A Internet: chegou a hora de
reavaliar sua função no jornal impresso
Reinventando
o jornal na Internet
Rosental
Calmon Alves *
As
notícias sobre jornalismo na Internet não
podiam ser piores. Companhias pontocom estão
quebrando. Ações de empresas remanescentes
viram pó e são retiradas das bolsas. Demissão
em massa no mundo pontocom entrou na rotina
diária. O internauta americano passa menos tempo
por dia na rede. Anunciantes assustados cancelam
campanhas planejadas para a Internet. Jornais
continuam acumulando prejuízos com a Web e
alguns críticos já duvidam abertamente que seja
possível ganhar dinheiro com jornalismo na
Internet.
Com um quadro
tão pessimista e tão dramático, chegou a hora
de os jornais desistirem da Internet, certo?
Errado. Na realidade, a crise fortalece a
posição estratégica dos jornais no novo
ambiente de mídia que se está formando através
da atual revolução tecnológica. Engana-se quem
pensa que a atual crise esteja destruindo ou
mesmo diminuindo a importância da Internet como
meio de comunicação de massa.
A Internet está
passando por uma correção de rumos, cuja
principal característica é a eliminação dos
abusos cometidos nos últimos anos, devido a uma
exagerada e precipitada avaliação de suas
potencialidades por parte do mercado financeiro e
das bolsas americanas. No auge da onda
especulativa com as empresas pontocom, muitos de
nós nos recordamos do caso das tulipas,
transformadas na Europa em mercadoria de
altíssimo valor no século XVII. Numa histeria
coletiva, muita gente chegou a vender todas suas
propriedades para investir nas flores coloridas
que os holandeses tinham trazido da Turquia e que
se valorizavam com incrível rapidez. De repente,
as tulipas não valiam nada mais e houve uma
quebradeira geral. Mas não se enganem, a
Internet não é a tulipa nesta comparação. As
tulipas são as ações de empresas de Internet
que nunca tiveram um verdadeiro plano de
negócios, que nunca passaram pelos mais
primários testes de viabilidade e que foram
formadas visando apenas a atrair capital de alto
risco (venture capital) e ganhar
valorização extraordinária de suas ações na
bolsa através das chamadas IPOs (as ofertas
públicas iniciais de ações na bolsa Nasdaq, em
New York).
Chegamos a um
ponto em que escutei executivos de jornais
americanos afirmarem, assustados, que viam seu
negócio sob ameaça iminente devido ao assédio
das pontocom. Havia motivos para assustar na onda
especulativa que estava em curso. O valor de
capitalização de mercado de uma só companhia
de Internet, a Yahoo, era maior do que o da soma
de todos os jornais americanos com ações na
bolsa. Ou seja, o valor de papel da Yahoo era
maior do que o do New York Times, Washington
Post, Chicago Tribune, Times Mirror, etc
combinados. Algo estava errado. E a
demonstração disso está se vendo agora, com as
ações das pontocom caindo mais de 80% ou,
literalmente, virando pó, chegando a zero.
A maior
preocupação ao buscarmos reinventar o jornal na
Internet deveria ser evitar que a crise atual
force um movimento pendular na avaliação do
novo meio. O pêndulo estava num extremo - o do
exagero das avaliações financeiras e das
expectativas de que a Internet revolucionaria o
mundo de uma hora para outra. O perigo atualmente
está em deixar o pêndulo ir para o outro
extremo - aquela idéia antes mencionada de que
já seria hora de desistir da Internet ou reduzir
ao mínimo possível os investimentos, por achar
que o novo meio não funciona, não tem potencial
de faturamento e não ameaça os meios
existentes. Na verdade, os jornais que forem por
este caminho estarão cometendo o mesmo erro que
o mercado financeiro cometeu, só que no sentido
oposto.
A miopia dos
jornais e de outros meios de comunicação
tradicionais que desistirem da Internet devido
aos problemas conjunturais poderá custar-lhes
muito caro no futuro. A Internet não está
desaparecendo. Ao contrário, está se
consolidando e se tornando parte da vida diária
de centenas de milhões de consumidores em todo o
mundo. É verdade que não vemos mais os índices
de crescimento da rede iguais aos de 1994, 1995 e
1996, mas não podemos esquecer-nos de que em
apenas cinco anos a Internet conseguiu chegar a 50
milhões de lares dos Estados Unidos - um
feito que o rádio levou 38 anos para conseguir e
a televisão levou 13 anos. Nunca, a história
das comunicações tinha registrado um meio novo
se expandir com tanta rapidez. Nem o telefone se
expandiu tão velozmente.
A história da
adoção de novas tecnologias, no entanto, está
cheia de exemplos de altos e baixos na
introdução de inovações. A literatura a
respeito registra até um chamado "efeito
montanha russa", que, na realidade, se
aplicaria muito bem às dificuldades conjunturais
atuais da Internet. Mas não se esqueçam de que
na montanha russa o trenzinho cai e depois sobe
de novo...
O verdadeiro
"boom" do uso da Internet ainda está
por acontecer. Imaginem o momento em que a
geração Internet chegar ao mercado de trabalho,
dentro de mais alguns anos. São jovens que
praticamente não conheceram o mundo sem
Internet, sem computadores, sem bases de dados.
