A lógica
do jornalismo impresso
na era do "tempo real"
Ao saber que a Folha
havia comprado novos equipamentos que
aumentariam a capacidade e a velocidade de
impressão do jornal, um repórter perguntou
se a redação ganharia mais tempo para
fechar a edição. A resposta foi não. Moral
da história: o último benefício que a
moderna tecnologia trouxe à redação foi o
computador. Cada vez mais o jornal é um
produto que, antes de ser bom, precisa ser
rápido para chegar mais cedo que os
concorrentes às mãos do leitor.
Sérgio Augusto, em depoimento a
Geraldinho Vieira, in Complexo de Clark
Kent, S. Paulo, Summus, 1988.
Vivemos num tempo
maluco em que a informação é tão rápida
que exige explicação instantânea e tão
superficial que qualquer explicação serve.
Luiz Fernando Veríssimo, O
Globo, 01/04/99, p.7.
Sylvia
Moretzsohn *
A
imprensa convive, como atividade industrial, com
uma contradição intrínseca à sua promessa
histórica, e certamente mistificadora: a de dar
"a verdade em primeira mão" (uma
variante daquilo que os americanos definiam como
"get it first, but first get it right"1). Mistificadora porque
fala em verdade genericamente, quando se
trata de entendê-la no sentido estrito de informação
verdadeira, relativa a fatos que realmente
ocorreram - e que comportam interpretações
diversas; mistificação necessária, porém,
para a sedimentação de outro mito, o da
imparcialidade, que garante à imprensa o seu
lugar de autoridade. De qualquer forma, a verdade,
ao contrário do que afirma o lema, sempre ficou
submetida à necessidade da veiculação de
notícias em primeira mão (dadas as
imposições da concorrência), trazendo como
resultado, freqüentemente, a divulgação de
informações falsas ou apenas parcialmente
verdadeiras, com conseqüências às vezes
catastróficas.
Hoje, na era do
"tempo real", essa contradição atinge
níveis que apontam para uma aparente
irracionalidade no processo de produção da
notícia. Afinal, que sentido haveria em investir
na última palavra em tecnologia se o que
interessa não é a qualidade da informação,
mas sim "chegar mais rápido que o
concorrente"?
Enunciada dessa
maneira, a questão pressupõe um certo conceito
de qualidade, aliás nunca muito bem definido (e
cuja discussão seria certamente objeto de outro
artigo, pois nos levaria a uma investigação que
remete ao campo da análise de discurso). Para o
que nos interessa aqui, basta indicar que
privilegiar a velocidade seria aceitar a
possibilidade de faltar com o compromisso
principal do jornalismo com a informação.
Dizíamos,
porém, que essa irracionalidade é aparente,
pois esconde outra lógica, que procura encobrir
o caráter ideológico e político inerente à
atividade jornalística, substituindo-o pela
noção de "serviço prestado ao
leitor". Essa noção, decorrente da velha e
contestada idéia de que o público tem o
"direito de saber" para poder tomar
suas decisões2, sugere que o público
"precisa saber" cada vez mais rápido,
porque esse é o ritmo do mundo. Coerentemente,
as próprias condições de trabalho - que, como
se sabe, são determinantes na produção do
discurso - ficam subordinadas a essa
"lógica da velocidade", apresentada
como um dado da realidade, como se fosse dotada
de uma dinâmica própria, e não como resultado
da lógica industrial.
Os métodos e
diretrizes adotados pela Folha de S. Paulo
ilustram bem o que queremos dizer. São exemplos
pertinentes, pois a Folha é a única no
país a preocupar-se em construir uma
racionalidade sobre a atividade jornalística,
tendo adotado uma estratégia de mercado que lhe
garante, atualmente, o primeiro lugar em
circulação.
