brasileira e Radiografia de um Modelo, o
autor discute essa terminologia, tentando fazer
uma diferenciação entre uma economia colonial e
uma economia dependente. Nessas análises, Sodré
procurou sempre apresentar a história do Brasil,
sob os dois aspectos, e fazer uma análise
crítica da situação de dependência em que o
país se encontrava durante o período estudado.
Desta forma, buscava refletir, principalmente, a
substituição da relação de dominação
colonial pela dominação através dos
investimentos e empréstimos do exterior.
Analisando seus
livros e observando alguns apontamentos
levantados pelo autor, observa-se claramente sua
opção por uma abordagem marxista das realidades
estudadas. No entanto, mais forte do que o
pessimismo muitas vezes advindo dessa forma de
análise do país, suas constatações finais
procuram levar o leitor a um deslumbrar de novas
alternativas:
O
Brasil tem potencialidades gigantescas. Quando
não somos explorados, nós nos desenvolvemos.
Quando não temos sócios na exploração de
nossas riquezas, que são imensas, o nosso
desenvolvimento se acelera. O problema
constante, entretanto, é que esse
desenvolvimento, [...] não é para o povo, não
influencia em nada o nosso padrão de vida (SODRÉ,
1995: 108).
Por fim,
observa-se nos livros de Nelson Werneck, como Introdução
à Revolução Brasileira dentre outros, a
preocupação do autor em examinar o Brasil não
apenas sob a perspectiva econômica, mas também
social, política e cultural, abordando
igualmente, aspectos como a questão racial, as
origens do nacionalismo brasileiro, bem como a
definição de quem é o povo que forma o Brasil.
Abaixo
registramos o título dos livros escritos ou
organizados por Nelson Werneck Sodré, a data de
sua publicação, bem como se houve reedição:
- Panorama do
Segundo Império (1939);
- Oeste. Ensaio sobre a Grande Propriedade
Pastoril (1941; 1990);
- Orientação do Pensamento Brasileiro (1942);
- Síntese do Desenvolvimento Literário no
Brasil (1943);
- Formação da Sociedade Brasileira (1944);
- O Que se Deve Ler para Conhecer o Brasil (1a
edição em 1945; 8a edição
em 1988);
- Nabuco e o Pan-americanismo (1949);
- Martírio e Glória do Alferes Tiradentes
(1952);
- O Tratado de Methuen (1957);
- As Classes Sociais no Brasil (1957);
- Introdução à Revolução Brasileira (1a edição
em 1958; 4a edição
em 1978);
- Narrativas Militares (1959);
- Raízes Históricas do Nacionalismo Brasileiro
(1959);
- Revisão de Euclides da Cunha (1959);
- A Ideologia do Colonialismo (1a edição
em 1961; 3a edição
em 1984);
- Formação Histórica do Brasil (1a edição
em 1962; 13a edição
em 1990);
- Quem é o Povo no Brasil? (1962; 1963);
- Quem Matou Kennedy (1963; 1964);
- História da Burguesia Brasileira (1a edição
em 1964; 4a edição
em 7984);
- Evolución Social y Económica del Brasil
(1964);
- História Nova do Brasil (1964), em co-autoria;
- História Militar do Brasil, Rio (1a edição
em 1965; 3a edição
em 1979);
- O Naturalismo no Brasil (1965; 1991);
- Ofício de Escritor (1965);
- As Razões da independência (1a edição
em 1965; 4a edição
em 1984);
- História da Imprensa no Brasil (1a edição
em 1966; 3a edição
em 1983);
- Memórias de um Soldado (1967; 1986);
- Fundamentos da Estética Marxista (1968),
organizador;
- Fundamentos da Economia Marxista (1968),
organizador;
- Fundamentos do Materialismo Histórico (1968),
organizador;
- Fundamentos do Materialismo Dialética (1968),
organizador;
- Síntese de História da Cultura Brasileira (1a
edição em 1970; 17a edição
em 1994);
- Memórias de um Escritor (1970);
- Brasil. Radiografia de um Modelo (1a edição
em 1974; 7a edição
em 1987);
- Introdução à Geografia (1a edição
em 1976; 9a edição
em 1993);
- A Verdade sobre o 1SEB (1978);
- Oscar Niemeyer (1978);
- A Coluna Prestes (1a
edição em 1978; 5a edição
em 1986);
- Vida e Morte da Ditadura (1984; 1984);
- Contribuição à História do PCB (1985);
- História e Materialismo Histórico no Brasil
(1985; 1987);
- O Tenentismo (1985);
- História da História Nova (1986; 1987);
- A Intentona Comunista de 35 (1987);
- O Governo Militar Secreto (1987);
- Literatura e História no Brasil Contemporâneo
(1987);
- Em Defesa da Cultura (1988);
- Educação Social e Económica do Brasil (1988;
1996);
- A Marcha para o Nazismo (1989);
- A República. Uma Visão Histórica (1990);
- Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil
(1990);
- A Luta pela Cultura (1990);
- O Fascismo Cotidiano (1990);
- A Ofensiva Reacionária (1992);
- História Nova do Brasil (1993);
- A Fúria de Calibã (1994);
- A Farsa do Neoliberalismo (1a edição
em 1995; 3a edição
em 1996).