Para eles, a busca de informações em base de
dados é a coisa mais natural do mundo. Outro
dia, vi uma caricatura interessante. Um pai
mostrava ao filho adolescente um exemplar de
jornal. O garoto, sentado defronte a um
computador, parecia estar pegando num jornal pela
primeira vez na vida e dizia algo mais ou menos
assim:
"Muito
interessante esta interface. . .um banco de dados
de páginas estáticas, de fácil acesso,
portabilidade".
Mesmo antes de a
geração Internet chegar ao mercado de trabalho,
a audiência de notícias na Web não é nada
desprezível. Olhemos para este grande
laboratório mundial que são os Estados Unidos
da América, onde durante o século XX, a cada 20
anos, se lançou um meio de comunicação novo,
que ali foi desenvolvido, testado, levado a
alcançar massa critica e depois adotado no resto
do mundo. Nos EUA, hoje em dia, mais pessoas se
informam através de sites de Internet do que
através dos três principais noticiários da
televisão aberta. Uma pesquisa do Pew Research
Center mostra um declínio na audiência da TV e
uma ascensão da audiência da Internet. A série
histórica do estudo revela também algo que,
presumivelmente, está acontecendo em outras
partes do mundo, como aqui na América Latina. A
audiência de Internet, que começou sendo
restrita a segmentos específicos da população
(inicialmente os techies, pessoas mais
ligadas ao uso de computadores pessoais), aos
poucos vai se aproximando do perfil demográfico
dos meios de comunicação tradicionais.
Isso quer dizer
que mesmo a geração que precede a geração
Internet está adquirindo o hábito de procurar
notícias na Web. Vejamos este quadro com dados
da Media Metrix, em números de usuários
(visitantes) por mês nos sites jornalísticos
mais populares dos Estados Unidos:
| MSNBC.com |
9,8 milhões |
| CNN.com |
7,7 milhoes |
| NYTimes.com |
3,4 milhões |
| USAToday.com |
2,7 milhões |
| Washingtonpost.com |
2,6 milhões |
| Slate.com |
2 milhões |
| TheStreet.com |
1,6 milhões |
| Salon.com |
1,5 milhões |
Com
toda essa audiência e com a curva ascendente, os
sites jornalísticos da Internet não deveriam
estar em crise. Muitos, no entanto, estão
demitindo pessoal, cortando despesas, suspendendo
investimentos, revendo seus planos de negócios e
suas metas de faturamento com publicidade e
outras fontes de receita. É o efeito do que eu
costumo chamar de "a pororoca virtual".
Para os que não são brasileiros, temos que
explicar primeiro o que é a pororoca. Trata-se
de um fenômeno da natureza, único do Amazonas,
que ocorre quando as águas do rio mais caudaloso
do mundo se encontram com as do Oceano Atlântico
e se chocam violentamente, provocando ondas e um
ronco tão forte que se escuta a quilômetros de
distância. A economia virtual, que levou àquela
loucura especulativa de avaliações exageradas e
a planos de negócios que não tinham conexão
com a realidade mas sim com formas de atrair venture
capital, se encontrou finalmente com o oceano
da economia real. Estamos ouvindo o roncar desta
pororoca, que implica na adaptação das
operações de Internet à realidade, aos
princípios básicos de qualquer negócio:
alcançar o equilíbrio entre despesas e receita
o mais rapidamente possível e chegar a uma
operação lucrativa.
Uma pesquisa
encomendada pela revista Editor & Publisher
este ano a um instituto independente (TIPP)
revelou que 64,3% dos jornais pequenos e 52,7%
dos médios e grandes têm prejuízos nas
suas operações de Internet. Disseram obter
lucro na Internet 23,2% dos jornais pequenos e
36,8% dos jornais médios e grandes. Claro que os
lucros seriam questionáveis, considerando que
essas operações em geral não remuneram em nada
o jornal impresso, de onde vêm quase todos os
recursos utilizados para a produção na
Internet. Grandes empresas de jornais dos Estados
Unidos, como o New York Times ou a Knight Ridder,
revelaram que perderam somente no ano passado
mais de 50 milhões de dólares, cada uma, em
suas operações de Internet. Nas últimas
semanas, vimos demissões em praticamente todas
essas empresas, mas principalmente naquelas que
gastaram mais, que responderam às ameaças do
mundo pontocom, tentando adaptar-se a ele e jogar
de acordo com suas regras.
As demissões e
os cortes orçamentários fazem parte das
correções para atravessar a atual pororoca. As
cadeias de jornais americanos continuam perdendo
uns 140 mil dólares por dia na Internet e ainda
acham que isso é um bom investimento. E essa
decisão não é tomada por lunáticos, por
investidores de capital de alto risco ou jovens
alucinados com as perspectivas do mundo pontocom.