Já em 1987, o
Manual Geral da Redação afirmava, no verbete rapidez:
"é essencial combinar qualidade com
rapidez. O jornal deve parte de sua grande
circulação a uma política agressiva de
distribuição, que tem no horário antecipado de
chegada às bancas um de seus princípios
básicos. Assim, o jornal deve fechar mais cedo
que os concorrentes, sem perder em quantidade ou
qualidade das informações". Adiante, em fechamento,
repete-se a preocupação em combinar qualidade
com cumprimento de prazos: "De nada adianta
uma excelente edição se poucas pessoas a
lêem". É interessante notar que não há
ressalva em sentido oposto (algo como "de
nada adianta chegar na frente com informações
imprecisas, incompletas, incorretas, etc.,
etc.")3.
O Projeto
Editorial 97, publicado pelo jornal em 17/08/97
sob o título Caos da informação exige
jornalismo mais seletivo, qualificado e didático,
e que reitera a pretensão da empresa de
"apontar perspectivas para o futuro do
jornalismo brasileiro", continua a entender
atividade jornalística como "subordinada a
um regime de pressa que faz parte de sua
utilidade pública". Mas, o que é mais
significativo, ensaia uma análise das recentes
mudanças ocorridas no mundo, sedimentando a
idéia do mercado como regulador da atividade
jornalística e das próprias ações humanas. O
trecho a seguir é revelador:
A
dualidade política foi substituída por um
consenso. Uma só superpotência impôs seu
predomínio ao mundo, quase todas as
sociedades procuram se aproximar de seu
modelo. Com pouca variação de grau, há uma
só receita econômica (o mercado), uma só
fórmula institucional (a democracia), num
mundo que tende inevitavelmente à
"globalização". Pois não se
trata de um sistema estanque, mas que se
propõe a enquadrar toda diversidade étnica
ou cultural num mesmo modelo, já batizado
como "fim da história", desde que
cumpridos os preceitos da livre competição
e da técnica.
Mais adiante, o
documento é mais explícito em relação ao
jornalismo: não se trata de aplacar a sua
disposição crítica, mas de "refiná-la e
torná-la mais aguda num ambiente que não é
mais dicotômico, no qual o debate técnico
substituiu, em boa medida, o debate
ideológico".
A busca por
desideologizar a atividade (esta e todas as
outras) não é nova nem inocente. Mas, hoje, a
eterna justificativa para rebater críticas mais
profundas ao sentido do noticiário (a falta
de tempo, o fato de que o jornalista
corre contra o relógio) ganha, aparentemente,
maior densidade: afinal, vivemos sob o signo da
velocidade. O argumento, então, torna-se
"neutro", óbvio, inquestionável.
Fazer o quê? As coisas são assim mesmo.
Trata-se de se adaptar a elas.
Uma crítica a
essa concepção exige, primeiro, a discussão da
noção de "aceleração do tempo" para
perceber de que modo a grande imprensa se insere
nessa lógica e ajuda a reproduzi-la. Acreditamos
que, assim, teremos elementos para justificar
que, hoje, a qualidade do noticiário é definida
pela velocidade, que, por sua vez, é consumida
como um fetiche.
A
ideologia da velocidade
"Um
discurso assombra o Ocidente: não há mais
ideologias". É com essa afirmação
que François Brune inicia artigo no qual
sustenta que o mito do progresso, o primado da
técnica e o dogma da comunicação, "signos
sob os quais vivemos", servem como
justificativa para um discurso desideologizante
que, entretanto, é também profundamente
ideológico4.
"Razões
técnicas" são freqüentemente
invocadas para mascarar problemas sociais ou
opções políticas discutíveis. (...) A
ideologia tecnicista concentra a atenção
das pessoas sobre o como para
ocultar a preocupante questão do por
quê: é assim que, em vez de se
perguntar sobre as causas e os efeitos da
violência na televisão, acredita-se que se
resolve a questão inventando um controle
eletrônico que corta as cenas
traumatizantes.