- História da Literatura Brasileira. Seus
Fundamentos Econômicos (1 edição em 1938;
8a edição em 1988)
III.
A CONTRIBUIÇÃO DE NELSON WERNECK SODRÉ AO
PENSAMENTO COMUNICACIONAL
Minha ciência é
a História e
creio que ela é indispensável
à Comunicação
Werneck Sodré
Nelson Werneck
Sodré começou a escrever para a imprensa na
revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, e
teve um conto premiado em 1927. No ano de 1938
já escrevia de forma sistemática para o Correio
Paulistano, um jornal que era editado em São
Paulo. Por 25 anos, Sodré manteve rodapé de
crítica literária no Correio, mesmo com
as transferências de residência que ocorriam
devido à carreira militar.
Sodré também
trabalhou na redação do jornal Última Hora,
no Rio de Janeiro, onde conheceu de perto o
trabalho de jornal, o que lhe dava propriedade
para escrever sobre a imprensa. Sua produção
literária é extensa e todas as obras escritas
pelo autor foram publicadas, sendo algumas,
inclusive, reeditadas várias vezes.
O seu primeiro
livro, cuja 1 edição foi em 1938,
intitulava-se História da Literatura
Brasileira - Seus Fundamentos Econômicos.
No ano de 1988 o livro chegou à &
edição. Trata-se de uma síntese do movimento e
das idéias dos poetas e escritores que atuaram
em nosso país, desde os primeiros momentos de
atividade cultural. O trabalho inicia voltando
às origens brasileiras e observando a
influência européia, para culminar com a
observação de escritores como José Américo de
Almeida, José Lins do Rego, Graciliano Ramos,
Jorge Amado e Plínio Salgado.
Outro livro de
Sodré, com importância marcante para o
pensamento comunicaciona1, se denomina Síntese
do Desenvolvimento Literário no Brasil, de
1943. O livro apresenta as falhas existentes no
estudo do desenvolvimento literário brasileiro,
que em sua maioria negligencia o enquadramento
deste cenário no processo histórico nacional, e
desta forma, as características sociais,
políticas e econômicas do país são
desvinculadas de sua produção cultural. Sodré
procura apresentar uma forma de verificar o
desenvolvimento literário por suas
características sociais e não pelas
personalidades que marcaram cada período.
Para Sodré, das
suas contribuições ao pensamento
comunicacional, o livro História da Imprensa
no Brasil, que teve três edições
(lª edição 1966; 3ª edição 1983), foi
o que mais marcou seu trabalho. Segundo o autor,
a obra somente cessou de ser reeditada porque seu
texto passou a ser objeto de fotocópias nos
cursos de Comunicação. Nelson Werneck explica
que História da Imprensa no Brasil, foi o
resultado de trinta anos de pesquisas acumuladas.
Em seu
depoimento, Werneck Sodré reconhece que em sua
técnica de pesquisa não existiram aspectos
originais. Para desenvolver o livro História
da Imprensa, trabalhou nas redações dos
principais jornais, utilizando-se particularmente
das edições de aniversário, bem como as
seções de jornais e revistas antigas da
Biblioteca Municipal de São Paulo e da
Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
Em História
da Imprensa no Brasil, o autor buscou
demonstrar o vínculo existente entre o
desenvolvimento da imprensa e o desenvolvimento
da sociedade capitalista. Sodré também
apresentou a força política e a influência na
opinião pública que possuem as agências de
notícias, publicidade e cadeias de jornais e
revistas. Para tanto, dividiu o trabalho nos
seguintes períodos: A Imprensa Colonial, A
Imprensa da Independência, A Imprensa do
Império e A Grande Imprensa. O autor
apontou também, que os marcos referenciais de
desenvolvimento da imprensa não são os
acontecimentos políticos ou sociais, como por
exemplo, a proclamação da Independência. No
entanto, utiliza-se desta divisão para facilitar
a criação de vínculos entre a situação da
imprensa, seu conteúdo e papel desempenhado em
cada momento histórico.
Como já foi
ressaltado em outros momentos, Sodré destaca
muito em seus livros a importância da liberdade
e independência de um povo, o que também
acontece nesta obra: E talvez
interessante salientar, por ultimo, que este
trabalho pretende contribuir para a compreensão
do óbvio, isto é, de que só existe imprensa
livre quando o povo é livre; imprensa
independente em nação independente - e há
nação verdadeiramente independente em que
o povo não seja livre (SODRE,
1966:09).