A decisão de perder (ou investir) esse dinheiro
é tomada por saudáveis e experientes executivos
que dirigem empresas altamente lucrativas. Na
verdade, jornal tem sido nos últimos anos um dos
negócios mais lucrativos da economia dos Estados
Unidos, com margens em geral acima de 20%. O que
leva essas diretorias a concordar em continuar
perdendo dinheiro na Internet é também a
elementar noção de que em qualquer negócio
editorial novo (um jornal ou uma revista, por
exemplo) sempre se trabalhou no vermelho por um
tempo, até construir-se a audiência e até a
marca se consolidar. O USAToday, por exemplo,
levou mais de uma década dando prejuízo até
sair do vermelho pela primeira vez. Aqui no
Brasil, a revista Veja, que hoje é líder,
passou vários anos no prejuízo antes de
começar a dar os resultados fantásticos de hoje
em dia.
Não é Internet
tão somente que está por detrás desta
decisão, de continuar perdendo ou investindo
milhões e milhões de dólares enquanto o novo
meio de comunicação busca um modelo de negócio
eficiente. O verdadeiro motivo ultrapassa as
dimensões e perspectivas da Web. A Internet é
um meio provisório, interino. É apenas a parte
mais visível de algo muito maior e,
verdadeiramente, revolucionário, que está
rompendo velhos modelos e estruturas de negócios
por todas partes. Por trás da Internet, está a
Revolução Digital, com a criação da chamada
Sociedade da Informação. Não há praticamente
nenhum negócio no mundo que, de alguma maneira,
não tenha que rever suas bases, diante da
utilização universal dos computadores. Para
nós, dos meios tradicionais de comunicação, os
efeitos são avassaladores. Há muito tempo se
falava, na academia, do conceito conhecido pela
sigla CMC - comunicação mediada por
computadores - e que surgiu dos primeiros estudos
sobre comunidades virtuais, conectadas via
computador anos antes de aparecer a Web. A
popularização da Web em meados dos anos 90
levou ao público em geral o acesso a
comunicação mediada por computadores, que era
restrita a pequenas comunidades formadas
principalmente por acadêmicos e techies. Estamos
apenas no começo de uma era de acesso
eletrônico fácil, prático e barato a
informações, através de novos médios que mal
podemos imaginar hoje em dia.
Os jornais foram
o primeiro setor industrial a adotar em massa a
Internet. Em apenas quatro ou cinco anos, já era
quase impossível encontrar um jornal que não
tivesse uma presença, ao menos modesta, na Web.
Inventar o jornal na Web foi tarefa
essencialmente fácil. Primeiro, já havia
divisões ou departamentos de novos meios na
maioria dos grandes jornais, que mesmo antes da
Web vinham experimentando outras tecnologias como
alternativas para a distribuição de notícias.
Já era popular entre executivos desses jornais o
conceito de que o negócio de um jornal não é
botar tinta em papel, mas sim distribuir
informação. Ao inventar o jornal na Internet,
os jornais acharam de início que era possível
simplesmente transferir seu modelo de negócio e
seu conteúdo para o novo meio. Ignoravam, assim,
as características e as limitações da
comunicação mediada por computadores. Nenhuma
surpresa, portanto, que essa simples
transferência de produto de um formato a outro
não tenha dado certo. Nenhuma surpresa,
tampouco, para quem conhece a história dos meios
de comunicação.
Roger Fidier, um
dos pioneiros dos novos meios e evangelista da
futura migração do jornal em papel para o
formato eletrônico, fez uma análise da
história da adoção de novos meios de
comunicação. Ele observou que cada vez que um
meio novo aparece, há um processo por ele
batizado de "midiamorfose".
Basicamente, o que acontece é um terremoto no
ambiente de mídia, a partir de previsões de que
os meios antigos vão acabar. No final, os meios
existentes passam por uma metamorfose, se
transformam, se adaptam à nova realidade,
encontram outro papel a cumprir e sobrevivem.
Assim, o rádio sofreu enormes modificações,
mas sobreviveu à televisão, da mesma forma que
os jornais se modificaram e sobreviveram ao
rádio. Outra característica da midiamorfose é
que o meio novo se apropria de traços dos meios
existentes em suas primeiras etapas, antes de
encontrar sua própria identidade, sua própria
linguagem. Assim, no começo o rádio nada mais
era que o jornal falado, a TV nada mais era do
que o rádio com a imagem do locutor. E assim, o
jornal inventado na Internet nos últimos anos
era, em geral, o jornal impresso transferido ao
computador. O uso de metáforas conhecidas
facilita a compreensão e a adaptação ao novo
meio.
Estes foram
claramente anos em que ao inventar o jornal na
Internet, cumprimos as características da
midiamorfose. Na hora de reinventar o jornal na
Internet, nossa maior preocupação precisa ser
dar o passo adiante no sentido de encontrar a
linguagem própria do novo meio, utilizando suas
características e seu potencial. Nesta fase de
reinventar o jornal na Internet, devemos sempre
partir da pergunta central: o que podemos fazer
na Web para melhor servir o leitor, que não é
possível fazer no jornal impresso? Para
começar, é preciso entender a Internet como um
meio de comunicação convergente, que tem a
capacidade de absorver características de outros
meios, ao permitir a utilização de textos,
bases de dados, fotos, áudio, vídeo, etc. Mas
também é preciso entender as limitações da
Internet, que ainda utiliza equipamentos e
sistemas de distribuição precários. Estamos
apenas na infância da comunicação mediada por
computadores. É como se estivéssemos na fase do
rádio de galena, aquele rudimentar aparelho
baseado no cristal de galena, que só podia ser
escutado por uma pessoa de cada vez. E como se
estivéssemos no início do cinema, com sua
câmera grande e fixa, sua imagem muda e
embaçada em preto-e-branco.