E, mais adiante:
A
velocidade é uma realidade: é também uma
ideologia, inseparável do mito do
progresso.Tudo que se move no mundo, tudo que
anda depressa, progride. Toda mobilidade é
positiva: o mal maior é ser
"ultrapassado". A maioria das
competições é à base de velocidade, mas
é em todos os domínios que é preciso andar
depressa, pensar rápido, viver rápido.
(...) Naturalmente, a vertigem da velocidade
leva a aceitar em bloco todas as evoluções
modernas.
Vivemos, assim,
numa época para a qual a percepção do tempo
é a do tempo presente, que sepulta a
noção de história. No entanto, diz Adauto
Novaes,
narrar a
história de um povo a partir apenas do tempo
presente, tempo fragmentado, direcionado,
"instante fugidio tido como único tempo
real", é negar a articulação de
épocas e situações diferentes, o
simultâneo, o tempo da história e o
pensamento do tempo. (...) Esquecer o passado
é negar toda efetiva experiência de vida;
negar o futuro é abolir a possibilidade do
novo a cada instante.(...) admiramos a
velocidade (que em um centésimo de segundo
põe em jogo prestígio, dinheiro, interesses
- já não sabemos viver a vida lenta e
inexata); vivemos a era dos ruídos e da fala
ininterrupta da televisão e do rádio
(começamos a esquecer como é fecundar o
silêncio, [entendendo-o] não como ausência
de palavra mas como condição de existência
da própria palavra; (...) [pois] é o
intervalo entre as palavras - o silêncio -
que dá sentido à linguagem;) (...) vivemos
ainda o excesso de imagens (...) mas vivemos
principalmente a perda do sentimento do tempo
ao considerarmos que "as coisas rápidas
são muito lentas e que as próprias
mensagens elétricas fazem morrer de
tédio".5
É justo
concluir que, nesse contexto, a velocidade é
consumida como um fetiche - no sentido definido
por Marx, para quem o produto do trabalho, tão
logo assume a forma de mercadoria, passa a ter
vida própria, a valer por si, escondendo a
relação social que lhe deu origem. No caso que
aqui nos interessa, o do jornal impresso, essa
fetichização está (ou deveria estar) clara:
trata-se de um produto submetido à "lógica
da velocidade", embora obviamente incapaz de
segui-la, uma vez que o "tempo real"
será inevitavelmente o tempo de ontem6. O que não deixa de ser
curioso, pois o jornalismo impresso seria, por
definição, mais reflexivo, até para se
distinguir dos outros media. No entanto,
como precisam afirmar a imagem de agilidade, as
grandes empresas reforçam o fetiche ao
distribuírem o "jornal de domingo" às
duas da tarde de sábado; outras, como a que
edita o Povo do Rio, garantem o jornal de
todo dia às sete da noite da véspera...
Reconhecer que esta pode ser uma retomada da
experiência dos velhos vespertinos soaria
insuportavelmente anacrônico. Assim, muda-se a
data no cabeçalho e, magicamente, o presente
passa a ser também o futuro. Hoje já é
amanhã.
Essa urgência
imposta traz outras conseqüências: reduz,
quando não anula, a possibilidade de reflexão
no processo de produção da notícia, o que não
apenas aumenta a probabilidade de erro como,
principalmente e mais grave, limita a
possibilidade de matérias com ângulos
diferenciados de abordagem, capazes de provocar
questionamentos no leitor; obriga o repórter a
divulgar informações sobre as quais não tem
certeza; submete as fontes à lógica da
velocidade (apresentada como uma imposição da
realidade e não como conseqüência do modo de
produção), o que freqüentemente compromete, na
origem, a qualidade da informação a ser
veiculada e, ao mesmo tempo, obriga a fonte a
capacitar-se para obedecer a essa temporalidade,
o que alimenta o círculo vicioso na relação
fonte/jornalista, qualificando automaticamente
algumas em detrimento de outras, com reflexos
evidentes na sedimentação de consensos7.