Outro livro que
se destaca para a comunidade acadêmica das
Ciências da Comunicação é Síntese de
História da Cultura Brasileira, publicado
pela primeira vez em 1970 e que já foi reeditado
17 vezes. A obra busca fazer uma análise da
evolução de nossa cultura, apresentando as
influências recebidas de outros povos e as
pressões que sofreu até chegar ao período
pré-capitalista e capitalista.
Síntese de
História da Cultura Brasileira é dividido
em três etapas: 1) a análise da cultura
transplantada antes do aparecimento da pequena
burguesia, até a segunda metade do século
XVIII; 2) a análise da cultura transplantada
posterior ao aparecimento da pequena burguesia,
até 1930; 3) a análise do surgimento e
desenvolvimento da cultura nacional em
consonância com as relações capitalistas.
Novamente
observamos a ênfase do autor, na busca que deve
existir pela liberdade e independência cultural
do povo brasileiro: Do que ficou
narrado, deduzse que o problema inicial,
para a cultura brasileira, é o da retomada da
liberdade; sem liberdade de pensamento e
expressão, não há condições de
desenvolvimento cultural autêntico. Trata-se de
etapa preliminar, indispensável. Sem superar tal
etapa, não há como colocar o problema de
cultura (SODRÉ, 1989:135).
Em Memórias
de um Escritor, de 1970, também encontramos
fontes e informações importantes para os
pesquisadores e profissionais das Ciências da
Comunicação. No desenrolar dos acontecimentos
relatados e vividos por Werneck Sodré,
encontra-se a história da indústria editorial
brasileira. O apanhado vai desde o momento em que
a indústria cultural se tornou independente de
Portugal e França, paises onde as obras
didáticas e literárias eram impressas até o
inicio dos anos 20, até a formação da
literatura moderna. Também é feita uma analise
crítica das idéias e tendências do período
explorado.
O livro A
Luta pela Cultura, editado no ano de 1990,
consiste em uma continuação de suas Memórias
de um Escritor, por isso, é também
importante para o pensamento comunicacional. O
período tratado, abrange dois acontecimentos
históricos muito significativos, o final da II
Guerra Mundial, quando também termina o Estado
Novo, e o Golpe Militar de 1964. Trata-se de uma
obra que destaca a atividade desenvolvida por
Sodré neste período em que:
ele
intensificou suas atividades de participação na
vida literária do país, exercendo a função de
crítico em vários jornais e revistas do Rio e
São Paulo, envolvendo-se em muitos debates
políticos e sociológicos ao longo dos quais o
melhor de nossa intelligentsia
buscava definir tendências e encontrar caminhos
para as várias crises simultâneas em que
estávamos mergulhados, e foi professor, em
nível de pósgraduação, numa das melhores
instituições culturais brasileiras, o ISEB, que
ajudou a estruturar (SILVEIRA, 1990).
Quando se inicia
a análise do trabalho desenvolvido por Nelson
Werneck Sodré, em busca de uma identidade
científica, observa-se nitidamente em sua obra a
influência marxista. Isto, além de
caracterizá-lo, também demonstra sua
coerência, pois é desta forma que até hoje
Sodré se posiciona quanto às correntes de
pensamento: sempre me defini conto
marxista.
Por fim, Nelson
Werneck Sodré faz duas recomendações aos
futuros escritores ou pesquisadores que pretendam
desenvolver trabalhos que abordem a História, a
Comunicação ou tenham cunho científico:
1) Que façam
antecipadamente uma lista de livros de consulta,
a bibliografia;
2) Que elaborem
uma cronologia que venha a servir como roteiro do
texto que será escrito.
Segundo Sodré,
esse é um bom método para o escritor seguir.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Pesquisar e
redigir alguns aspectos do perfil biográfico de
um pesquisador da História e da Comunicação,
como Nelson Werneck Sodré, é um trabalho que,
certamente, não pode ser executado em poucas
páginas. Se se observarem as memórias do autor,
registradas em alguns de seus livros, percebe-se
a extensão do pensamento de Sodré e,
conseqüentemente a complexidade que se encontra
em sintetizar devidamente essa vivência em uma
obra monográfica como o presente artigo.
Contudo, um
desafio como este é sempre instigante e traz
resultados que podem servir para futuros estudos
e pesquisas que venham a ser desenvolvidos sobre
a obra ou vida do cientista biografado.
Ficam aqui,
então, demonstrados e registrados alguns
aspectos sobre: a história de vida de Nelson
Werneck Sodré, a linha teórica de seus livros e
a importância de sua obra no pensamento
comunicacional. A realização deste artigo
deu-se através de pesquisas bibliográficas,
observação de entrevistas dadas pelo autor e
contato direto feito através de
correspondência.