Em poucos anos,
vamos rir das limitações dos computadores de
hoje em dia, ainda baseados na metáfora da
antiga máquina de escrever. Mas é com essas
máquinas que temos que reinventar o jornal na
Internet, enquanto esperamos que a era pós-PC
tome forma, através de equipamentos portáteis e
sem-fio mais apropriados para a distribuição
eletrônica de notícias. Os palmtops, os
celulares com WAP, os primeiros e-books e os
novos Internet devices que já estão no mercado
são apenas rudimentares insinuações do que vem
pela frente. Essas novas tecnologias terão um
impacto profundo na evolução deste novo tipo de
jornalismo que estamos criando para ser
distribuído em múltiplas plataformas. O
objetivo de todos nós ao tentarmos reinventar o
jornal na Internet é entregar notícias como,
quando e onde o usuário a quiser ou a
necessitar.
Para reinventar
o jornal na Internet, precisamos perder de vez o
medo da canibalização. Depois destes primeiros
anos, ninguém pode suspeitar ou temer que a
Internet com suas limitações atuais vai matar
os meios de comunicação existentes. É até
possível ou provável que mais adiante, algum
dia, a evolução tecnológica nos leve a outros
sistemas que criem o cenário que costumo chamar
de midiacídio, a morte dos meios tradicionais,
que se tornariam obsoletos e perderiam sua razão
de existir. Isso não está, no entanto, no
horizonte visível, pelo menos a curto prazo. Com
o que podemos ver, a Internet é e continuará
sendo, ainda por algum tempo, um meio de
comunicação a mais, que cumpre uma função
importante, porém perfeitamente complementar às
funções dos meios tradicionais. Um jornal ou um
meio tradicional qualquer é incompleto hoje em
dia se não tem, paralelamente à operação
tradicional um dinâmico site de Web a
complementá-lo e a estender sua marca e seu
alcance ao ciberespaço. Uma presença importante
na Web pode aumentar significativamente o valor
de um jornal. Além de estar presente na
Internet, qualquer meio de comunicação
tradicional tem que adaptar seu conteúdo à
convivência com a Web.
Um dos maiores
desafios neste período de reinvenção do jornal
na Web é sua integração ao produto
tradicional, de forma complementar e cooperativa.
Um dos maiores e mais comuns erros cometidos
nestes primeiros anos de jornalismo online foi o
isolamento da Web em relação ao produto
tradicional, como se fossem duas empresas, duas
operações distantes. Os jornais que têm mais
sucesso e ganham dinheiro na Internet são
aqueles que sabem integrar os produtos, fazer
promoções cruzadas. Tem que ser uma via de
mão-dupla. Idéias tão simples e óbvias como
vender assinatura da edição impressa ou receber
anúncios classificados por computador, através
da edição online, ainda são ignoradas pela
maior parte dos jornais via Internet que
conheço. O New York Times reportou que chegou a
vender três mil assinaturas do impresso por
mês, através de sua edição online. Os jornais
na Internet mais eficientes produzem matérias ou
colunas que são publicadas pelo impresso
também.
Ao reinventar o
jornal na Internet, temos que vê-lo como uma
extensão da marca do meio tradicional e uma
possibilidade de alcançar outros públicos. Mais
de 70% do meio milhão de leitores que pagam uma
taxa mensal para acessar o Wall Street Journal
Online não são leitores do Wall Street Journal
impresso. O New York Times tem uma circulação
de pouco mais de um milhão de exemplares, mas
tem um cadastro de 15 milhões de pessoas que se
registraram para acessar suas páginas na Web e
recebe a visita de quase 3 milhões e meio de
pessoas por mês. Em alguns países com forte
imigração para os Estados Unidos uns noventa
por cento dos visitantes dos sites de jornais na
Internet vêm do estrangeiro. Muitos jornais já
constataram que, como era de se esperar, atingem
muito mais jovens na Internet do que através do
papel.
As análises de
tráfego de leitura na Internet são
instantâneas e dão aos editores um
acompanhamento permanente sobre a preferência ou
os interesses dos leitores. Ainda que isso possa
levantar questões éticas relevantes sobre
invasão da privacidade, a verdade é que esses
dados devem ajudar os jornais a encontrar
maneiras de servir melhor a sua comunidade de
usuários. Para isso, é preciso conhecer o
usuário, estabelecer um diálogo com ele, manter
um serviço ativo de atendimento ao leitor. Por
incrível que pareça, muitos jornais publicam o
endereço de e-mail dos seus jornalistas, mas
eles não respondem regularmente os leitores. E
sites de Web de jornais tampouco checam com
regularidade as mensagens que chegam dos
usuários.