Dessa forma, o
dinamismo e a novidade prometidos ficam na
aparência (no ato de chegar primeiro às bancas
ou à casa do assinante, nas reformas gráficas,
no uso de cores), que procura encobrir a
padronização e a previsibilidade do
noticiário. Analisando a notícia a partir de
seu valor de uso (para o leitor) e de seu valor
de troca (para o editor), Ciro Marcondes Filho
cita trecho do Coletivo de Autores
"Imprensa" para mostrar a estratégia
da empresa:
A
"nova apresentação periódica da
aparência do valor de uso, a agilidade
formal, o colorido, a diversidade
("compaginação moderna", mais
fatos, papel espelhado, novas cores, novos
tipos gráficos, suplementos coloridos,
"comunicados de todo o mundo" e
"informes exclusivos", mais
páginas, "o mais novo", "o
mais sensacional", etc.) servem somente
ao objetivo de realizar o valor de troca em
forma de dinheiro sem melhorar o valor de uso
para o leitor.8
Assim, a
pretexto de trazer o novo, o jornal acaba
reproduzindo o mesmo, porque gira em torno de um
universo limitado de fontes, o que é uma
imposição da rotina de trabalho nessa
"linha de montagem simbólica". A
abordagem de Terry Eagleton resume esse processo:
Se o
mito é construído como eterna recorrência,
a recorrência que mais importa na esfera do
capitalismo monopolista é o eterno retorno
da mercadoria. O capitalismo tem uma
história, certamente, mas a dinâmica de seu
desenvolvimento, como Marx observou com
ironia, é a recriação perpétua de sua
própria estrutura eterna. Cada
ato de troca mercantil é ao mesmo tempo
singularmente diferenciado e a repetição
monótona da mesma velha história. O clímax
da mercadoria é assim o culto da moda, na
qual o conhecido retorna com ligeiras
variações, o muito velho e o muito novo
são capturados juntos numa lógica paradoxal
de identidade-na-diferença.9
Apesar das
possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias
(que permitem, por exemplo, a investigação
jornalística por computador - o CAR, computer-aided
reporting), não se criam (deliberadamente?)
condições para a ampliação do repertório de
fontes: isso dependeria de uma decisão
empresarial (contratar mais pessoal) e editorial
(portanto política).
Sem condições
de trabalho voltadas para o processamento desse
cada vez maior volume de informações, e lutando
sempre contra o relógio, resta ao jornalista
reproduzir o estereótipo, o clichê.
Os
agentes certamente têm uma apreensão ativa
do mundo. Certamente constróem sua visão de
mundo. Mas essa construção é operada sob
coações estruturais. E pode-se inclusive
explicar em termos sociológicos aquilo que
aparece como propriedade universal da
experiência humana, a saber, o fato de que o
mundo familiar tende a ser taken for
granted, percebido como evidente. Se o
mundo social tende a ser percebido como
evidente (...) é porque as disposições dos
agentes, o seu habitus, isto é, as
estruturas mentais através das quais eles
apreendem o mundo social, são em essência
produto da interiorização das estruturas do
mundo social.10
Assim, cada vez
mais, promove-se uma simplificação do mundo. A
leve ironia de Gans é esclarecedora:
A
relutância em contatar outras pessoas que
não as fontes oficiais e familiares não
deveria nos espantar. Os sempre apressados
repórteres não têm tempo para desenvolver
um relacionamento com fontes não familiares
e nem seguir a rotina que transforma
estranhos em informantes. (...) As
fontes não familiares podem fornecer
informações não passíveis de avaliação,
o que gera insegurança. E, sobretudo, as
fontes não familiares podem fornecer
informações novas ou contraditórias que
atrapalhem a capacidade dos repórteres para
generalizar e resumir (grifo meu). Todos
os jornalistas têm que se apoiar numa base
de dados de número limitado para não serem
inundados por um volume de informação maior
daquele que podem rapidamente processar e
adaptar ao limitado tempo de transmissão ou
ao limitado espaço de impressão [do
jornal].11
Temos aí,
portanto, um paradoxo. Pois como pode ser a
novidade um fator de perturbação para quem
promete justamente a novidade a cada dia?