O trabalho
desenvolvido, buscou trazer a visão sobre um
cientista que se preocupou ao longo de sua vida
com a democracia, a liberdade e a dignidade do
povo brasileiro, olhando sempre de forma crítica
para os meios que impediam a concretização
desses anseios. Este é Nelson Werneck Sodré, um
pesquisador que foi e continua sendo marxista, um
pensador que não abre mão do socialismo, mesmo
que os modismos empurrem a nau para o
caminho contrário: O socialismo uno é
um modelo, é como a democracia, uma parte da
História que está sempre em marcha, que faz
parte do processo de aperfeiçoamento das
instituições políticas. (CORREA,
1995:10).
Este é o perfil
biográfico de um General da reserva, que contou,
através de sua vivência e de seus livros, um
pouco da História do Brasil. Um homem que
observou criticamente nossa imprensa, trabalhou
em jornais e atuou como pioneiro na
consolidação da comunidade científica de
Comunicação.
Resta, agora,
aproveitar ao máximo as contribuições do
biografado Nelson Werneck Sodré. Desta forma,
talvez daremos alguns passos na construção de
um futuro que seja voltado para uma busca sincera
da democracia e liberdade de expressão
verdadeiras, que passem pelo respeito e dignidade
para com todos.
______________________________
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- CORREA, Marcos Sá. Nas
Mãos de Deus. Veja. São Paulo,
Abril, 27/09/95.
- MARINHO, Luiz Carlos de Oliveira. O ISEB
em seu Momento Histórico. Rio de Janeiro,
Teses, 1986.
- SILVEIRA, Ênio. Um Homem e sua Causa.
In: SODRE, Nelson Werneck. A Luta pela
Cultura. Rio de Janeiro, 1990.
- SODRÉ, Nelson Werneck. A Farsa do
Neoliberalismo. 3a ed. Rio de
Janeiro, Graphia, 1996.
- ________. A Luta pela Cultura.
Rio de Janeiro, 1990.
- ________. Do Estado Novo à Ditadura
Militar. Memórias de uni Soldado. 2a
cd. Petrópolis, Vozes, 1988.
- ________. Do Tenentismo ao Estado Novo.
Memórias de um Soldado. 2a ed.
Petrópolis, Vozes, 1986.
- ________. Formação Histórica do
Brasil. 8a ed. São Paulo, Ed. Brasiliense,
1973.
- ________. História da Imprensa no
Brasil. Rio de Janeiro, Civilização
Brasileira, 1966.
- ________. História da Literatura
Brasileira. Seus Fundamentos Econômicos. São
Paulo, Cultura Brasileira, 1938.
- ________. Introdução à
Revolução Brasileira. 3a ed. Rio de
Janeiro, 1967.
- ________. Memórias de um Escritor.
Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1970.
- ________. Síntese de História da
Cultura Brasileira. 168 cd. Rio de Janeiro,
Bertrand Brasil, 1989.
- ________.Síntese do Desenvolvimento
Literário no Brasil. São Paulo, Livraria
Marfins Editora, 1943.
_______
NOTAS:
1) Sodré já escrevia para a revista O Cruzeiro,
do Rio de Janeiro, desde o ano de 1927, quando
teve um conto premiado. Clique aqui e
retorne ao texto
2) Quando Sodré assumiu a revista, era um
órgão acadêmico de circulação incerta e
predominavam os assuntos militares. Clique
aqui e retorne ao texto
3) Nesse período Sodré publicou as obras:
Formação da Sociedade Brasileira (1944), O Que
se Deve Ler Para Conhecer o Brasil (1945). Sodré
também colaborava com os jornais Correio
Paulistano, Diário de Notícias do Rio de
Janeiro e com a Revista Militar Brasileira,
editada pelo Estado Maior do Exército, bem como,
fazia parte da redação de A Defesa Nacional,
revista de assuntos militares. Clique
aqui e retorne ao texto
4) Desde o momento em que o general Estillac
não promoveu a anulação da transferência de
Sodré para Cruz Alta (RS), afinal havia assumido
como Ministro de Guerra logo após o ocorrido e
poderia tomar esta atitude, sua esposa opunha-se
a qualquer entendimento com Estillac que fosse
além do nível político. Clique aqui e
retorne ao texto
*
Josias Ricardo Hack,
mestrado em Comunicação Social (Universidade Metodista
de São Paulo); é
representante da Universidade do Oeste de Santa Catarina junto ao Consórcio Rede Universidade Virtual
Pública Catarinense -
Portaria 69/UNOESC - R/2000. Esta es su primera
colaboración para Sala de Prensa.
|