Ao reinventar o
jornal na Web, uma mudança que podemos adotar
para conhecer melhor nossos usuários é a
criação de um registro de entrada, seguindo um
modelo usado pelo New York Times e rejeitado pela
vasta maioria dos jornais. A oposição ao uso de
registro se baseia na constatação de que se
trata de levantar uma barreira de entrada,
rompendo com a tradição de trânsito livre e
grátis na Internet. Além disso, citam-se
estudos de casos em que a audiência caiu até
40% em sites que passaram a adotar o registro.
Observo uma tendência, porém, no sentido de se
adotar o registro, mesmo enfrentando queda de
audiência. A idéia é manter parte do conteúdo
aberto a todo o público, mas restringir o acesso
a pelo menos certos serviços considerados premium.
Tudo bem que continuemos (até quando não
sei) a dar notícias grátis, mas já que os
leitores não pagam em dinheiro, pelo menos que
paguem através da cessão de poucas, porém
valiosas, informações básicas sobre seu perfil
econômico-social. Muitas vezes, apenas o código
postal da residência já é suficiente, pois o
seu endereço já diz muito sobre seu perfil de
consumidor. Também vale a pena lembrar que o
consumidor não precisa utilizar a senha toda vez
que visita o site a partir do mesmo computador,
pois esse procedimento se automatiza.
Recentemente,
ouvi do presidente da subsidiária de Internet de
uma importante rede de empresas de comunicação
dos Estados Unidos o teor de sua discussão com
os jornalistas que se opunham à introdução do
registro no seu maior site da Web, pertencente a
um jornal. Os jornalistas argumentavam com a
queda de audiência, mas o executivo fazia as
contas e concluía que sua empresa ainda sairia
no lucro, mesmo se a metade dos usuários atuais
se negasse a preencher um pequeno questionário e
a usar uma senha para entrar no site. Por que?
Simples matemática. O mercado publicitário
aceita pagar três vezes mais pelo CPM (custo por
mil impressões) de anúncios dirigidos a alvos
específicos, targets como se diz no
jargão publicitário. Com o targeting, o
valor do CPM daquele site saltaria de 25 dólares
para 75 dólares naquele jornal. Por isso, o
executivo estava convencido de que mesmo com a
metade do público poderia obter um faturamento
três vezes maior. Mas no fundo, ele também
estava convencido de que não perderia tantos
leitores devido ao questionário de, no máximo,
sete perguntas. O sistema de registro incluiria
também o direito de o usuário a qualquer
momento obter a retirada de seu nome do cadastro
do jornal. Esse é um detalhe importante, já que
essa opção de saída do cadastro é muitas
vezes ignorada.
Um dos problemas
do jornal na Internet é que ele é baseado numa
tecnologia pull e não numa tecnologia push.
Ou seja, o usuário tem que atravessar várias
barreiras para ir buscá-lo, em vez de o produto
chegar a ele. O jornal impresso já tinha
resolvido isso há muito tempo, principalmente
nos Estados Unidos, onde predomina a entrega
domiciliar como principal forma de circulação.
Na maioria dos jornais americanos, mais de 80% da
tiragem é entregue na porta dos leitores todas
as manhãs, ou seja, a barreira que representava
ter que sair de casa e ir à banca ou à máquina
comprar o jornal foi eliminada através da
entrega domiciliar. Para se desenvolver na
Internet, o jornalismo vai acabar encontrando uma
maneira de seguir pelo mesmo caminho. Muitas
pesquisas e experiências estão sendo
desenvolvidas, por exemplo, para que o jornal
possa ser enviado por computador e impresso na
casa do leitor, diariamente. Estuda-se até mesmo
uma técnica em que um papel especial seria
reutilizado por essa impressora doméstica. O New
York Times começou faz apenas alguns dias a
oferecer a opção de uma edição para ser
impressa em casa, usando a tecnologia de uma
empresa de Dallas, Texas. Mas neste caso, o Times
cobra pela assinatura.
Enquanto essa
nova geração de jornais via Internet não
chega, uma opção obrigatória para a
reinvenção do jornal na Web é a distribuição
de notícias por e-mail. O método já está se
tornando bastante popular e também é utilizado
com êxito pelo New York Times. E-mail é de
longe a melhor, mais usada e mais eficiente
ferramenta da Internet. É o killer
application, como dizem os especialistas, a
começar por Bill Gates. O New York Times Online
envia e-mails diariamente a 1 milhão e meio de
pessoas que se cadastraram para receber as
seções que mais lhe interessam. De madrugada,
hora de New York, o sistema automaticamente
começa a enviar milhões de mensagens de e-mail,
cada uma com a mera reprodução da página de
abertura, "a capa", de cada seção da
edição online, de acordo com a preferência do
leitor: Esportes, Internacional, Economia,
Política, etc. As páginas são enviadas em
HTML, ou seja, aparecem no e-mail do usuário com
o mesmo look and feel da Web e as mesmas
funcionalidades. Cada e-mail leva um anúncio
provavelmente com target definido, ou seja
aquele mais caro, dirigido a um público
devidamente identificado, situado numa seção
que interessa a esse leitor específico e que
aparece dentro de sua própria caixa postal
eletrônica. Além disso, as manchetes e
sumários enviados por e-mail geram tráfego,
pois são links que levam para as matérias no
sítio de Web do jornal. Desta forma, o e-mail
só leva um anúncio a cada leitor como, através
dos links, gera tráfego para o seu site. Tudo
isso, automaticamente. Além desses e-mails de
seções, há uma variedade de outros tipos de
mensagens que os jornais podem enviar aos
leitores. Vão desde uma simpática mensagem do
editor sobre as novidades do sítio, como novas
seções, reportagens especiais, etc... até os news
alert, que podem avisar de uma variação de
preço de uma mercadoria até da última notícia
do seu time de futebol preferido. Ou mesmo quando
acaba de acontecer algum evento tão
extraordinário que seguramente vai estar na
primeira página de todos os jornais amanhã. A
velha edição extraordinária do rádio, só que
agora vai para a caixa postal eletrônica do
leitor. É um serviço útil, diferente de tudo o
que existia antes e, naturalmente, cada um desses
e-mails vai com anúncio e gera tráfego no
sítio. Até mesmo aquele promocional, que traz
as novidades ou os bastidores do próprio jornal.