Um
discurso menos conclusivo
As críticas
aqui expostas podem sugerir uma nostalgia do
mundo pré-industrial. Mas, se assim fosse,
seriam a negação das possibilidades de
transformação nos rumos do jornalismo praticado
pela grande imprensa. E trata-se, ao contrário,
de apontar algumas das encruzilhadas com as quais
o atual modelo desse jornalismo se depara (até
porque as produz) para, a partir daí, buscar
outras possibilidades. Trata-se, em suma, de
identificar os nós para começar a desatá-los.
O primeiro passo
seria iniciar um percurso no sentido oposto ao da
mistificação e assumir a complexidade da tarefa
de informar. O depoimento do repórter Caco
Barcellos é significativo:
É
complicadíssimo você trabalhar numa coisa
que é extremamente dinâmica. É terrível,
porque você não tem tempo pra respirar, pra
refletir e conseguir formalizar um pouco o
que significa isso. É tão dinâmica, tão
veloz, e é tanta incerteza na cabeça da
gente todo o tempo, que a investigação é
inesgotável. Se você trabalhar cinco dias,
chega a uma conclusão; se trabalhar sete,
chega àquela e mais A; se trabalhar vinte,
vê que talvez todos aqueles dias anteriores
não serviram pra nada. É uma coisa sem fim,
né?12
A
investigação, certamente, é "uma coisa
sem fim", e não só porque a lógica da
concorrência exige do jornalista respostas
definitivas e bombásticas a cada edição, mas
porque nossas certezas são sempre provisórias.
E, se a matéria prima do jornalismo é a
realidade cotidiana, "domínio do movediço,
do impreciso, do mais ou menos, do cerca
de"13, um discurso não
mistificador precisaria ser menos afirmativo,
conclusivo, definitivo; precisaria aceitar a
dúvida e expor as limitações do trabalho de
apuração.
Haverá mercado
para um jornalismo como este? As críticas cada
vez mais freqüentes e consistentes ao trabalho
da grande imprensa parecem sugerir que sim. De
todo modo, estas são possibilidades que podemos
apenas indicar, pois o aprofundamento do tema nos
levaria ao campo da análise de discurso, que
excede os propósitos deste trabalho.
O que não
parece aceitável é festejar um jornalismo
"independente, submetido apenas às
forças de mercado"14 (grifo meu), que exclui
a perspectiva dialética de interação - e
transformação - e remete à noção simplista
de que, afinal, um produto é bom porque vende, e
pronto. Então, nem caberia a crítica de que,
antes de ser bom, o jornal tem que ser rápido
para chegar primeiro: pela atual lógica do
mercado, jornal bom é o que chega
primeiro.
_____
Notas:
1 GOODWIN,
Eugene. Procura-se ética no jornalismo.
Rio de Janeiro, Nórdica, 1993, p. 23.
2
Goodwin mostra a fragilidade dessa concepção,
decorrente da "teoria da responsabilidade
social": "Os jornalistas, limitados
pelo espaço e pelo tempo, têm que decidir todos
os dias o que é que o público tem direito de
saber. Qualquer visita a uma redação no fim de
um dia de trabalho mostra até para o observador
eventual qual é a quantidade de notícias
deixadas para trás, sem serem utilizadas, um
material que, aparentemente, o público tem o
direito de conhecer". Idem, ibidem, p. 23.
3
FOLHA DE S. PAULO, Manual Geral da Redação,
2ª edição, 1987, p. 36 e 112.
4
BRUNE, François. Lidéologie
daujourdhui, in Manière
de Voir (hors-série), Le Monde diplomatique,
março de 1997, p.11.