Não vamos
conseguir reinventar o jornal na Web, se não
estamos de acordo em que temos que colocar na
Internet hoje o jornal de amanhã, na medida em
que os fatos vão acontecendo. Sei que o que
acabo de dizer causa arrepios em muita gente nos
jornais, temerosa de que isso possa canibalizar a
edição impressa e ajudar os concorrentes.
Depois desses cinco ou seis anos de jornal na
Internet, porém, não conheço um só caso
documentado mostrando que o fato de as notícias
terem sido antecipadas na Internet levou a uma
queda de circulação do impresso. Nem mesmo a
reprodução na Internet de todas as notícias do
impresso causou queda de circulação. Os meios
são diferentes um do outro, são complementares.
Já vimos este filme, esta velha ameaça de
canibalização. Mas se desta vez for para valer
e a antecipação de notícias pela Internet
estiver levando a uma canibalização do jornal,
mais uma razão para o jornal ser o primeiro a
fazer isso, antes que outros o façam.
Autocanibalização não tem nada demais. Isso me
lembra a história do Ted Turner, aquele que
muita gente chamou de maluco por lançar em 1980
uma televisão com notícias 24 horas por dia, a
CNN. Depois da guerra do Golfo, quando a CNN
finalmente parecia consolidar-se, ele lançou o
CNN Headíme News, um formato diferente, com
noticiários a cada meia-hora, para competir com
a CNN original. Chamado de maluco outra vez,
Turner revelou que se a CNN estava dando certo
outros a imitariam e a concorrência apareceria
inevitavelmente, portanto se alguém tinha que
concorrer com ele, que fosse ele mesmo. Hoje, a
CNN se multiplicou em vários outros canais, seu
modelo tem sido muito imitado e a concorrência
prolifera. Exatamente como Ted Turner previa.
Não se pode
brigar com a realidade. Velocidade é uma das
principais vantagens do jornalismo na Internet.
Veja como o seu próprio comportamento pessoal
já mudou nos casos de breaking news,
notícias de última hora. Lembra-se que faz
pouco tempo, você corria para o rádio e depois
para a TV para saber do desenvolvimento de um
tema que acabava de aparecer no noticiário. E
agora? Aposto que você corre para a Internet. Se
não o faz ainda, espere um pouco que se verá
fazendo. Ao reinventar o jornal na Internet,
temos que dar prioridade aos fatos que estão
acontecendo ou acabam de acontecer. Isso mesmo,
ao que vai estar no jornal amanhã. Temos
desafios, problemas importantes para resolver ao
levar a noção de cobertura em tempo-real para a
Internet. Por exemplo, vamos substituindo as
matérias curtas que vão sendo produzidas e
publicadas na rede, na medida que um
acontecimento se desenvolve? Ou vamos apenas
acrescentando pedaços? Como resolver os erros?
Simplesmente tiramos da Internet a notícia
equivocada ou a deixamos com uma correção, com
a qual assumimos o erro cometido e damos a
versão correta? Damos notícias curtinhas, à
medida que os detalhes vão chegando ou esperamos
que se forme uma matéria mais completa? Cada
site está desenvolvendo seu estilo próprio e
algumas tendências estão se consolidando. Uma
dica importante é aprender com as agências de
notícias, que muitas décadas atrás tiveram
problemas similares e desenvolveram suas
soluções.
O problema de
romper com os ciclos de publicação aos quais os
usuários e os jornalistas estavam acostumados
não é algo simples. Ali residem uma das maiores
virtudes e também um dos maiores vícios do
jornalismo online. A virtude já foi explicada: a
Internet é um meio veloz, que permite a
publicação de uma notícia em segundos como o
rádio e a televisão, mas, ao contrário destes,
a deixa a disposição para ser consumida a
qualquer momento em que o usuário desejar. O
vício é que estamos todos vendo os sites dos
outros e muitos não estão agüentando a
tentação de entrar na onda e publicar matérias
não confirmadas, que não passaram pelos
critérios do beabá do bom jornalismo. Tudo isso
em nome da velocidade, de não ficar muitos
segundos ou minutos atrás da concorrência.
Outro problema
nesta área é o excesso de zelo das redações
tradicionais em proteger o furo, a matéria
exclusiva. Nem de longe passa pela minha cabeça
que um jornal deve abrir mão da exclusividade de
certas matérias em sua edição impressa, em
nome de colocá-la num site de Internet e dá-la
de presente para a concorrência. A redação do
impresso deve sempre ter a palavra final a esse
respeito. Meu ponto aqui é que na maioria das
vezes, ou é excesso de zelo e a matéria não é
tão exclusiva assim ou trata-se de algo tão
exclusivo que, mesmo se quisesse, a concorrência
não poderia utilizar. Ao contrário, a partir de
determinada hora a Internet (assim como outros
meios de comunicação do mesmo grupo) pode
servir de veículo de promoção daquela
exclusiva, ao divulgar apenas o essencial da
reportagem, sem maiores detalhes. Mesmo quando a
divulgação estiver vetada pela redação, isso
não deve significar esconder a matéria
exclusiva da equipe de Internet. A edição
online pode ter que esperar que o jornal circule
para divulgar pela manhã a reportagem exclusiva,
mas se souber antes, pode se preparar, armar uma
cobertura mais interativa, mais apropriada para o
meio. E ganhar até uma chamada na reportagem
impressa. Os jornalistas online estarão
procurando responder àquela pergunta-chave: o
que podemos fazer na Internet com essa matéria
que não podemos fazer no jornal impresso?
Haverá muitas respostas, a essa pergunta.
Começa pela limitação do espaço que existe no
papel e praticamente inexiste na Internet, que é
como um saco sem fundo. Valerá a pena analisar a
possibilidade de estruturar a matéria em
camadas, dando ao leitor a possibilidade de se
aprofundar mais, mesmo depois de ler a íntegra
no impresso. Na Internet podem estar facsimiles
de documentos, além de muito mais fotos,
gravações completas de entrevistas, vídeos,
gráficos interativos, entrevista com os
repórteres, os bastidores de seu investigação,
etc.
A reinvenção
do jornal na Internet passa por este aspecto
multimídia. Ainda que hoje em dia as condições
sejam adversas para a transmissão de vídeo na
Internet, é importante que os jornais e os
jornalistas já estejam se acostumando a essa
realidade. A evolução tecnológica é nesta
direção e ainda vamos ter que aprender muito
para resolver os problemas derivados dessa
convergência que se avizinha. Nos Estados
Unidos, jornais que não têm no mesmo grupo
diferentes mídias estão procurando alianças
estratégicas com outros grupos que antes eram
vistos como concorrentes. O Washington Post, por
exemplo, fez uma aliança com a rede de TV NBC e
a MSNBC (NBC associada à Microsofi para Internet
e TV a cabo). Entre os objetivos do Post, a
obtenção de vídeo para seu sítio de Internet.
Quem poderia imaginar que hoje em dia,
jornalistas da NBC estivessem participando das
reuniões diárias de notícias do Washington
Post, escutando até mesmo sobre exclusivas que
eles não poderão utilizar. Até onde eu saiba,
ainda não houve um caso de quebra de confiança.
Isso é na verdade uma boa lição para jornais
onde a redação do impresso ainda vê o pessoal
da Internet como concorrentes potenciais.
O New York Times
fez um acordo com a rede de TV ABC nas últimas
eleições e está investindo em projetos de
televisão, para se posicionar melhor no futuro
digital e convergente da mídia. Recentemente, a
CNN radicalizou em matéria de convergência e
determinou que todos os jornalistas precisam
começar a produzir diferentes versões para
diferentes mídias, sem especializar-se em uma
delas especificamente. Jornais estão entregando
câmeras de vídeo digitais aos seus fotógrafos
e gravadores digitais de áudio a seus
repórteres, buscando mais material
para a edição de Internet. A verdade, porém, e
que essa tal convergência ainda está muito
confusa e indefinida. O importante é se
posicionar, experimentar, ver o que funciona em
cada caso.
O inescapável
é que alguém precisa pagar a conta disso tudo e
ainda obter algum lucro. A maioria dos executivos
de jornais americanos citados em publicações
especializadas recentemente diz que suas
operações de Internet estarão lucrativas lá
pelo final do próximo ano. Muitos dizem também
que suas operações de Internet já podiam estar
apresentando lucro neste momento, mas que
continuam no vermelho porque estão reinvestindo.
Ou seja, por decisão corporativa de que é
preciso continuar gastando para ganhar mercado,
expandir audiência, posicionar-se para o futuro.
De todas formas, promessas e argumentos similares
foram ouvidos nos últimos três ou quatro anos,
sem que o modelo de negócio utilizado pelo
jornalismo na Internet vingasse. No massacre
recente, alguns impressionantes exemplos de bom
jornalismo pontocom morreram asfixiados por falta
de recursos financeiros para agüentar a crise.
Neste ponto, os dual players, ou seja, as
empresas da economia tradicional que têm
presença na Internet levam uma enorme vantagem
em relação aos pure players (as empresas
exclusivamente de Internet). Os dual players contam
com menores custos de operação, meios de
promoção cruzada e valiosíssima fonte interna
de financiamento. No caso dos jornais, eles
contam com o mais importante, o conteúdo. Não
só o de hoje, como o de ontem, o histórico. E
com o pessoal que sabe produzir conteúdo.