5
NOVAES, Adauto. Sobre tempo e história.
In NOVAES, Adauto (org.). Tempo e história,
S. Paulo, Companhia das Letras, 1992, p 13.
6 O
rádio, a TV e o jornalismo on line podem
pretender responder a esse apelo, embora a
precipitação leve sempre ao risco de se
veicular notícias falsas ou superdimensionadas,
pela falta de tempo para avaliação. A esse
respeito, é interessante citar um exemplo
antigo, anterior à era do "tempo
real", relatado pelo comentarista da NBC
Edwin Newman: "Durante o episódio de Three
Mile Island veio um boletim da UPI citando um
porta-voz da Nuclear Regulatory Agency que teria
dito: existe o risco final de um
derretimento". Eu deveria ir ao ar,
interrompendo a programação normal - fazendo o
que se chama de interrupção da cadeia - e dar a
notícia. Eu olhei para o boletim, decidi que
não sabia qual era o seu significado e sugeri ao
diretor de jornalismo da NBC que esperássemos.
Ele concordou. (...) Depois de muitas
dificuldades, conseguimos algumas informações
sobre o significado de um risco final de
derretimento. Significava muito menos do que se
poderia ter pensado. Quando fui ao ar, estávamos
em condições de dar a notícia em perspectiva.
Era muito menos atemorizadora do que parecera
a princípio. Mas, naturalmente, fomos a terceira
emissora a divulgá-la". NEWMAN, Edwin. A
responsabilidade do jornalista, in
SCHMUHL, Robert (org.). As responsabilidades
do jornalismo, Rio de Janeiro, Nórdica,
1987.
7"Os
dominados são os menos aptos a poder controlar
sua representação de si próprios. O
espetáculo de sua vida cotidiana só pode ser,
para os jornalistas, algo monótono e sem
interesse. Porque são culturalmente desarmados,
são além disso incapazes de se expressar na
forma requisitada pela grande mídia".
CHAMPAGNE, Patrick, La vision médiatique,
in BOURDIEU, Pierre, La misère du monde (Paris,
Seuil, 1993, p. 67). A respeito da relação
fonte/jornalista, ver também CHAPARRO, Manuel, Pragmática
do Jornalismo, e GANS, Herbert, Deciding
whats news: a study of CBS Evening News,
NBC Nightly News, Newsweek and Time. New
York, Pantheon Books, 1979.
8Coletivo
de autores "imprensa", in MARCONDES
FILHO, Ciro, O capital da notícia, S.
Paulo, Ática, 1986, p 32.
9EAGLETON,
Terry. A ideologia da estética, Rio de
Janeiro, Jorge Zahar, 1993, p. 231.
10 BOURDIEU,
Pierre. Coisas ditas, S. Paulo,
Brasiliense, 1990, p.157/158.
11 Cf.
GANS, Herbert. Op. cit.
12 Entrevista
à revista Caros Amigos, nº 2, maio de
1997.
13 KOYRÉ,
Alexandre, citado por NOVAES, Adauto. Op. cit.,
p. 14.
14 FOLHA
DE S. PAULO. Projeto Editorial 97, FSP.,
17/08/97.
*
Sylvia Moretzsohn.
Professora de jornalismo no curso de
Comunicação Social da Universidade Federal
Fluminense e aluna do
mestrado em Comunicação, Imagem e Informação,
da mesma universidade. Fue repórter e redatora
na imprensa diária (Jornal do Brasil, O
Globo, sucursal de O Estado
de S. Paulo) por cerca de oito anos. Fue membro
da comissão de ética do Sindicato dos
Jornalistas Profissionais do Município do Rio de
Janeiro entre 1987 e 1991,
período em que edito o livro Jornalistas pra
quê? (os profissionais diante da ética), lançado em fins de 1989. Esta es su
primera colaboración para Sala de Prensa.
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