Na atual
re-arrumação da Internet, empresas tradicionais
que tinham criado subsidiárias independentes
para competir com as dotcom em circunstancias
similares, já se arrependeram e voltaram à
nave-mãe. A operação na Internet voltou a ser
um departamento ou divisão do negócio
tradicional. Isso aconteceu com jornais e também
com outros tipos de empresas. Outra novidade
muito bem-vinda foi a correção de rumo de
alguns jornais, que tinham desvinculado
totalmente a edição de Internet da redação
tradicional, geralmente entregando-a à área de
marketing e que recentemente voltaram atrás. A
parte jornalística da edição online passou
nesses casos à alçada da redação tradicional.
A reinvenção
do jornal na Internet passa por uma revisão
total do modelo comercial, que nos últimos anos,
para a maioria dos sites, se resumiu à
publicação de banners, cuja eficiência sempre
foi contestada. O Bureau de Publicidade na
Internet acaba de publicar novos formatos de
anúncios para as páginas de Web. A novidade que
está fazendo maior sucesso, mas ainda foi pouco
testada, são os anúncios dinâmicos em flash,
bem maiores que os banners, lançados
recentemente nas páginas de notícias da
CNet.com. Também os banners verticais do New
York Times estão chamando a atenção. Outros
estão causando polêmica, como o papel de parede
da cerveja Budwaiser lançado esta semana nas
páginas de cotação da bolsa da CBS Market
Watcher. Também muito polêmica é a
utilização de anúncio em texto corrido, que se
confunde com notícias e, por isso mesmo, são
criticados por violar princípios básicos que os
jornais impressos já tinham resolvido há
décadas. Há muita margem para criatividade em
matéria de publicidade na Internet e esta deve
ser uma das prioridades para a re-invenção do
jornal online.
O que mais
preocupa neste momento é um grande mal-entendido
e até uma certa má vontade com a publicidade na
Internet. O mal-entendido é exigir dos anúncios
neste novo meio uma resposta e um resultado
imediatos que jamais se exigiu de nenhum outro
meio. Estão comparando o banner a marketing de
mala direta (direct mail), medindo click-throughs
e negócios fechados a partir de cada
anúncio. Estão ignorando a capacidade de os
anúncios da Web servirem também para a
construção e a consolidação de marca, ou para
respostas retardadas de compra, como qualquer
anúncio de outros meios. A má vontade vem de
certas agências que não têm interesse no novo
meio porque ganham muito pouco com ele. Tanto nos
custos de produção quanto nas comissões, pois
os custos de anúncios na Internet caíram muito
nos últimos tempos.
Um minucioso
estudo que acaba de ser publicado pelo banco de
investimento Morgan Stanley Dean Witter concluiu
que a preços de hoje (depois de recentes
quedas), os banners são um bom negócio
em termos de custo-beneficio para os anunciantes,
mas não superam as formas tradicionais de marketing
direto. Quando o banner é visto em
outros termos, como instrumento de branding, ou
reforço de marca, por exemplo, a Internet
apresenta resultados melhores que outros meios.
Num teste de brand recall, por exemplo, a
Internet aparece com melhor performance que
revistas, jornais e televisão. O estudo mostra
que o mercado publicitário para Internet vai
continuar pequeno por algum tempo, mas tem boas
perspectivas de crescimento.
No ano passado,
a publicidade na Internet chegou a 9 bilhões de
dólares nos Estados Unidos e passou o setor de billboards
(os outdoors). A maioria dos grandes
anunciantes ainda dedica menos de 1% de sua verba
para a Web, mas o estudo do Morgan observa que
qualquer meio novo precisa de tempo para
firmar-se e lembra uma referência feita por
Jerry Yang sobre a evolução da publicidade. Em
1950, a Procter and Gamble aplicava na televisão
apenas 5% de suas verbas de marketing. Cinco anos
depois, a mesma indústria gastava na TV 80% de
suas verbas. Um estudo da Universidade do Texas
avaliou a divisão das verbas publicitárias dos
EUA de 1929 a 1992. Uma das conclusões é que
com a aparição de novos meios não aumenta o
tamanho do bolo publicitário, mas sim a fatia
que cada um recebe. Ou seja, a Internet vai
continuar crescendo e sua fatia deste bolo
continuará aumentando
A geração
Internet está por chegar ao mercado. A crise de
publicidade atual que
enfrentam as
empresas de Internet é conjuntural, mais do que
estrutural. A publicidade vai aonde o consumidor
está. Mesmo no cenário mais otimista para os
meios tradicionais, a Internet será uma força
crescente. É hora de reavaliar o que cada
empresa está fazendo na Web e reposicionar-se, a
partir da reinvenção do jornal na Internet.
* Rosental
Calmon Alves. Professor
and Knight Chair in Journalism at the University of Texas at
Austin. Apresentação na
Reunião de Meio de Ano da Sociedade Interamericana
de Imprensa (SIP-IAPA) em
Fortaleza, Ceará, 17 de março de 2001. Esta es
su primera colaboración para Sala de Prensa.
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